Os bons resultados alcançados pelo Estado, graças às políticas do Governo capixaba e às parcerias com setor privado, academia e sociedade civil, não são um ponto de chegada. São parte das condições que o Estado vem construindo para enfrentar o futuro. Um dos passos mais recente foi o Plano de Desenv
Nos últimos anos, o Espírito Santo consolidou uma posição de destaque nacional em diferentes dimensões: capacidade de investimento público, equilíbrio fiscal, resultados na educação básica, redução de homicídios, atração de investimentos e qualidade da gestão. Seria um erro, porém, interpretar esse desempenho como sinal de acomodação. Ao contrário, uma das principais características da trajetória capixaba tem sido justamente utilizar as conquistas do presente para ampliar sua capacidade de enfrentar os desafios seguintes.
Essa postura está presente há mais de quatro décadas nas iniciativas de planejamento de longo prazo realizadas no Estado. Em diferentes momentos, o Espírito Santo reuniu poder público, setor privado, academia e sociedade civil para analisar suas condições econômicas e sociais, identificar riscos e oportunidades e construir uma visão compartilhada de desenvolvimento. Mais do que projetar cenários, consolidou-se uma cultura institucional de preparação para o futuro.
O passo mais recente dessa trajetória foi o Plano de Desenvolvimento de Longo Prazo Espírito Santo 500 Anos, instituído em 2025 e orientado para 2035. Sua importância está justamente em olhar para uma década que deve ser marcada por mudanças estruturais, entre elas a implementação da reforma tributária, a transição energética, os efeitos das mudanças climáticas, a transformação tecnológica e a inteligência artificial, além das alterações demográficas e da reorganização das cadeias globais de produção e comércio.
O ‘ES 500 Anos’ também representa um avanço institucional. Ao transformar o planejamento de longo prazo em política de Estado, respaldada por lei e por uma estrutura permanente de governança, o Espírito Santo criou condições para que suas prioridades estratégicas ultrapassem ciclos eleitorais. O planejamento deixa de ser apenas um documento e passa a funcionar, por meio de sua estrutura de governança, como instrumento vivo e contínuo de acompanhamento, coordenação e adaptação.
Essa preparação para o futuro não ocorre apenas no campo das ideias. Ela está alinhada a uma ampla carteira de investimentos anunciados até 2029, que totaliza R$ 137,6 bilhões distribuídos em 1.290 projetos nos 78 municípios, o maior volume já registrado desde o início da série histórica, em 2000, segundo o Instituto Jones dos Santos Neves (IJSN).
Nesse contexto, destacam-se também investimentos capazes de promover mudanças qualitativas na estrutura produtiva capixaba, como a implantação da fábrica de automóveis da China, a GWM, em Aracruz, e o investimento da ArcelorMittal para instalação do Laminador de Tiras a Frio, que permitirá ampliar a produção de aços de maior valor agregado no próprio Estado, atendendo mercados como os setores automotivo, de eletrodomésticos e da construção civil e contribuindo para maior verticalização e diversificação da indústria capixaba. São investimentos que, mais do que ampliar a capacidade produtiva existente, ajudam a estruturar um novo ciclo de desenvolvimento, agregando valor à produção, estimulando novas cadeias de fornecedores e aproximando o Espírito Santo de atividades industriais mais sofisticadas.
Da mesma forma, a responsabilidade fiscal acumulada nos últimos anos amplia as condições do Espírito Santo para atravessar períodos de incerteza e absorver os efeitos de transformações como a reforma tributária. O Fundo Soberano do Espírito Santo reforça essa perspectiva ao introduzir uma lógica explicitamente intergeracional, transformando parte da riqueza proveniente de recursos naturais não renováveis em investimentos e novas oportunidades econômicas para as próximas gerações de capixabas. Portanto, o principal ativo do Espírito Santo não está apenas nos resultados que já alcançou, mas na capacidade que construiu para continuar avançando. Bons indicadores, equilíbrio fiscal e capacidade de investimento têm valor justamente porque permitem ao Estado antecipar riscos, aproveitar oportunidades e preparar o próximo ciclo de desenvolvimento.
O equilíbrio fiscal é uma conquista do povo capixaba; é como se o Espírito Santo conquistasse ano após ano o Campeonato Brasileiro da Primeira Divisão. Esta vitória vem sendo construída desde 2011, quando Renato Casagrande iniciou seu primeiro mandato como governador. No ano seguinte, pela primeira vez o Estado teve reconhecimento em excelência em gestão fiscal pela Secretaria do Tesouro Nacional. De 2012 para 2025, o Espírito Santo manteve a Nota A em gestão fiscal. São 14 anos, dos quais, 10 anos sob a gestão de Casagrande, que voltou a governar o Estado em 2019, foi reeleito em 2022 e deixou o comando do Executivo Estadual em abril de 2026 para se candidatar ao Senado. Em seu lugar, assumiu Ricardo Ferraço (MDB), candidato à reeleição e que manteve o mesmo equilíbrio e responsabilidade instalados por seu antecessor.
As autoridades que hoje governam o Espírito Santo não sofrem de “paralisia”, não se acomodam jamais e nem tão pouco são arrogantes como alguns gestores de um passado não muito distante. Exemplo claro está na segurança pública. Entre 2003 e 2010, o Estado oscilou entre o segundo e terceiro mais violento do Brasil. Saiu de mais de 2.034 homicídios em 2009 para 796 assassinato em 2025, o menor patamar desde 1996, quando os dados da série histórica começaram a ser contabilizados. Foi a primeira vez, em 29 anos, que o Estado termina o ano com menos de 800 assassinatos.
Essa queda foi possível porque, em 2011, o Estado teve um governador que soube planejar o futuro. Renato Casagrande criou, assim que assumiu seu primeiro mandato, o Programa Estado Presente em Defesa da Vida. O programa teve interrupção em janeiro de 2015, na gestão de Paulo Hartung, que não soube pensar no futuro. Foi retomado, porém, em 2019, com a volta de Casagrande ao Executivo Estadual. E hoje o Estado Presente atua para garantir um futuro de paz para todos os capixabas.
Portanto, o Espírito Santo não está acomodado em seus resultados. Está utilizando esses resultados como plataforma para o futuro. Em um cenário de transformações cada vez mais rápidas e incertas, estar preparado significa possuir instituições, recursos e capacidades de planejamento e adaptação suficientes para não ser simplesmente conduzido pelas mudanças, mas participar ativamente da construção do futuro.
(Foto de Capa: Mateus Fonseca)