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JUSTIÇA ELEITORAL VAI INVESTIGAR SUSPEITA DE FRAUDE: Especialista aponta irregularidades em pesquisa da AtlasIntel para beneficiar Pazolini

A manobra do instituto tem o objetivo de prejudicar o governador e candidato à reeleição Ricardo Ferraço (na foto ao lado de Renato Casagrande). Entre os vícios apontados pela estatística Janine Pereira Jacinto, estão ‘Omissão da Estratificação no Plano Amostral, ‘Divergência entre o tamanho da amos

Elimar Cortes 04 de Setembro de 2026 5 min de leitura
JUSTIÇA ELEITORAL VAI INVESTIGAR SUSPEITA DE FRAUDE: Especialista aponta irregularidades em pesquisa da AtlasIntel para beneficiar Pazolini

Relatório Técnico-Estatístico de Contestação Metodológico, produzido pela estatística Janine Pereira Jacinto, aponta uma série de irregularidades na pesquisa AtlasIntel divulgada na quinta-feira (03/09) e que colocou o delegado de Polícia Lorenzo Pazolini (Republicanos) na liderança pela disputa ao Governo do Estado. São irregularidades com indícios de fraudes, que começam a ser analisadas pela Justiça Eleitoral. Diferentemente de outras pesquisas feitas por institutos de maior credibilidade em todo o País, AtlasIntel coloca Pazolini com 41% das intenções de voto no primeiro. O governador e candidato à reeleição Ricardo Ferraço (MDB), que lidera pesquisas nos demais institutos sérios, aparece na segunda colocação pela AtlasIntel, com 28,7%, enquanto o deputado federal Helder Salomão (PT) registra 18,4%.

A profissional Janine Pereira é registrada no Conselho Regional de Estatística sob o número 8154-A. Ela explica que o relatório apresenta a Análise Técnica Estatística de Rebatimento referente à pesquisa quantitativa de intenção de voto realizada pelo AtlasIntel, que, na verdade, é uma empresa de tecnologia de dados e não genuinamente de pesquisas eleitorais. O levantamento da Atlas foi registrado no Tribunal Superior Eleitoral sob o número ES00206/2026. O trabalho de campo foi executado entre os dias 26 e 31 de agosto de 2026, abrangendo uma amostra declarada de 1.194 eleitores distribuídos em 74 municípios. A pesquisa AtlasIntel é na verdade uma enquete, feita por meio das redes sociais. Ou seja, não há pesquisadores em campo.

Janine Pereira ressalta que a Resolução TSE nº 23.600/2019 (com as alterações da Resolução TSE nº 23.747/2026) estabelece diretrizes para a validade de pesquisas de opinião pública relativas aos pleitos eleitorais. Exige-se clareza e precisão na especificação do plano amostral, definição de ponderações (sexo, idade, grau de instrução, nível econômico e área geográfica), delimitação do campo, indicação de fontes públicas e detalhamento dos sistemas de verificação e controle de qualidade. A população-alvo compreende o eleitorado apto de 16 anos ou mais do Estado do Espírito Santo. Contudo, a análise do registro da pesquisa eleitoral ES-00206/2026 junto ao Tribunal Superior Eleitoral (TSE) e da respectiva planilha de campo consolidada por municípios revela omissões formais e defeitos estruturais no desenho amostral.

Em seguida, a estatística apresenta “os seguintes vícios” na pesquisa AtlasIntel:

Omissão da Estratificação no Plano Amostral:

O instituto de pesquisa não detalhou no plano amostral a estratificação geográfica, quotas regionais, critérios de divisão municipal/microrregional ou indicação da fonte pública utilizada para o dimensionamento territorial da amostra no Estado do Espírito Santo.

Incoerência Metodológica: A descrição do item “Plano amostral e ponderação quanto a sexo, idade, grau de instrução e nível econômico do entrevistado; intervalo de confiança e margem de erro” se restringiu apenas em delinear o plano amostral e a pós-estratificação estritamente sob as variáveis demográficas e socioeconômicas. A Resolução TSE nº 23.600/2019, no art. 2º torna obrigatório que a entidade responsável pelo registro da pesquisa detalhe o plano amostral, informando expressamente os critérios de ponderação quanto ao sexo, idade, grau de instrução, nível econômico e a distribuição geográfica/estratificação territorial da amostra.

