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Política

Auditores desmentem milícias digitais de candidato a governador e reforçam: ‘Não há recursos do Governo do Estado investidos na Apex’

Associação dos Auditores do Tesouro Estadual também esclareceu a situação do Fundo Soberano, cujos recursos são geridos pelo Tesouro Estadual e aplicados por seus agentes operadores – Banestes e Bandes –, conforme as regras previstas na legislação estadual. Esses recursos são submetidos periodicamen

Elimar Cortes 15 de Agosto de 2026 4 min de leitura
Auditores desmentem milícias digitais de candidato a governador e reforçam: ‘Não há recursos do Governo do Estado investidos na Apex’

A Associação dos Auditores do Tesouro Estadual (AAFTEs) divulgou Nota Pública, no final da tarde de sexta-feira (14/08), reforçando que não há recursos públicos do Governo do Estado investidos na Apex Partners. O esclarecimento retoma uma informação que já havia sido divulgada anteriormente pela Secretaria de Estado da Fazenda, em meio a ataques ao governador Ricardo Ferraço (MDB) e ao seu antecessor, Renato Casagrande (PSB), com notícias falsas produzidas e distribuídas pelas milícias digitais de um determinado candidato ao Governo do Estado. Os milicianos digitais têm atingido até os familiares dos dois líderes políticos capixabas.

De acordo com a AAFTEs “não há qualquer recurso do caixa do Tesouro Estadual investido na Apex”. A Associação afirma que o posicionamento ratifica o esclarecimento feito pela própria Sefaz. Segundo a AAFTEs, as disponibilidades financeiras do Tesouro Estadual são mantidas integralmente em instituições financeiras públicas, como Banestes, Banco do Brasil e Caixa Econômica Federal, seguindo o que estabelece o artigo 164, parágrafo 3º, da Constituição Federal.

A AAFTEs também esclareceu a situação do Fundo Soberano do Espírito Santo (Funses). Segundo a entidade, os recursos do Fundo são geridos pelo Tesouro Estadual e aplicados por seus agentes operadores – Banestes e o Banco de Desenvolvimento do Espírito Santo (Bandes) –, conforme as regras previstas na legislação estadual.

Ainda de acordo com a AAFTEs, os recursos do Funses são submetidos periodicamente à fiscalização do Tribunal de Contas do Estado do Espírito Santo (TCE-ES). A operacionalização dos recursos segue as regras estabelecidas pelo Decreto nº 4.765-R/2020 e pela legislação que regulamenta o Fundo.

O novo posicionamento ocorre em meio às discussões sobre a situação financeira da Apex Partners e busca reforçar que os recursos do Tesouro Estadual e do Fundo Soberano seguem estruturas próprias de gestão e aplicação. A Associação afirmou ainda que o compromisso dos auditores é com a transparência, a responsabilidade na gestão dos recursos públicos e o desenvolvimento do Espírito Santo.

Entenda

Em nota, a Sefaz informou na semana passada que os recursos do Tesouro Estadual, utilizados para pagamento de despesas públicas, manutenção de serviços essenciais e execução de políticas públicas, são mantidos exclusivamente em instituições financeiras públicas. Atualmente, os valores estão alocados no Banestes, Banco do Brasil e Caixa Econômica Federal. Sobre o Fundo Soberano, a Sefaz informou que os recursos são geridos pelo Bandes e pelo Banestes, seguindo critérios técnicos, normas de governança e a legislação vigente.

“A Secretaria da Fazenda reafirma seu compromisso com a transparência, a responsabilidade na gestão dos recursos públicos e a prestação de informações claras à sociedade”, informou o órgão.

Cinco pontos para entender a crise da Apex

  1. Apex Partners ampliou a participação na CVC

A Apex Partners comprou uma participação relevante na CVC ao longo de 2025 e 2026. Atualmente, o grupo detém mais de 15% da companhia de turismo.

Para financiar parte dessa operação, a Apex utilizou recursos que estavam sob sua gestão e de fundos ligados à Carbyne e à Rhyno. No total, essas estruturas reuniam parte dos R$ 17,5 bilhões sob gestão mencionados na operação.

  1. Fundos entram em crise

Um dos produtos que aparece no caso é o BRM Carbyne Crédito Estruturado Fundo de Investimento em Cotas de Fundos de Investimento em Direitos Creditórios.

O fundo possui 909 cotistas e patrimônio líquido de R$ 160,5 milhões. O BTG Pactual comunicou o fechamento da classe para resgates após o volume de pedidos superar a liquidez disponível na carteira.

A estrutura ligada à CVC oferecia retorno de 100% do CDI ou a valorização das ações da companhia. A queda superior a 30% dos papéis da CVC desde o início de 2026 dificultou o andamento dessa garantia. Além disso, fontes do mercado estimam um problema entre R$ 500 milhões e R$ 1 bilhão.

  1. Fernando Cinelli deixa comando da Apex Partners

Na sequência do processo, em 6 de agosto de 2026, os sócios afastaram Fernando Antônio Kulnig Cinelli da presidência da Apex Partners e do Conselho de Administração. A companhia também retirou Eduardo Siqueira da diretoria financeira.

A empresa afirmou que encontrou “inconsistências financeiras” e anunciou que pretende cobrar Cinelli na Justiça por suposta gestão temerária e má-fé. O grupo também busca o bloqueio preventivo dos bens do executivo.

Cinelli afirmou, por meio de nota, que pretende colaborar para preservar a companhia, os investidores e os acionistas, além de esclarecer os fatos com transparência.

  1. Dívida da Apex Partners

A situação financeira do grupo também chamou atenção pelo tamanho da dívida. A Apex Partners acumula cerca de R$ 986 milhões em débitos.

Ao mesmo tempo, a empresa contratou uma auditoria externa e independente para calcular o impacto das inconsistências e entender a situação das operações. O valor se aproxima da estimativa de até R$ 1 bilhão apontada por fontes do mercado para o tamanho da dívida.

  1. Marcelo Murad assume a presidência

Após o afastamento de Cinelli, Marcelo Murad, um dos sócios da Apex Partners, assumiu interinamente a presidência do grupo. A mudança acontece enquanto a companhia tenta organizar suas contas e concluir a auditoria externa. A empresa afirma que mantém as operações e o atendimento aos clientes durante esse processo.

O grupo também encerrou a parceria com o BTG na frente de investimentos financeiros. Segundo a Apex Partners, as contas dos clientes continuam sob custódia do banco durante a transição.

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