A indicação do senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ) para disputar a Presidência da República em 2026 movimentou o cenário político e econômico do País e acentuou divisões entre aliados da direita. Parlamentares da esquerda classificaram a escolha como “previsível”, enquanto lideranças conservadoras se dividiram entre apoio e críticas. Depois do anúncio, o dólar disparou e o Ibovespa, que abriu o dia em território positivo, fechou a sexta-feira (05/12) em forte queda de 4,31%, aos 157.369 pontos. É o maior tombo desde fevereiro de 2021, quando a bolsa recuou 4,87%.
Na sexta-feira, Flávio afirmou nas redes sociais que recebeu do pai, o ex-presidente Jair Bolsonaro (PL), a missão de “dar continuidade” ao projeto político da direita, com “grande responsabilidade”. Bolsonaro está preso na sede da Superintendência da Polícia Federal, em Brasília, desde meados de novembro, após ser condenado a 27 anos e três meses de prisão por liderar o plano de golpe de Estado após as eleições de 2022. Diante da impossibilidade do ex-presidente concorrer ao Palácio do Planalto, a indicação recaiu sobre o filho mais velho. O líder do PT na Câmara, deputado Lindbergh Farias (RJ), disse que a escolha era previsível e afirmou que o presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) será reeleito.
Já o ministro-chefe da Secretaria-Geral da Presidência, Guilherme Boulos (Psol), declarou que “Lula derrotou o ´pai e vai derrotar o filho também”, , além de ironizar Flávio ao citar o desmaio ocorrido durante um debate nas eleições municipais de 2016, no Rio de Janeiro.
Entre nomes da direita, as reações também foram divergentes. Renan Santos, presidente do partido Missão, afirmou que pretende derrotar tanto Flávio quanto Lula. O ex-presidenciável João Amoêdo (sem partido) avaliou que a decisão tem caráter “egocêntrico” e “individualista”, o que, segundo ele, facilitaria a vitória do atual presidente ou de um nome endossado pelo Palácio do Planalto.
Em defesa do irmão, o deputado federal Eduardo Bolsonaro (PL-SP), que está foragido nos Estados Unidos, afirmou que Flávio “vai erguer a bandeira dos ideais” do pai e representar a “esperança em maio ao medo”.
Já o deputado Mário Frias (PL-SP) declarou apoio como “soldado do presidente Bolsonaro”. O deputado federal Geeneral Eduardo Pazuello (PL-RJ) também endossou a pré-candidatura, afirmando que Flávio é “capacitado para continuar a missão do pai”.
Em eventual confronto direto, o atual presidente da República leva vantagem no primeiro turno. Levantamento do AtlasIntel/Bloomberg divulgado na última terça-feira (02/12) mostra Lula com 47,3% das intenções de voto, contra 23,1% de Flávio Bolsonaro.
Reação do mercado financeiro
Depois do anúncio de Flávio Bolsonaro que afirmou ter sido indicado pelo pai, Jair Bolsonaro, para disputar a presidência da República em 2026, o Ibovespa fechou a sexta-feira (5) em forte queda de 4,31%, aos 157.369 pontos. É o maior tombo desde fevereiro de 2021, quando a bolsa recuou 4,87%. Já o dólar disparou 2,31%, cotado a R$ 5,43 – maior patamar em quase dois meses. Na máxima, encostou os R$ 5,48.
Embora o mercado esperasse um dia marcado pelos indicadores de inflação nos Estados Unidos, o protagonismo acabou vindo de Brasília. A sinalização de que Flávio pode disputar a eleição ao Planalto provocou reação imediata: o dólar disparou e a bolsa recuou.
A possível substituição de Jair Bolsonaro por Flávio como nome do PL frustrou expectativas internas por uma chapa formada pelo governador de São Paulo, Tarcísio de Freitas (Republicanos), e a ex-primeira-dama Michelle Bolsonaro, vista como mais competitiva à direita. A mudança no cenário político reconfigurou o humor dos investidores.



