Fundadora de uma igreja em Colatina, Eliane Leal Vieira foi imposta pelo senador Magno Malta para ser candidata a vice-governadora na chapa liderada pelo ex-prefeito de Vitória. Ela, que é da turma de soldados de 1994, pediu licença da Corporação para tramento médico. Por conta de uma doença, foi re
Ela tem 50 anos de idade, completados no dia 7 de maio de 1996. Foi reformada ex-ofício na Polícia Militar, como cabo. É da segunda turma do Curso de Formação de Soldados de 1994. É líder da Igreja Tabernáculo de Adoração, localizada no bairro São Silvano, em Colatina, Região Noroeste do Espírito Santo, que ela criou em 2019. Atua como presidente da instituição religiosa, além de se autoproclamar ‘bispa’.
Esta é Eliane Leal Vieira, colocada pelo senador Magno Malta e presidente do Diretório Estadual do Partido Liberal no Estado como vice na chapa encabeçada pelo ex-prefeito de Vitória Lorenzo Pazolini (Republicanos), candidato a governador. A cabo ou ‘bispa’ Eliane entrou na PM como soldada. Depois, se licenciou.
A ‘bispa’ Eliane se considera defensora da segurança pública. Ainda se identifica como policial militar. Depois de dois anos em licença sem vencimentos, Eliane deveria ter retornado à caserna, caso fosse de sua vontade. Manteve-se longe das atividades policiais. Eliane foi aposentada em 19 de setembro de 2014, 20 anos depois de dar entrada na Corporação, por problemas de doença. Por isso, se aposentado com salário integral.
Eliane está dando, agora, uma guinada política na sua vida, sem, no entanto, olhar para o passado. Sem se preocupar com a segurança pública, para o qual ela foi forjada a defender enquanto esteve na briosa Polícia Militar. Torna-se aliada e candidata a vice-governadora do candidato Lorenzo Pazolini, que é apoiado justamente por um ex-governador (de três mandatos) que nunca deu muita bola para a Polícia Militar e muito menos para as demais forças policiais capixabas: Paulo Hartung.
Já em seu primeiro mandato (2003/2006), Hartung trouxe para o Estado um delegado federal que foi talvez um dos piores titulares da Secretaria Estadual da Segurança Pública: o agora delegado federal aposentado Rodney Miranda. Em 2009, ainda com Rodney à frente da segurança pública e sob o governo Hartung, o Espírito Santo registrou 2.034 homicídios – o maior de toda a história.
O governo Hartung, que agora abraça Pazolini e, consequentemente, a cabo/bispa Eliane, protagonizou também um dos piores e mais sangrentos momentos da segurança pública. Em fevereiro de 2017, cansados da falta de diálogo com o governo nas reivindicações por melhores salários, os policiais militares se renderam ao movimento iniciado por seus familiares e praticamente cruzaram os braços por 22, já que, com as entradas dos quartéis ocupados pelas famílias, ninguém entrava e nem saía das unidades.
Naqueles 22 dias, foram registrados 219 assassinatos no Estado, além de dezenas de assaltos e saques. Em vez do diálogo, Hartung preferiu usar a falácia, com frase do tipo: "No que depender de mim, não sobrará pedra sobre pedra." E não sobrou mesmo, cabo/bispa Eliane. O movimento gerou um aumento expressivo no adoecimento mental, em afastamentos psiquiátricos e em registros de suicídios e tentativas entre os policiais militares da ativa. A mobilização e o fechamento dos Batalhões geraram forte pressão institucional, investigações e desgaste psicológico nos agentes.
O pós-crise foi associado por associações de classe a processos administrativos disciplinares, estresse operacional e pressão de superiores. Pesquisas acadêmicas e dados de segurança pública apontam que praças (soldados e cabos) de patentes mais baixas na ativa foram os mais afetados pelo estresse e sofrimento psíquico. O estresse só acabou em janeiro de 2019, quando Renato Casagrande (PSB) assumiu o governo do Estado e concedeu anistia administrativa para os policiais militares no âmbito do movimento de fevereiro de 2017.
A cabo/bispa Eliane é uma mulher bem informada. Ela conhece a história de seus aliados políticos. Sabe que Paulo Hartung dá um apoio constrangido a Lorenzo Pazolini, que também se sente constrangido. Tanto que nunca se deixou fotografar ao lado do ex-governador. As cabeças pensantes do grupo de Hartung estiveram, por sua orientação, ao lado do ex-prefeito Pazolini e permanecem assim.
Hartung se filiou ao PSD, presidido no Estado pelo prefeito de Colatina, Renzo Vasconcellos. O partido decretou neutralidade nas eleições para governador. No entanto, parte da legenda vai apoiar a reeleição do governador Ricardo Ferraço (MDB) e parte fica com Pazolini, incluindo Hartung.
Paulo Hartung, na verdade, queria estar em um outro lado. No entanto, o que ele deseja com sua sempre sede de vingança é impedir a reeleição de Ricardo. Para ele, não importa que para isso o Espírito Santo governado por Pazolini/Eliane.