Nicole é casada com Evandro Figueiredo, que já foi indiciado pela Federal por falsidade ideológica eleitoral e é investigado pela Polícia Civil por ‘rachadinha’. Ela é investigada pelo Ministério Público Estadual. Inquérito Civil tramita na Promotoria de Justiça Cível de Vitória. Nicole foi denuncia
O Ministério Público Estadual transformou o Procedimento Preparatório n.º 2023.0010.4359-35 em Inquérito Civil para se aprofundar nas investigações que visam apurar a conduta de Nicole Boldrine Moreira Figueiredo, que, para escapar de uma investigação pela acusação de ocupar cargo ‘fantasma’ na Assembleia Legislativa do Espírito Santo (Ales), pediu exoneração e foi imediatamente contratada pela Prefeitura de Vitória. Nicole é esposa de Evandro Figueiredo Boldrine, cabo eleitoral do candidato a governador, o ex-prefeito de Vitória Lorenzo Pazolini (Republicanos). Evandro foi subsecretário de Relações Institucionais da Secretaria Municipal de Governo e presidente da Companhia de Desenvolvimento, Turismo e Inovação de Vitória (CDTIV), durante a gestão de Pazolini como prefeito da Capital capixaba.
O Inquérito Civil n.º 2023.0010.4359-35 está sendo conduzido pelo promotor de Justiça Pedro Ivo de Sousa, da 13ª Promotoria de Justiça Cível de Vitória. O procedimento investigatório apura os fatos relativos à então servidora pública comissionada Nicole Boldrine Figueiredo, enquanto Assessora Júnior da Secretaria da Ales, lotada no setor de Supervisão da Comissão de Licitação, “no que toca ao cumprimento da carga horária de trabalho exigida”.
Servidores da própria Ales levaram a denúncia ao Ministério Público, informando que Nicole, embora fosse lotada na Supervisão da Comissão de Licitação, não comparecia à Casa para trabalhar. Quando descobriu a investigação, Nicole saiu da Casa legislativa e foi para a Prefeitura, no mesmo período em que Pazolini era prefeito.
No Procedimento Preparatório, o promotor de Justiça Pedro Ivo apurou que Nicole Boldrine Figueiredo, “a fim de supostamente furtar-se de eventual investigação”, passou a ocupar o cargo em comissão de Assessor Sênior na Prefeitura de Vitória, com lotação na Secretaria Municipal de Governo, “o que foi corroborado através das informações retiradas do Portal da Transparência do Município”.
Ainda de acordo com o despacho do promotor de Justiça Pedro Ivo, após análise do comprovante de pagamento referente ao mês de julho de 2023, “determinei que fosse oficiado o Município de Vitória, através de sua Procuradoria-geral (Email: pgm.gab@vitoria.es.gov.br), para que esclarecesse ao Ministério Público Estadual as informações insertas (inseridas) no contracheque da servidora pública Nicole Boldrine Moreira Figueiredo (Matrícula 636535), tendo em vista que, além do vencimento padrão do cargo comissionado de Assessor Sênior no valor de R$ 6.065,41, consta o montante de R$ 4.043,60 como rendimentos do cargo em comissão, importando numa remuneração líquida total de R$ 8.128,19”.
O Ministério Público também mandou ofício para Nicole Boldrine Figueiredo, em seu e-mail e em seu endereço, em Jardim Camburi, “esclarecendo, em especial, sobre o cumprimento da carga horária dos dias 17, 23, 24 e 27 de fevereiro de 2023, através de banco de horas, conforme consta do Registro de Frequência do mês de fevereiro de 2023 e, ainda, sobre a existência de saldo de horas negativas de 28h13m, lançado em 05/06/2023, segundo consta da Lista de Observações/Atos do Funcionário. No mais, para que, em igual prazo, esclareça se algum desconto foi procedido quando de sua rescisão, encaminhando cópia dos documentos comprobatórios.”
Nicole continua com vínculo em cargo comissionado na Prefeitura de Vitória, mesmo na gestão da prefeita Cris Samorini. Permanece no cargo de Assessora Sênior, na Secretaria Municipal de Governo com salário bruto de R$ ’12.493,18 mensais.
Marido foi indiciado pela Federal por falsidade ideológica eleitoral e é investigado pela Polícia Civil pela acusação de ‘rachadinha’ na Câmara de Vitória
Por sua vez, Evandro Figueiredo, esposo de Nicole, foi indiciado pela Polícia Federal pela acusação de cometer crime de falsidade ideológica eleitoral. O relatório final do inquérito apontou desvio sistemático de salários de servidoras comissionadas da Câmara Municipal de Vitória para custear despesas de campanha sem registro oficial.
O relatório da Polícia Federal também cita a atuação da Polícia Civil, que conduz uma investigação paralela (Inquérito Policial nº 008/2025), por meio da Delegacia de Combate à Corrupção (Deccor). No âmbito federal, a apuração se limitou ao crime de falsidade ideológica eleitoral. Já as suspeitas de “rachadinha” — como a devolução de parte dos salários, que pode configurar peculato, concussão ou corrupção passiva — não foram investigadas pela PF, por não serem de sua atribuição. Esses fatos estão sob responsabilidade da Polícia Civil e do Ministério Público Estadual.