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O governador Renato Casagrande (PSB) abriu, nesta terça-feira (23/12), uma série de entrevistas para fazer um balanço da gestão de seus sete anos à frente do Executivo Estadual. Logo cedo, ele atendeu à reportagem do ‘site’ Blog do Elimar Côrtes, em seu Gabinete, no Palácio Anchieta, em Vitória. O líder capixaba abordou temas como a segurança pública e os investimentos feitos no setor, falou das eleições do próximo ano, enalteceu a conduta sempre séria e honesta de seu vice-governador, Ricardo Ferraço (MDB), e até citou o “comportamento mais equilibrado e com conteúdo maior” do senador Flávio Bolsonaro (PL), lançado pelo pai, o ex-presidente Jair Bolsonaro (PL), como pré-candidato a eleição presidencial de 2026 – o pai encontra-se preso pela condenação de tentativa de golpe de Estado e está inelegível.

“Eu anunciei o nome do Ricardo Ferraço por todas essas características que ele tem, de ser uma pessoa trabalhadora, de ter energia para poder tocar o serviço adiante e ser uma pessoa séria. Você nunca viu o Ricardo Ferraço metido numa confusão, num desvio de dinheiro público. Ele é uma pessoa decente e muito sério. A gente tem que colocar gente que vai cuidar bem do dinheiro público para governar o Estado”, frisou Renato Casagrande.

O governador também elogiou o presidente Lula, mas frisou que o Governo Federal precisa ter também como foco o ajuste fiscal. Casagrande acredita, entretanto, que as eleições presidenciais de 2026 – quando Lula deverá disputar a reeleição contra adversários da direita, dentre eles, o senador Flávio Bolsonaro – serão menos polarizadas do que as de 2022, quando o pai, Jair Bolsonaro, foi derrotado pelo petista no segundo turno:

“Será menos polarizada quando comparada com a eleição de 2022, porque, mesmo que tenhamos, por exemplo, o Flávio disputando eleição, ele não é o Jair Bolsonaro, o pai. O Flávio Bolsonaro é uma pessoa com comportamento mais equilibrado e com conteúdo maior”, disse Casagrande, o que, segundo ele, abre espaço para debates mais proativos.

Renato Casagrande governou o Espírito Santo pela primeira vez entre 2011 e final de 2014. Depois, retornou ao poder em janeiro de 2019 e cumpre o seu segundo mandato consecutivo. Em janeiro de 2018, quando iniciou visita aos 78 municípios capixabas para debater um projeto de governo, ele concedeu entrevista ao Blog do Elimar Côrtes em que destacou os quatro pilares que levariam o Espírito Santo de novo ao desenvolvimento econômico e social: ética e transparência; democracia de alta intensidade; responsabilidade fiscal; e desenvolvimento regional. Ele conseguiu imprimir os objetivos.

A íntegra desta entrevista está também na página do Blog do Elimar Côrtes no YouTube.

 

Blog do Elimar Côrtes – Governador, como foi este ano de 2025 para o senhor e seu governo?

Renato Casagrande – Elimar, primeiro obrigado pela oportunidade da gente estar aqui trocando ideias e batendo papo sobre 2025. Foi um ano muito produtivo, um ano de resultados para a população capixaba. A gente está terminando o ano novamente com um valor recorde de investimento em infraestrutura, estamos terminando o ano como o Estado mais transparente do Brasil, com redução da pobreza, da extrema pobreza. Terminando o ano com menor taxa de desemprego da história do Estado do Espírito Santo, terminando o ano com Estado organizado, equilibrado, com boas relações institucionais e com base para a gente poder continuar seguindo em frente ano que vem.

Mantido esse tipo e essa forma de governo, com esse nível de diálogo com a sociedade, nós vamos ter mais um ano bom, pedindo sempre que Deus nos proteja. No ano de 2025 a gente tem que agradecer muito a Deus pela proteção que nos dar. Agradecer à população capixaba pelo apoio que nos dá, pela aprovação do nosso governo. Então, o governo termina o ano de 2025 muito bem avaliado. Para nós, isso é uma conquista.

Governar nesse período de 2019 até agora, sete anos seguidos, e a cada ano a gente produzir um pouco mais, sempre crescente, seja com relação aos indicadores na área da violência seja com relação aos indicadores na área da educação da saúde, tudo para nós é uma conquista que precisa ser registrada e compartilhada com todos os capixabas.

– Em 2018, quando estava se encaminhando para disputar a eleição para governador, o senhor destacou quatro pilares importantes para o Espírito Santo: democracia de alta intensidade, responsabilidade fiscal, desenvolvimento regional e ética e transparência. Conseguiu cumprir esses pilares nesses sete anos de governo?

