Mesmo com a presença dos candidatos ao Governo e ao Senado, o lançamento da candidatura de Carlos Manato a deputado federal, no Cerimonial Itamaraty, – de sua propriedade –, em Pedra Azul, registrou um público pífio e não produziu a demonstração de força esperada para o início da campanha. Envergonh
O lançamento da candidatura de Carlos Manato (Republicanos) a deputado federal, realizado no Cerimonial Itamaraty – de sua propriedade –, em Pedra Azul, teve um ingrediente que chamou mais atenção do que os discursos: a baixa adesão do público. Mesmo com nomes de peso da chapa reunidos no mesmo evento, a participação ficou distante de uma grande mobilização. Foi na noite de terça-feira (18/08).
Estiveram no encontro o candidato ao Governo do Espírito Santo, o ex-prefeito de Vitória Lorenzo Pazolini e o deputado federal e candidato ao Senado Evair de Melo – ambos também do Republicanos –, além de lideranças e apoiadores. A presença dos principais nomes do grupo elevava a expectativa em torno do lançamento, mas não foi suficiente para garantir uma plateia mais expressiva. Foi a primeira campanha oficial de Pazolini fora da Grande Vitória depois do registro de sua candidatura e após ser dado o pontapé inicial para os candidato saírem livremente às ruas para pedir votos, conforme calendário da Justiça Eleitoral.
O público baixo ganhou ainda mais destaque porque o evento havia sido divulgado previamente nas redes sociais, com convocação de apoiadores e ênfase justamente nas presenças de Pazolini e Evair. A proposta era dar musculatura ao início da campanha de Manato. Na prática, porém, o lançamento terminou sem a demonstração de força política esperada.
Outro movimento chamou atenção após o evento: registros do lançamento que haviam sido publicados nas redes sociais de Pazolini e Evair deixaram de aparecer em seu perfil. Não há confirmação pública sobre o motivo da retirada, mas o episódio, em meio à repercussão sobre a baixa adesão, alimentou nos bastidores a percepção de desconforto com o resultado do encontro.
O contraste também chama atenção pelo histórico eleitoral de Manato. Ex-deputado federal por quatro mandatos, ele disputou o Governo do Espírito Santo em 2022, chegou ao segundo turno e recebeu aproximadamente 1 milhão de votos. Uma trajetória que naturalmente amplia a expectativa sobre sua capacidade de mobilização. Manato também havia disputado as eleições para governador em 2018 e perdeu para Renato Casagrande (PSB) nos dois pleitos.
Neste ano, Manato chegou a trabalhar pela construção de uma candidatura ao Senado, mas mudou de projeto e entrou na disputa por uma vaga na Câmara dos Deputados após a desistência de Soraya Manato. A escolha de Pedra Azul, em Domingos Martins, também carrega simbolismo político. A região já foi utilizada por Manato como espaço para encontros e articulações com lideranças, inclusive em agendas com Pazolini durante a pré-campanha. Por isso, a baixa adesão justamente nesse território torna o resultado do evento ainda mais significativo para a estratégia do grupo.
Lançamentos de campanha são vitrines políticas montadas para demonstrar força, entusiasmo e capacidade de mobilização. Em Pedra Azul, porém, o efeito foi o oposto: o público baixo expôs uma mobilização aquém do peso político reunido no palanque e transformou o evento, pensado para projetar força, em um sinal de alerta para a campanha.
Nesse aspecto, Pedra Azul deixou mais perguntas do que respostas. Com Pazolini e Evair no palanque e o peso eleitoral acumulado por Manato ao longo de sua trajetória, esperava-se uma fotografia mais robusta do início da campanha. Agora, o desafio será mostrar nos próximos atos se o episódio foi apenas um tropeço de mobilização ou se revela uma dificuldade maior para transformar alianças, estrutura política e histórico eleitoral em presença efetiva nas ruas.
Resultado: a foto principal desta reportagem mostra a fisionomia de melancolia das poucas pessoas presentes no salão de eventos do Cerimonial Itamaraty.