O ex-governador Paulo Hartung (PSD) vem se movimentando para interferir no Partido Liberal, liderado no Espírito Santo pelo senador Magno Malta, que é o seu presidente Regional. Para isso, Hartung, que nasceu na política filiado ao antigo Partido Comunista Brasileiro (PCB), se aliou ao deputado federal Gilvan da Federal (PL), que, assim como Magno, é bolsonarista – seguidor do ex-presidente Jair Bolsonaro (PL), que está preso depois de condenado pela acusação de liderar tentativa de golpe de Estado no Brasil em 2022.
Articulador experiente, Hartung aproveita o ponto fraco de Gilvan da Federal para buscar interferir no PL capixaba. O ex-governador, segundo fontes ouvidas pelo Blog do Elimar Côrtes, prometeu a Gilvan que ele (Hartung) e o presidente Nacional do PSD, Gilberto Kassab, podem mexer os pauzinhos em Brasília para reverter a decisão da Justiça Eleitoral do Espírito Santo que tornou o deputado federal inelegível.
Em troca, Gilvan tem que “sensibilizar” Magno Malta a aceitar a filiação do ex-prefeito de Linhares e ex-deputado estadual Guerino Zanon (PSD) no Partido Liberal. E mais: que Guerino seja candidato a governador nas eleições deste ano pelo PL. Ou que o senador Magno Malta se alie ao prefeito de Vitória, Lorenzo Pazolini (Republicanos), que é pré-candidato a governador, para colocar Guerino na chapa como vice.
O desejo de Hartung é atrapalhar, o máximo, uma vitória do vice-governador Ricardo Ferraço (MDB), que é o pré-candidato à sucessão estadual do grupo político liderado pelo governador Renato Casagrande (PSB).
Gilvan da Federal aceitou a missão. Desde o ano passado, o deputado vem fazendo campanha nas redes sociais e em encontros públicos com Guerino Zanon para colocar o ex-prefeito de Linhares no PL de Magno Malta, mesmo enfrentando resistência do senador. No dia 16 de dezembro de 2025, em entrevista ao colunista Vitor Vogas, do ES 360, Gilvan defendeu a candidatura de Guerino à sucessão do governador Casagrande pelo PL:
“A decisão, claro, passa pelo presidente do partido, o senador Magno Malta, mas, se ele decidir por Guerino Zanon, eu vou fazer campanha com sangue no olho, e nós vamos chegar no segundo turno. Eu tenho certeza que é um nome forte.”
A maior parte das postagens de Gilvan em suas redes sociais tem como foco Guerino Zanon, que, inclusive, aproveita o espaço para fazer até pregações religiosas – como se fosse pastor evangélico –, o que nunca foi seu forte.
Sete dias antes da entrevista concedida ao ES 360, Gilvan da Federal havia sido condenado pelo Tribunal Regional Eleitoral. Na tarde do dia 9 de dezembro, o TRE concluiu o julgamento do Recurso Criminal contra o deputado federal e manteve integralmente a condenação por violência política de gênero contra a deputada estadual Camila Valadão (Psol).
Com o resultado, o parlamentar se tornou inelegível por oito anos, com base na Lei da Ficha Limpa, e o segundo político no Brasil a perder o direito por causa do crime de violência política de gênero, tipificado pela Lei 14.192/2021. Desta forma, Gilvan não poderá disputar a reeleição à Câmara Federal em 2026.
Gilvan da Federal foi condenado por ataques à então vereadora Camila em duas sessões da Câmara Municipal de Vitória no fim de 2021 – ele também era vereador. No dia 29 de novembro daquele ano, Gilvan mandou Camila “calar a boca” e a chamou de “satanista”. No dia 1º de dezembro, voltou a dizer “cala a boca”, além de chamá-la por termos como “assassina de criança” e “assassina de bebês”.
Gilvan da Federal recorreu junto ao TSE), em Brasília, mas a inelegibilidade já está válida a partir da decisão colegiada do Tribunal Regional. No entanto, o TSE pode mudar a decisão e é aí que entra sobre ele a pressão de Paulo Hartung e Gilberto Kassab.
O ex-governador não tem o hábito de sentar na mesma mesa com políticos do chamado ‘baixo clero’, como é o caso de Gilvan da Federal. Entretanto, tem conversado com o deputado por telefone e também manda seus emissários ao encontro de Gilvan. Um deles é o próprio Guerino Zanon, com quem o parlamentar está constantemente.
Diga-se de passagem, Gilvan é amigo dos filhos de Guerino, com quem iniciou amizade nas eleições de 2022, quando o ex-prefeito disputou o governo do Esatdo e, à época, defendeu ainda no primeiro turno o então presidente Jair Bolsonaro.
O prefeito Lorenzo Pazolini conta com a entrada de Guerino Zanon no PL. Pazolini tem dificuldades com a direita, que vê no prefeito de Vitória um “esquerdista”, que “traiu Jair Bolsonaro”. Teria usado o bolsonarismo para se eleger deputado estadual e depois virou as costas para o ex-presidente e tem vergonha de defender o bolsonarismo.
“Pazolini também tem participado do movimento e das negociações para o PL aceitar o Guerino. O que está por trás da tentativa de Gilvan empurrar goela abaixo do senador Magno Malta é o desespero do deputado na eminência de ficar mesmo inelegível. Ele tem a promessa de Paulo Hartung e Gilberto Kassab de que poderão ajudá-lo em Brasília”, disse um integrante do núcleo mais próximo do ex-governador Hartung.
“Com a corda no pescoço, Gilvan se apega a qualquer promessa à espera de um milagre para se salvar”, completa a fonte.



