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O cenário político capixaba ganhou novos contornos de tensão na Câmara de Vereadores de Vitória e na Assembleia Legislativa. O deputado estadual Callegari (DC) teceu duras críticas públicas à prefeita da Capital, Cris Samorini (PP), após a chefe do Executivo municipal vetar integralmente um Projeto de Lei que visava proibir a participação de crianças e adolescentes em manifestações como a Parada do Orgulho LGBTQIA+, a Marcha da Maconha e atos públicos em favor da legalização do aborto.

Na mesma sessão de terça-feira (23/06), os deputados Coronel Welinton (DC), Lucas Polese (PL) e Danilo Bahiense (PL) também criticaram a prefeita Cris, “cria política” do ex-prefeito Lorenzo Pazolini (Republicanos) – de quem era a vice –, que renunciou ao cargo em abril para disputar eleição deste ano para governador do Espírito Santo.

O projeto de autoria original do vereador Dárcio Bracarense (PL) propunha restrições severas à presença de menores de 18 anos nesses eventos realizados em Vitória, sob a justificativa de proteção integral à infância. No entanto, a decisão da prefeita Cris de barrar a proposta gerou imediata reação da ala conservadora do Estado.

Em declarações contundentes, o deputado Callegari demonstrou surpresa com o posicionamento da prefeita, a quem considerava alinhada ao espectro político de direita: “Parece que a prefeita Cris Samorini se rendeu mesmo aos encantos do esquerdismo identitário”, ressaltou o parlamentar.

Callegari também questionou os fundamentos do veto e subiu o tom ao associar as pautas das manifestações a riscos para a formação dos menores. O deputado argumentou que as crianças precisam ser resguardadas do que classificou como “incitação a atos libidinosos” e “estímulo ao uso de drogas”. Para endossar seu posicionamento contra a Marcha da Maconha, o parlamentar citou alertas médicos sobre os impactos do uso de substâncias entorpecentes na saúde mental de jovens.

O deputado Lucas Polese também disparou contra a aliada de Pazolini: “Marcha de maconha, marcha de aborto, parada LGBT e ainda vetar um negócio desse apegado a formalismo, falando que não, vão considerar inconstitucional. Pô gente, esse não é o nosso papel, a gente se apega a formalismos ou a gente se apega a verdades objetivas, a fazer o que é o certo? Eu sou a favor da proteção da criança e achei lamentável. Esse tipo de veto na Prefeitura de Vitória é uma péssima sinalização para a sociedade e para a classe política, vamos torcer para que os vereadores derrubem”.

Na mesma sessão, o deputado Coronel Welinton também se manifestou, destacando que a discussão envolve valores sociais e educacionais: “Nós estamos vendo a reflexão política de conceitos e valores inerentes à sociedade em que nós também recebemos com muita surpresa essa situação de um veto de uma legislação pertinente a defesa dos nossos valores, nossos jovens, as famílias ficaram muito entristecidas e eu acredito que era um projeto de lei que nós deveríamos apoiar e nós também solicitamos a revisão ou a derrubada desse veto da Prefeitura Municipal aqui de Vitória”.

Já o deputado Danilo Bahiense também comentou o tema e afirmou que espera a reversão da decisão no Legislativo municipal: “Lamentável esse veto por parte da prefeita [Cris], mas com certeza os nossos vereadores irão derrubar esse veto para que essa legislação possa entrar em vigor o mais rápido possível”.

O Futuro do Projeto na Câmara Municipal

Com o veto imposto pela prefeita Cris Samorini, a matéria retorna agora para a apreciação dos vereadores na Câmara Municipal de Vitória. Caberá aos vereadores a decisão final de acatar a decisão do Executivo ou derrubar o veto para promulgar a lei. O deputado Callegari manifestou forte expectativa de que os vereadores da Capital rejeitem a decisão da prefeita: “Espero eu, sinceramente, que a Câmara de Vitória derrube esse veto absurdo. Vamos proteger nossas crianças”, cobrou.

A Prefeitura de Vitória defende que os vetos a projetos dessa natureza costumam ser pautados por análises de constitucionalidade e competência legislativa, avaliando se os municípios possuem prerrogativa jurídica para legislar sobre restrições em espaços públicos e manifestações de pensamento, direitos assegurados pela Constituição Federal.

Já o autor do projeto, vereador Dárcio Bracarense, acusou a prefeita Cris de perseguição política e questionou publicamente a independência da chefe do Executivo municipal. Segundo ele, Cris Samorini não tem autonomia para governar e está se sujeitando ao articulador da campanha ao governo do Estado, Lorenzo Pazolini, o ex-deputado Erick Musso, presidente Estadual do Republicanos .

“A prefeita não tem o comando da caneta. O que estamos vendo em Vitória é uma gestão terceirizada, onde quem dita as regras e os vetos é o Erick Musso, sacrificando pautas legítimas de proteção à infância em nome de acordos e articulações políticas para 2026”, disparou Bracarense.

A prefeita Cris Samoirni pode se ver em outra saia justa nos próximos dias. É que, na última segunda-0feira (22/06), os vereadores de Vitória aprovaram o Projeto de Lei n° 263/2025, que dispõe sobre a proibição da realização de marchas ou outras manifestações públicas que tenham por finalidade defender o uso, posse para consumo pessoal, tráfico, cultivo ou manipulação de substâncias ilícitas que causem dependência. O autor, vereador Armandinho Fontoura (PL) citou como exemplo a ‘Marcha da Maconha’.

Segundo ele; o projeto simboliza o enfrentamento à apologia às drogas. “Manifestação não é local de apologia ao crime, sobretudo com menores de idade. É muito triste o que acontece hoje que é a glamourização da bandidagem. Só que tem muitos socialistas maconheiros que acham bonito defender o narcotráfico”, diz Armandinho. O texto aprovado segue para a prefeita de Vitória sancionar o vetar.