O senador Flávio Bolsonaro (PL), candidato à Presidência da República, esteve em Goiânia, na terça-feira (06/10), onde recebeu apoio de Ronaldo Caiado (PSD) e do governador eleito de Goiás, Daniel Vilela (MDB), no segundo turno das eleições de 2026. Durante o evento, Flávio Bolsonaro falou que quer "mudar a Constituição [Federal]", mas não disse o que pretende alterar. Ele discursou logo após o anúncio de apoio e disse que pretende usar a maioria dos parlamentares na Câmara e no Senado para eleger um aliado na presidência da Câmara e então mudar a Constituição Federal.
"O Brasil já me deu um Congresso muito mais à direita do que ele já é hoje. Com maioria no Senado para fazer o presidente do Senado, com maioria na Câmara para fazer o presidente da Câmara, para a gente mudar a Constituição, para a gente redemocratizar esse país, para as instituições voltarem a respeitar a Constituição", disse Flávio Bolsonaro.
O alarme causado por essa declaração de Flávio fez com que aliados do candidato do PL se apressassem a procurar interlocutores para dizer que ele não pretende implementar nenhuma iniciativa golpista, mas referia-se a medidas já previstas no seu plano de governo, como a reforma do Judiciário, a redução da maioridade penal e o fim da reeleição.
A declaração de Flávio gerou no sistema político o temor de que o filho do ex-presidente Jair Bolsonaro (PL) esteja planejando medidas autoritárias que levem a uma nova tentativa de golpe de Estado como ocorreu em 2022, ou que minem o regime democrático e as instituições. O pai de Flávio foi condenado pelo Supremo Tribunal Federal a 27 anos e três meses de prisão por planejar um golpe para se manter no poder.
Flávio Bolsonaro também citou medidas na área de segurança pública, como a redução da maioridade penal, e falou que “vai arregaçar com vagabundo". Uma Proposta de Emenda à Constituição (PEC) que reduz de 18 para 16 anos a maioridade penal foi aprovada em junho deste ano pela Comissão de Constituição e Justiça (CCJ) da Câmara, com o apoio do PL, mas ainda aguarda para ser votada pelo plenário da Casa.
A onda conservadora destas eleições garantiu ao PL, partido de Flávio, a maior bancada, tanto na Câmara (com 121 parlamentares) quanto no Senado, com 28 senadores, quase o dobro dos atuais 15 integrantes. O avanço do PL nas duas Casas não só favorece os planos do senador de construir uma base sólida de apoio em uma eventual administração, como torna menos difícil a aprovação de PECs.
‘Constituição Cidadã’
Promulgada em 1988, a Constituição Federal tem cláusulas pétreas, que só podem ser modificadas para ampliar direitos, nunca para restringir. No entanto, é possível fazer mudanças na Constituição Federal do Brasil por meio de Propostas de Emenda à Constituição (PEC), mas elas precisam de maioria na Câmara e no Senado.
Já uma nova Constituição só é possível através de uma Assembleia Nacional Constituinte. Veja como funciona na prática:
Mas existem limites para as mudanças:
Votos e apoio
Durante coletiva de imprensa após a vitória de Daniel, no domingo (04/10), Ronaldo Caiado chegou a afirmar que o apoio para o segundo turno seria discutido com o presidente do partido que integra atualmente, Gilberto Kassab, do PSD.
Após o final das conferências das urnas eletrônicas, Flávio Bolsonaro teve 47,03% (56,1 milhões de votos), contra 45,16% (53,8 milhões de votos) do atual Presidente e candidato a reeleição, Luiz Inácio Lula da Silva (PT). Caiado ficou na quinta posição entre os candidatos à Presidência, com 2,18% (2,6 milhões de votos).
Os votos válidos conquistados por Caiado no primeiro turno são maiores que a diferença do número de eleitores entre Flávio e Lula, que foi de apenas 2,3 milhões.
(Arte: Cláudio Hebdô/Folha SP)