Gustavo Perin foi ouvido na Delegacia Especializada de Combate à Corrupção. Inquérito investiga conteúdo de gravações que revelavam que ele teria planejado desclassificação ilegal de empresa para favorecer empreiteiros amigos. Outra frente de investigação é referente a dois ‘laranjas’ presos sacando
A Delegacia Especializada de Combate à Corrupção (DECCOR) da Polícia Civil está prestes a concluir Inquérito Policial que apura suposto esquema de corrupção na Prefeitura de Vitória. Um dos depoimentos mais aguardados no procedimento foi dado na última sexta-feira (07/08) pelo secretário Municipal de Obras, Gustavo Perin de Medeiros Teixeira. Ele está no cargo desde 2021, quando se iniciou o primeiro mandato do então prefeito Lorenzo Pazolini (Republicanos). Reeleito em 2024, Pazolini manteve Perin no cargo. Pazolini renunciou ao mandato em abril de 2026 para se candidatar ao Governo do Estado. Sua vice, Cris Samorini (PP), manteve Gustavo Perin na titularidade da Pasta.
A DECCOR atua em duas frentes de investigações tendo Gustavo Perin como um dos investigados. Uma delas diz respeito a uma Representação feita em setembro de 2024 pelo deputado estadual Capitão Assumção (PL), que na ocasião era candidato a prefeito de Vitória – pleito e que Pazolini foi reeleito. Assumção já havia enviado áudios ao Ministério Público Estadual e às Polícias Civil e Federal, que, em tese, revelariam uma conversa em que o secretário Gustavo Perin e o empreiteiro Fábio Mosé Nascimento, das empresas MTF Construções e Thaeng Construções, estariam planejando a desclassificação de uma empresa concorrente para o serviço de obras na Capital capixaba.
Outra frente de investigação foi a prisão de dois homens, em 9 de setembro de 2025, que culminou numa ação penal de crime de lavagem de dinheiro. Na tarde daquele dia, Lucas de Araújo Santos e Jairo da Silva Leite Júnior foram presos dentro da agência do Sicoob da Reta da Penha, em Vitória, depois de sacar R$ 2 milhões em espécie.
Conforme o Blog do Elimar Côrtes informou em 13 de março de 2026, a conclusão do Inquérito Policial, feito pela Polícia Federal e compartilhada com a Polícia Civil, sustenta que Lucas e Jairo são ‘laranjas’ de uma empreiteira capixaba, envolvida em um esquema criminoso de corrupção, e o dinheiro seria para pagamento de propina a gestores – sabe-se agora – da Prefeitura de Vitória. Com os dois, a Polícia Federal apreendeu duas listas com nomes de gestores públicos municipais e políticos que seriam beneficiados com a propina.
Esta segunda investigação é no âmbito da Operação Colosso de Areia, deflagrada pela Polícia Federal, para apurar suspeitas de direcionamento de licitações, favorecimento em contratos públicos e lavagem de dinheiro. Segundo a DECCOR, o Inquérito Polícia investiga possíveis irregularidades em procedimentos licitatórios e contratos administrativos celebrados por órgãos públicos municipais, além da eventual prática de crimes contra a Administração Pública, o sistema licitatório e lavagem de dinheiro.
O secretário Gustavo Perin prestou depoimento ao chefe da DECCOR, delegado Douglas Vieira. O Inquérito Policial tramita em segredo de Justiça, o que impede o delegado de apresentar à imprensa o conteúdo do depoimento de Perin. No entanto, fontes da Polícia Civil informaram aos que o secretário de Obras de Vitória respondeu aos questionamentos feitos pela Autoridade Policial, indicando, inclusive, “algumas irregularidades” em processo de licitação.
Segundo a Polícia Civil, as investigações tiveram origem em uma denúncia que apontava possível direcionamento de licitações em favor de empresas do ramo da construção civil, além da existência de movimentações financeiras consideradas atípicas, especialmente relacionadas à realização de elevados saques em dinheiro vivo.
Durante as investigações, foram identificados indícios de vínculos empresariais entre investigados, participação recorrente de empresas e consórcios em licitações públicas e circunstâncias que indicam a necessidade de aprofundar a apuração sobre estruturas societárias utilizadas para ocultar a real gestão das empresas e a movimentação dos recursos.