– Conseguimos, sim. Nós somos um governo do diálogo, um governo que respeita as instituições, um governo que respeita não só as instituições públicas, mas instituições da sociedade também. Nós somos um governo que leva investimentos para todos os 78 municípios, todas as regiões do Estado. Nós somos um governo que conquistou essas posições de fazer os maiores investimentos da história em cada município.

Então, a gente conseguiu levar o desenvolvimento para todas as regiões, não só os investimentos públicos, mas também os investimentos do setor privado, fortalecendo muito a agricultura. Isso tudo ajuda a desenvolver as regiões do interior do Estado.

– A área da segurança pública vai continuar sendo sempre cobrada pela sociedade, por mais que haja melhorias extraordinárias, como as vistas nesses sete anos. Para 2026, o que esperar mais ainda do Programa Estado Presente em Defesa da Vida?

– Estamos terminando 2025 com a menor taxa de homicídio da história do Espírito Santo. Desde quando começamos a contabilizar homicídios e violência, isso já tem quase 30 anos, este ano vai ser o melhor ano. Assumimos, em 2011, um Estado que era o segundo mais violento do Brasil. Estamos chegando aí na 16ª posição, 15ª, 16ª posição, melhor do que a média dos Estados brasileiros. Então, estamos chegando perto dos Estados mais seguros do Brasil. Isso é uma conquista do Programa Estado Presente, é uma conquista da política pública. O Espírito Santo ficou de 1980 até 2010 figurando entre a segunda e a terceira posição, porque era um Estado que não tinha política pública nessa área.

Chegamos em 2011 e implantamos o Estado Presente. Tivemos em 2009 pelo menos 2.034 homicídios. Vamos fechar esse ano em torno de 800 homicídios. Trata-se do resultado de uma política pública e vamos fazer aquilo que poderemos continuar fazendo para poder seguir em frente. Vamos continuar investindo no Programa Estado Presente, que trabalha sustentado num pilar social de educação em tempo integral. Nossa educação em tempo integral, prioritariamente para as regiões mais vulneráveis, vai ancorada na cultura, no esporte, na infraestrutura urbana. Essas regiões mais vulneráveis recebem um tratamento diferenciado.

Vamos continuar fazendo os investimentos que a gente tem feito. Continuar contratando mais policiais, continuar fortalecendo a infraestrutura das unidades de polícia, continuar investindo em equipamentos, continuar investindo em armamentos, em viatura e vamos continuar investindo, sobretudo, em tecnologia.

Tiramos a segurança pública de uma segurança pública que era analógica para uma segurança pública digital. E, com isso, conseguimos resolver boa parte dos crimes através do sistema de identificação da  biometria facial, biometria digital, leitura de placa. Temos o Cerco Inteligente e tudo isso ajuda muito a gente a reduzir a impunidade. Vamos continuar fazendo investimentos em inovação em tecnologia na área da segurança pública.

– A partir do momento que o senhor anunciou o nome do vice-governador para ser o pré-candidato do grupo político para a sua sucessão, o senhor percebeu o crescimento da capilaridade em torno do nome de Ricardo Ferraço?

– Olha, o Ricardo Ferraço tem tido um comportamento muito exemplar dentro do governo. Ele, naturalmente, tem trabalhado muito, tem me ajudado muito pela quantidade de ações que nós temos dentro do governo. E o governador sozinho não consegue fazer uma presença de representação, como inaugurações de obras, visitas às obras, reuniões com lideranças. O Ricardo cuida de um assunto ou de outro e ele tem sido um parceiro muito importante.

Eu anunciei o nome do Ricardo Ferraço por todas essas características que ele tem, de ser uma pessoa trabalhadora, de ter energia para poder tocar o serviço adiante e ser uma pessoa séria. Você nunca viu o Ricardo Ferraço metido numa confusão, num desvio de dinheiro público. Ele é uma pessoa decente e muito sério. A gente tem que colocar gente que vai cuidar bem do dinheiro público para governar o Estado. Então, o projeto que eu lidero tem o Ricardo como nosso pré-candidato.

Agora, nós fizemos esse lançamento, mas agora estamos focados no governo. Até o meio do ano de 2026, a prioridade é o governo, não é a eleição. A gente fez o uma fala, não é anúncio, através de perguntas que, inclusive, você [jornalista Elimar Côrtes] fez essa pergunta no dia da entrevista coletiva. A gente fez um anúncio provocado por você e pelos jornalistas para que a gente pudesse tirar dúvidas daquilo que a gente deseja no futuro. Mas, agora, o foco nosso é o processo administrativo para a gente poder continuar produzindo o resultado da população capixaba.

– O senhor falou em recursos públicos. Existe algum receio de o Estado voltar a ser controlado por grupos com pensamentos nada republicanos?

