Candidato a governador disse na sabatina que o Governo do Estado deixou para o período do processo eleitoral a realização de concursos. Números oficiais, porém, desmentem as falas de Pazolini, que omitiu na entrevista que o único concurso para a Guarda Municipal em seus dois mandatos como prefeito de Vitória foi realizado menos de três meses antes da eleição de outubro de 2024, quando ele foi reeleito. Casagrande deu o recado: “Antes de inventar narrativa, conheça o Espírito Santo e respeite os fatos”.
O candidato a governador do Espírito Santo pelo Republicanos, o delegado Lorenzo Pazolini, mentiu ao declarar que o Governo do Estado deixou para realizar concurso públicos somente durante o atual processo eleitoral. Ex-prefeito de Vitória, Pazolini deu a declaração ao programa ‘Boa Noite Espírito Santo’, da TV Gazeta, na quinta-feira (15/10), durante sabatina. O candidato, no entanto, omitiu que em seus dois mandatos à frente do Executivo Municipal da Capital realizou somente um concurso para a Guarda Municipal: foi justamente em 2024, quando ele foi reeleito.
Nas redes sociais, Pazolini foi desmentido com veemência por milhares de pessoas. Uma das vozes mais contundente ao desmentir o candidato é a do ex-governador e senador eleito Renato Casagrande (PSB), que governou o Estado por três mandatos (2011/2014; 2019/2022; e de janeiro de 2023 a abril de 2026, quando deixou o cargo para se candidatar o ao Senado. Pazolini disputa o segundo turno contra o governador Ricardo Ferraço (MDB), que disputa a reeleição.
Ressalte-se que, entre 2015 e final de 2018, o então governador Paulo Hartung não fez nenhum concurso para as forças policiais. Hartung é um dos articuladores da campanha de Pazolini ao Palácio Anchieta:
“Mentira tem perna curta. O adversário de Ricardo Ferraço disse que só fizemos concurso público no último ano de governo. Isso é falso. É mentira. Quem mente para ganhar o seu voto, o que fará mais se for eleito. Temos que lutar contra a mentira e o desequilíbrio”, disse Casagrande.
O senador eleito afirmou mais: “Desde o início de nosso Governo, o Espírito Santo ofereceu mais de 10 mil vagas em concurso público. Desde 2019, quando retornei ao Governo, tivemos concursos para Polícia Militar, Polícia Civil, Corpo de Bombeiros, para a educação e para o Idaf [Instituto de Defesa Agropecuária e Florestal]. Em 2023, para a Polícia Penal, Iases (Instituto de Atendimento Socioeducativo) e DER [Departamento de Edificações e de Rodovias do Estado do Espírito Santo]. Em 2024, para a Arsp [Agência de Regulação de Serviços Públicos]. Somente até 2024, foram mais de 5 mil vagas e tudo isso antes do nosso último ano de Governo”.
Renato Casagrande ainda mandou um recado para Pazolini, a quem chamou de novo de “mentirosos”: “Isso não é opinião. É fato. Os editais estão publicados, com datas e números. Antes de inventar narrativa, conheça o Espírito Santo e respeite os fatos”, ponderou o ex-governador capixaba.
Durante a entrevista em que fez a declaração enganosa, o ex-prefeito de Vitória não comentou que o único concurso que realizou para a Guarda Municipal enquanto prefeito foi feito em agosto de 2024. Ou seja, realizado menos de três meses antes de disputar a reeleição. Foi um certame para contra 100 agentes.
No campo da segurança pública, Pazolini apontou “gargalos estruturais” no efetivo das forças policiais do Estado. Segundo o candidato, a Polícia Militar enfrenta um déficit de mais de 2 mil homens, enquanto a Polícia Civil opera com praticamente a metade de seu efetivo ideal. Ele criticou a abertura de concursos no período pré-eleitoral e prometeu realizar certames e nomeações com cronograma organizado.
O candidato, mais uma vez, está enganado: por desinformação ou de propósito. Em 2025, o Governo Casagrande abriu concurso para contratar 1.052 profissionais para o cargo recém-criado, que é o de Oficial Investigador de Polícia – que juntou, por força de Lei Federal que aprovou o novo Estatuto das Polícias Civis, os cargos de Investigador, Escrivão e Agentes de Polícia.
Os 1.052 foram divididos em duas turmas. A primeira já está no Curso de Formação realizado pela Academia de Polícia Civil (Acadepol). O curso dura três meses e esta será a primeira turma do Brasil formada após a promulgação do novo Estatuto das Polícias Civis. Quando o curso for encerrado, os mais de 500 policiais já estarão trabalhando.
Uma outra turma fará o curso logo em seguida, num espaço que a Polícia Civil alugou na Faculdades Salesianas, em Vitória. Acredita-se que, até junho de 2027, todos os 1.052 novos profissionais já estarão atuando na Corporação.
E mais: tão logo assumiu o cargo em janeiro de 2019, Renato Casagrande abriu concurso para a Polícia Civil. Inicialmente, com 173 vagas imediatas. No entanto, em outubro de 2020, Casagrande ampliou significativamente esse quantitativo, elevando o total para 448 vagas para convocar mais aprovados. A distribuição final das vagas ficou assim: Investigador: 150 vagas; Escrivão de Polícia: 130 vagas; Perito Oficial Criminal: 76 vagas; Auxiliar de Perícia Médico-Legal: 50 vagas; Médico Legista: 30 vagas; Psicólogo: 6 vagas; e Assistente Social: 6 vagas.