Manifestação cita Gustavo Perin, dinheiro em espécie e documento com timbre da Prefeitura; órgão vê fortes indícios de possível fraude documental e à licitação. Parecer foi encaminhado à 10ª Vara Criminal da Capital capixaba. Apreensão de R$ 2 milhões em espécia pela Polícia Federal deu origem às investigações, hoje conduzidas pela Delegacia Especializada de Combate à Corrupção da Polícia Civil.
O Ministério Público do Estado do Espírito Santo aponta suspeitas de corrupção em investigação sobre contratos da Secretaria Municipal de Obras de Vitória, na gestão do então prefeito Lorenzo Pazolini (Republicanos), candidato ao governo do Estado nas eleições deste domingo (25/10). Em parecer de 10 de junho de 2026 encaminhado à Justiça, o órgão defendeu buscas, apreensões e acesso a dados para aprofundar uma apuração que abrange corrupção ativa e passiva, lavagem de dinheiro e fraudes em contratações públicas. As investigações estão sendo feitas pela Polícia Civil, onde Pazolini é delegado, e tramita na 10ª Vara Criminal de Vitória sob o número 5032680-08.2025.8.08.0024.
O documento registra que a notícia inicial atribuía ao secretário de Obras, Gustavo Perin, da gestão Pazolini e da atual prefeita, Cris Samorini (PP), suposto auxílio ao favorecimento de uma empresa contratada em licitações. A manifestação integra processo sigiloso consultado pela reportagem.
No eixo financeiro, o parecer do MPES reúne informações sobre saques elevados sem justificativa econômica aparente e registra a prisão em flagrante de um dos investigados com R$ 2 milhões em espécie, colocados em duas mochilas. Essa prisão foi feita pela Polícia Federal. O Ministério Público relaciona o uso de grandes quantias em dinheiro à dificuldade de rastrear pagamentos e a padrões encontrados em esquemas de corrupção.
O órgão também destaca atestados sem assinatura ou validação formal. Associados aos contratos sob investigação, esses documentos, segundo o parecer, revelam “fortes indícios da possível prática de delitos relacionados à fraude documental e à licitação”.
Página 4 do parecer do MP de 10/06/2026 — ID 99273904.
Outro ponto sensível é uma justificativa de aditivo vinculada à Secretaria de Obras, em formato editável e com timbre da Prefeitura de Vitória. O MP questiona sua origem, autoria e eventual utilização em processos administrativos ou contratuais.
Página 2 do parecer do MP de 10/06/2026 — ID 99273904.
A questão alcança os controles sobre a elaboração e a circulação de documentos usados para justificar alterações em contratos municipais. Quem produziu o arquivo? Quem teve acesso? Ele chegou a fundamentar algum aditivo? O parecer põe essas verificações no centro da apuração.
Ao avaliar os elementos reunidos, o Ministério Público afirma que as buscas são necessárias para comprovar autoria e materialidade das condutas. A manifestação pede diligências em endereços vinculados a empresários e empresas, acesso ao conteúdo digital apreendido e medidas de quebra de sigilo e interceptação de comunicações.
Em despacho de 14 de julho de 2026, a Justiça registrou que os pedidos policiais haviam sido atendidos em processo apenso, cuja cautelar já estava cumprida. Os resultados compartilhados ainda não haviam sido juntados à cópia consultada.
Para Pazolini, o parecer impõe uma cobrança política sobre a fiscalização de contratos e da própria equipe. Que controles verificavam a autenticidade dos atestados? Como eram examinados os aditivos? Quais providências administrativas foram adotadas diante das suspeitas?
No dia 9 de agosto de 2026, o Blog do Elimar Côrtes noticiou que a Delegacia Especializada de Combate à Corrupção (DECCOR) da Polícia Civil já estava prestes a concluir Inquérito Policial que apura suposto esquema de corrupção na Prefeitura de Vitória. Um dos depoimentos mais aguardados no procedimento foi dado em 7 de agosto justamente pelo secretário Municipal de Obras, Gustavo Perin de Medeiros Teixeira. Ele está no cargo desde 2021, quando se iniciou o primeiro mandato do então prefeito Lorenzo Pazolini (Republicanos). Reeleito em 2024, Pazolini manteve Perin no cargo. Pazolini renunciou ao mandato em abril de 2026 para se candidatar ao Governo do Estado. Sua vice, Cris Samorini (PP), manteve Gustavo Perin na titularidade da Pasta.
A gestão do ex-prefeito e agora candidato Pazolini precisa apresentar respostas documentadas. O parecer do MP coloca sob escrutínio os mecanismos que deveriam proteger as contratações públicas de favorecimentos e fraudes.