– Olha, existe sempre esse receio, porque nós conquistamos uma posição de destaque hoje no Brasil todo. O Espírito Santo é um Estado respeitado, é um Estado que os capixabas têm cada vez mais orgulho de morarmos aqui, de termos nascido aqui, de termos mudado para cá. Sempre temos a preocupação. A eleitora e o eleitor têm que ter, na hora de escolher, a preocupação de analisar o candidato, para que possamos continuar com governos que sejam governos republicanos e que tenham como objetivo final, a missão final, desejo final do governante, é fazer entrega para a sociedade que nós estamos representando.

– O senhor já disse que até março vai decidir se deixa o governo para ser candidato ao Senado, cargo que já ocupou entre 2007 e 2010. Caso o senhor decida ser candidato, quais seriam as suas principais bandeiras para o Senado?

– Eu não tenho ainda principais bandeiras, porque eu ainda não decidi se vou ser candidato ou não, tá certo? Mas o que sempre é importante é que a gente coloque, em qualquer ação que a gente tiver, seja no Governo do Estado, seja no Senado Federal, é colocar o Espírito Santo em primeiro lugar. Você vê que nós, aqui no Governo, foge dessas disputas ideológicas insanas e estéreis. As pessoas debatem por nada, debatem assuntos que não têm nenhuma relevância, as pessoas debatem ‘havaianas’, as pessoas debatem assuntos que não têm nenhuma importância, esquecem às vezes do resultado.

Assim, sempre onde eu estiver falando, seja no governo, seja no Senado como candidato, naturalmente, seja no governo até o final do governo, eu vou colocar sempre o Espírito Santo em primeiro lugar para a gente poder proteger o Estado do Espírito Santo.

– Como o senhor analisa o ano de 2025 para o Brasil e para o governo do presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT)?

– Olha, o ano de 2025 está terminando bem para o Governo Federal e para a população brasileira. O ano começou com notícias negativas, por exemplo, com um prenúncio de desemprego em alta, de inflação em alta, de dólar em alta. E o ano está terminando com o dólar em baixa, com o desemprego em baixa, com a inflação sob controle. O Governo Federal conseguiu administrar razoavelmente bem o tarifaço do presidente dos Estados Unidos, Donald Trump.

Na área econômica, para a população, os resultados são bons. O que o governo precisa é focar, efetivamente, em um plano de ajuste das contas públicas para que ele conquiste a confiança das pessoas e mostrar que o Brasil tem solução. Nós, aqui no Espírito Santo, temos gestão fiscal responsável, temos um Fundo Soberano, o único Estado do Brasil a ter um Fundo Soberano. Isso é uma garantia para o futuro, é uma certeza de que o presente está bem gerenciado e é uma garantia para o futuro. Temos que ter no Brasil também esse nível de comportamento para poder gerar confiança na população.

O governo do presidente Lula faz muito mais parceria com os Estados e municípios do que outros governos. A gente tem boas parcerias hoje. Nós estamos aqui conseguindo avançar com as rodovias, com as ferrovias. Então, isso tudo são pontos positivos porque depende muito da ação do Governo Federal, mas é importante que ele transmita essa confiança de que está buscando, de fato, o equilíbrio das contas públicas.

– O senhor acredita que as eleições presidenciais de 2026 tendem a ser, de novo, polarizadas?

– Eu acredito que sim, mas ela vai ser menos polarizada quando comparada com a eleição de 2022, porque, mesmo que tenhamos, por exemplo, o senador Flávio Bolsonaro (PL) disputando eleição, ele não é o Jair Bolsonaro, o pai. O Flávio Bolsonaro é uma pessoa com comportamento mais equilibrado e com conteúdo maior.

Então, isso pode também permitir que a gente possa fazer um debate conceitual programático, mais produtivo para a sociedade brasileira. A minha expectativa é que a gente saia um pouco da insanidade, do desequilíbrio, do debate estéril e a gente avance para um debate mais programático que é bom para a sociedade brasileira.

– Governador, para encerrar o senhor gostaria de deixar uma mensagem para o povo capixaba?

– Sim. Primeiro, de agradecimento a você, como jornalista, ao seu meio de comunicação, ao seu portal. E aproveitar esse meio de comunicação para agradecer à sociedade capixaba, porque, de fato, quando temos as famílias bem organizadas, elas nos ajudam a governar o Estado. Quando você tem um pai, uma mãe, um avô, uma avó, uma família qualquer que seja o nível de organização dela e de composição dela, mas com as pessoas responsáveis umas com as outras, dando atenção umas às outras, ajuda a gente a governar o Estado. Quando você acompanha o desempenho do seu filho e da sua filha na escola, quando você acompanha o resultado dos exames de saúde, da carteira de vacinação, tudo isso é uma colaboração para a gente governar o Estado do Espírito Santo.

Então muito obrigado a vocês que têm me ajudado a governar o Estado. Que a gente possa continuar nessa mesma caminhada com esses mesmos objetivos em 2026. Um abraço bom Natal e bom Ano Novo.