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Política

O fim de um ‘político’ que interpreta diversos personagens e adora atacar as mulheres

Por: Elimar Côrtes

Elimar Cortes 12 de Setembro de 2026 5 min de leitura
O fim de um ‘político’ que interpreta diversos personagens e adora atacar as mulheres

Certa vez, conversando sobre o comportamento do deputado federal Gilvan Aguiar Costa, conhecido como Gilvan da Federal (PL), com um agente da Polícia Federal, fui surpreendido com a afirmativa: “Aquele Gilvan que assistimos na Câmara dos Deputados é mais um personagem do agente federal Gilvan. Aqui na Superintendência, trabalhando diariamente, ele era uma pessoa amável e respeitador. Mas quando vestia a camisa – leia-se a Bandeira Nacional sobre o corpo – do político, era outra totalmente diferente”.

O colega de profissão de Gilvan, igualmente lotado na Superintendência Regional da Polícia Federal no Espírito Santo, localizada em Vila Velha, tem razão. O agente federal Gilvan sempre foi um sujeito educado, polido, gentil com seus colegas de profissão e com as pessoas por ele investigadas. Aquele Gilvan respeitava, inclusive, as mulheres.

O político Gilvan, no entanto, se transforma num sujeito que passa o dia insultando adversários, sobretudo, às mulheres; agride verbalmente as pessoas – sobretudo, repita-se, as mulheres. Ele passou seus quatro mandatos de vereador em Vitória agindo dessa forma: raramente apresentava Projetos de Leis ou outras propostas que pudessem melhorar a vida dos moradores da Capital capixaba.

O Gilvan, em negociações com lideranças políticas, chega ser igual a um lorde, de tão educado e polido que é com os colegas que pensam como ele: senta na mesa de modo cordial, ouve o que as demais lideranças têm a dizer e aceita divergências. Conseguiu, assim, “passar no papo” até o presidente do Diretório do Partido Liberal no Espírito Santo, o senador Magno Malta, que, por pressão de Gilvan, aceitou levar o PL para os braços do candidato ao Governo do Estado Lorenzo Pazolini (Republicanos), ex-prefeito de Vitória.

Na Câmara de Municipal de Vitória, o vereador Gilvan atacava, de preferência, suas colegas Camila Valadão (Psol) – hoje, deputada estadual – e Karla Coser (PT). Destilava sua fúria contra as mulheres, de modo em geral, xingando as duas vereadoras. Isso sem contar nos ataques de fúria que ele dirigia às mulheres que iam assistir as sessões.

Uma das primeiras mulheres vítimas de Gilvan foi a então coordenadora do Movimento Conservador Espírito Santo, Alexandra da Silva, que o ajudou a ser eleito vereador em 2020. Fez uma campanha dura para o policial federal. No início do mandato, Alexandra foi trabalhar no Gabinete de Gilvan. No entanto, ficou por pouco tempo: logo Gilvan, mais uma vez, demonstrando ingratidão, exonerou a moça.

Gilvan da Federal levou o comportamento de ódio para Brasília, sujando, assim, o nome do nosso Estado. Em sessão da Câmara dos Deputados em 29 de abril de 2025, ele atacou outra mulher: chamou a ex-ministra Gleisi Hoffmann de "prostituta do caramba" e "amante", durante uma audiência na Comissão de Segurança Pública. Por isso, em 6 de maio do mesmo, o Conselho de Ética e Decoro Parlamentar da Câmara aprovou a suspensão cautelar de três meses do mandato do deputado por 15 votos a favor e 4 contrários. Durante esse período, ele perdeu o salário, gabinete e assessores.

O deputado federal Gilvan fez muita besteira. Encerra seu mandato de forma melancólica – e, consequentemente, sua trajetória política – como um sujeito arrogante, presunçoso, que demonstra desprezo com o mandato e desrespeita os eleitores capixabas.

Na sexta-feira (11/09), o Plenário do Tribunal Regional Eleitoral do Espírito Santo (TRE) barrou, à unanimidade, a candidatura à reeleição do deputado Gilvan nessas eleições. Ele foi considerado inelegível após condenação por violência política de gênero. A vítima foi a vereadora Camila Valadão.

Na sessão da Câmara de Vitória em 1º de dezembro de 2021, Gilvan, que na época também era vereador, mandou a vereadora "calar a boca", provocando uma discussão e levou ao encerramento antecipado da sessão. Com isso, Camila não conseguiu apresentar as reivindicações de professores que pretendia levar ao Plenário. Após o encerramento dos trabalhos, Gilvan teria perseguido a vereadora pelas dependências da Câmara. Ele só não conseguiu alcançá-la porque foi contido por um servidor e outros parlamentares.

Após a condenação na 52ª Zona Eleitoral de Vitória, em março de 2024, o TRE manteve a sentença intacta. No entanto, Gilvan entrou com um recurso no TSE e aguarda o julgamento na instância superior. O deputado também pediu uma liminar para que pudesse participar da convenção partidária, da pré-campanha e registrar candidatura nas eleições de 2026. A liminar foi concedida pelo presidente do TSE, ministro Nunes Marques, em julho de 20-26. Todavia, no dia 26 de agosto o ministro Ricardo Villas Bôas Cueva, do TSE, revogou a medida que permitia a participação de Gilvan no pleito.

Agora, com o fim de sua curta, porém medíocre, carreira política, Gilvan da Federal vai voltar a ser o personagem  Gilvan Aguiar Costa. Que volte a ocupar seu cargo como agente federal e sossegue o facho. E que, sobretudo, respeite às mulheres da Polícia Federal.

PL se livra de Gilvan, que joga a toalha e desiste da candidatura

O deputado federal Gilvan da Federal não é mais candidato à reeleição. Após o Tribunal Regional Eleitoral do Espírito Santo (TRE-ES) ter indeferido, à unanimidade, o registro de candidatura do deputado, o Partido Liberal selou a retirada de Gilvan da chapa federal. A decisão foi tomada em âmbito nacional. De acordo com uma nota divulgada pelo PL capixaba, Gilvan teria feito o pedido de renúncia da candidatura direto à Comissão Executiva Nacional.

“Em que pese o fato de que, eventual condenação do deputado Gilvan Aguiar Costa não transitou em julgado, o que por consequência permitiria sua participação nas eleições de outubro vindouro, o mesmo optou por retirar sua candidatura”, diz nota assinada pelo presidente Nacional do partido, Valdemar Costa Neto, e endereçada ao presidente do PL capixaba, senador Magno Malta.

Na nota divulgada pelo PL, o presidente nacional também cita quem será o substituto de Gilvan na chapa federal. Segundo ele, o deputado indicou o vereador de Viana Lucas Casagrande (PL). Aos 39 anos, Lucas está em seu primeiro mandato, tendo sido eleito em 2024 com 1.251 votos.

 

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