Divergência entre o tamanho da amostra e o número de entrevistas realizadas:

Existe uma divergência numérica direta e injustificada entre o quantitativo amostral informado pelo instituto no registro da pesquisa no TSE (1.200 entrevistados) e o número de entrevistas realizadas constante no relatório de bairros/municípios (1.194 entrevistados).

Incoerência Metodológica: No registro da pesquisa do TSE, a empresa declarou que entrevistaria exatamente 1.200 pessoas para compor a amostra do estado. No entanto, o relatório oficial de campo atingiu o total de apenas 1.194 entrevistas. Trata-se de um descumprimento formal do plano amostral submetido à Justiça Eleitoral. A perda de seis questionários sem substituição altera os parâmetros teóricos e demonstra falha de controle no trabalho de campo e na consolidação dos dados.

Como o tamanho real da amostra caiu para 1.194 entrevistas, o instituto adotou para a pesquisa uma margem de erro teórica original sem ter reprocessado o cálculo da variância para o volume efetivo de dados coletados. Ou seja, a pesquisa apresenta uma precisão estatística irreal. Esta incoerência impacta o nível de confiança de 95%. A redução não compensada da amostra, associada ao surgimento do Efeito de Delineamento Amostral (DEFF), eleva a variabilidade real e reduz o nível de confiança efetivo para patamares inferiores aos 95% divulgados, violando a Resolução TSE nº 23.600/2019 e comprometendo a integridade estatística da pesquisa

Representatividade dos Municípios:

A análise da distribuição territorial da pesquisa revela uma inversão da hierarquia populacional do eleitorado capixaba. O município de Vitória – onde Pazolini foi prefeito até abril deste ano –  concentrou ao maior percentual de entrevistas, superando o munícipio da Serra, maior colégio eleitoral do estado do Espírito Santo. Além disso, a Região Metropolitana concentra 62,9% das entrevistas.

A pesquisa ouviu 244 pessoas em Vitória, o que representa 20,43% de toda a amostra, enquanto na Serra, foram registradas apenas 147 entrevistas (12,31%). Ao conceder quase 100 questionários a mais para Vitória do que para o município mais populoso do Estado, a pesquisa inverte a proporção real do eleitorado e confere um peso excessivo às opiniões de Vitória.

Em contrapartida, dezenas de municípios do interior contaram com apenas 1, 2 ou 3 entrevistados, gerando amostras sem qualquer validade estatística local. Essa distorção compromete o desenho amostral estabelecido para a pesquisa. Ao aplicar a pós-estratificação exclusivamente sobre sexo, idade, escolaridade e renda, deixando a variável geográfica fora do modelo, o instituto assume premissa equivocada: a de que um eleitor com determinado perfil socioeconômico na Capital possui a mesma propensão de voto que um eleitor equivalente no interior do Estado. Ignorar a localização territorial anula a neutralidade do estudo e descumpre o Art. 2º, IV, da Resolução TSE nº 23.600/2019.

Nota do Editor:

Na última segunda-feira (31/08), o editor deste ‘site’, o jornalista Elimar Côrtes, se deparou com um questionário do AtlasIntel no Instagram. Viu que se tratava de uma suposta pesquisa (ou enquete) referente ao Governo do Espírito Santo. Este jornalista começou a responder até o final do questionário. Depois, apertou o botão de ‘enviar’. No entanto, uma outra janela se abriu, com AtlasIntel informando que o entrevistado havia deixado de responder a duas perguntas obrigatórias. Este jornalista ficou meia hora relendo o questionário e não encontrou nenhuma pergunta sem resposta. Apertou de novo o ‘enviar’ e, mais uma vez, a observação sobre “perguntas obrigatórias sem reposta”. E nada mais foi feito.

 

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