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Política

Responsável pela maior crise da segurança pública capixaba, Hartung começa a mandar na equipe de Pazolini

Elimar Cortes 07 de Outubro de 2026 4 min de leitura
Responsável pela maior crise da segurança pública capixaba, Hartung começa a mandar na equipe de Pazolini

Responsável pela maior crise já enfrentada pela segurança pública do Espírito Santo, em 2017 – quando era governador do Estado –, Paulo Hartung (PSD) começa a indicar que será ele quem, de fato, vai mandar numa eventual equipe de transição do candidato ao Governo do Estado, o delegado de Polícia Lorenzo Pazolini (Republicanos), caso o candidato seja eleito neste segundo turno das eleições, na disputa contra o governador Ricardo Ferraço (MDB), que busca à reeleição. Padrinho político de Pazolini, Hartung, na verdade, já começa a mandar na equipe de campanha.

Hartung governou o Estado por três vezes: 2003/2006; 2007/2010; e 2015/2018. Nos três momentos, a segurança pública sempre foi tratada com certo descaso por ele e por parte de seus gestores na área. Em 2017, quando estava no terceiro ano do terceiro mandato, Paulo Hartung conseguiu se superar: graças à falta de diálogo com as forças policiais, ele acabou provocando a paralisação da Polícia Militar e por pouco os policiais civis também não entraram em greve.

No dia 3 de fevereiro de 2017, um grupo de familiares – esposas, mães e filhos – de PMs ocuparam, inicialmente, a sede da 14ª Companhia Independente da Polícia Militar, no bairro Feu Rosa, na Serra. O movimento se deu por conta dos baixos salários pagos aos profissionais da segurança pública, que só foram melhorar a partir de janeiro de 2019, com a volta do governador Renato Casagrande (PSB) ao Comando do Executivo Estadual.

Diante da inércia do Governo do Estado em ouvir suas reivindicações, demais familiares ocuparam as entradas de quartéis em todo o Estado. A partir desse dia 4 de fevereiro de 2017 o que se viu uma pandemia de violência no Estado, que durou 22 dias: foram registrados 219 assassinatos, saques a comércio, assaltos em plena luz do dia.

O movimento se encerrou em 25 de fevereiro, quando familiares de PMs desocuparam os portões dos Batalhões e quartéis de diversas cidades capixabas. O agora candidato a governador Lorenzo Pazolini acompanhou toda a crise do governo Hartung na área da segurança, mas não aprendeu nada. Na terça-feira (06/10), o presidente do Diretório Estadual do PSD e prefeito de Colatina, Renzo Vasconcelos, declarou, por ordem de Hartung, apoio a Pazolini na disputa pelo governo do Espírito Santo. No primeiro turno, o PSD ficou neutro, não apoiou ninguém. No entanto, Hartung fez campanha para Pazolini, ex-prefeito de Vitória.

Durante boa parte da campanha estadual no primeiro turno, Hartung permaneceu distante do primeiro plano. Embora já tivesse manifestado simpatia política por Pazolini antes do período eleitoral, sua presença pública na campanha ao Palácio Anchieta foi discreta. Em setembro, já na reta final do primeiro turno, o ex-governador confirmou que votaria em Pazolini, alegando necessidade de mudança.

Esse contraste acrescenta um novo componente aos bastidores da disputa. Se durante a campanha Hartung permaneceu longe dos holofotes da candidatura, agora seu nome aparece associado a uma função estratégica na preparação de um eventual governo. Segundo as articulações em curso, o ex-governador já teria alinhado algumas frentes e discutido nomes para integrar o grupo responsável pela transição.

A escolha também recoloca Hartung no centro das atenções em um momento decisivo. Sua eventual presença no comando da transição, portanto, tende a revelar com maior clareza o espaço que poderá ocupar na construção política e administrativa de um eventual governo Pazolini.

Na verdade, a amizade entre Paulo Hartung e Pazolini começou em 2008, durante o segundo mandato de PH no Executivo Estadual. Na época, Pazolini, recém-chegado à Polícia Civil, era delegado plantonista da 13ª Delegacia Regional (Aracruz). Lá, o delegado conheceu o agora presidente do Diretório Regional do Republicanos, o ex-deputado estadual Erick Musso, que disputou a eleição deste ano para deputado federal e saiu derrotado: obteve 53.726 votos e é suplente.

Na ocasião, o jovem Erick, de uma família tradicional de políticos de Aracruz, já era também amigo do então governador Paulo Hartung. E, graças a essa amizade, Pazolini foi transferido para atuar na Corregedoria Geral de Polícia Civil em 2010, mesmo com pouca experiência na profissão. A partir daí, Hartung se constituiu num dos padrinhos políticos do delegado Lorenzo Pazolini.

Por isso, o que se vê agora é que, o personagem – Hartung – que permaneceu relativamente fora da vitrine eleitoral,  poderá ocupar justamente uma das posições mais sensíveis do período pós-eleição: a coordenação da passagem de governo. A composição definitiva da equipe dependerá do resultado do segundo turno, marcado para 25 de outubro.

Até lá, as articulações permanecem no campo preparatório. Mas a possível entrada de Hartung no comando da transição já acrescenta um novo rumo na campanha de Pazolini.

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