Milícias digitais vêm informando que a Polícia Federal teria sido autorizada pelo desembargador Pedro Valls Feu Rosa a realizar operação na cidade, localizada no Sul do Espírito Santo. Informação é totalmente falsa. Gabinete do magistrado “atribui a associação de seu nome ao fato de ser relator de um processo originário daquela localidade”, que foi a Operação Lee Oswald, em 2012.
Portais de notícias que integram uma rede de milícias digitais no Espírito Santo vêm noticiando, desde o dia 28 de outubro de 2026, que a Polícia Federal estaria se preparando para desencadear uma operação policial em Presidente Kennedy, município localizado no extremo Sul do Estado. Informam, inclusive, que a ordem para a operação já teria sido dada pelo desembargador Pedro Valls Feu Rosa, do Tribunal de Justiça do Estado.
A informação, no entanto, é totalmente falsa. Na tarde desta terça-feira (03/11), o Tribunal de Justiça negou a existência do fato. Em Nota encaminhada ao ‘site’ Blog do Elimar Côrtes, o TJES informa que o desembargador Pedro Valls Feu Rosa desconhece o evento mencionado [Inquérito que investiga supostos crimes de corrupção em Presidente Kennedy]. O Gabinete do desembargador “atribui a associação de seu nome ao fato de ser relator de um processo originário daquela localidade”. No final desta reportagem, informações sobre o outro caso ocorrido em Presidente Kennedy em que Pedro Valls foi o relator.
As informações falsas começaram a circular em Presidente Kennedy e região na semana passada. A fake news foi desmentida pelo Portal de Notícias Diário de S. Paulo. Em texto publicado no sábado (30/10), o jornal paulista aborda a origem de relatos envolvendo possíveis prisões de empresários, mandados de busca e apreensão e afastamentos de servidores públicos. Cita que os 'sites' mencionam a existência de medidas judiciais atribuídas ao desembargador Pedro Valls Feu Rosa, o que é mentira. As informações também apontariam para a possibilidade de uma operação de amplo alcance, supostamente relacionada a investigações envolvendo pessoas ligadas ao município.
Um dos ‘sites’ chegou a dar o seguinte título para sua “reportagem” mentirosa: Presidente Kennedy na mira da PF: apuração aponta nova operação com Feu Rosa na relatoria. Uma outra publicação, também de um ‘site’ que costuma atacar adversários políticos, informa, inclusive, nomes dos “investigados” pela Polícia Federal, e que seriam alvo da operação que o Tribunal de Justiça nega a existência.
Saiba Mais
No dia 19 de abril de 2012, a Polícia Federal deflagrou a Operação Lee Oswald em Presidente Kennedy. O alvo principal foi o então prefeito da cidade, Reginaldo dos Santos Quinta, à época apontado pela Polícia Federal como líder de uma organização criminosa. O grupo foi acusado de fraudes em licitações, superfaturamento de obras, desvio de verbas públicas (estimadas em cerca de R$ 50 milhões) e pagamentos indevidos em contratos de serviços e compras.
Ao todo, 28 pessoas foram presas no dia da operação (incluindo o prefeito, secretários municipais, o procurador do município, empresários e policiais militares). Foram cumpridos 79 mandados judiciais pela Polícia Federal, com apoio da Controladoria-Geral da União (CGU) e do Ministério Público Estadual. O desembargador Pedro Valls Feu Rosa foi o relator do Inquérito Policial referente à Lee Oswald. O processo tramita ainda no Tribunal de Justiça.
Nota do Editor:
Chega a ser surreal – para não dizer criminosa – a divulgação de uma operação policial que ainda vai acontecer. O jornalismo de verdade não antecipa esse tipo de informação, a não ser que queira alertar os criminosos. Neste caso, eles deixam de ser jornalistas e passam a ser comparsas das organizações criminosa – são bandidos iguais.
Mais criminosa ainda é que a tal operação divulgada com sensacionalismo, inclusive com nomes de supostos investigados – empresários renomados e autoridades políticas –, não existe. Os “jornalistas” cometeram crimes, como calúnia e difamação. E ainda deverão ser questionados judicialmente por usar o nome de um desembargador do Tribunal de Justiça, que, aliás, já presidiu a Corte.