O levantamento leva em conta os gatos entre 1º de janeiro de 2013, quando Amanda Rangel tomou posse para seu primeiro mandato, a 8 de maio de 2019, quando ela foi presa no âmbito da Operação Rubi, desencadeada pelo Ministério Público do Estado do Espírito Santo.
Em 2017, Amanda foi reeleita prefeita. Ela é sobrinha de Reginaldo Quinta, também afastado do cargo de prefeito de Presidente Kennedy, em 2012, quando foi preso no âmbito da Operação Lee Oswald – até hoje ele não foi julgado pela Justiça Estadual.
Presidente Kennedy, localizado no extremo Sul do Espírito Santo, é um município rico em petróleo. Possui uma área de 583,933 quilômetros quadrados e tem uma das menores populações do Estado: cerca de 11.400 habitantes.
Mesmo assim, em seis anos, gastou bem mais do que Cachoeiro de Itapemirim em “obras de infraestrutura”. Cachoeiro tem população em torno de 220 mil habitantes e sua área total é de 876,8 km2. No mesmo período – janeiro de 2013 a maio de 2019 –, gastou cerca de R$ 922 milhões em obras. Uma diferença de R$ 470 milhões.
Os R$ 1.393.296.398,78 gastos pela prefeita presa Amanda Rangel foram usados para contratar dezenas de obras. A maioria, no entanto, está paralisada e ou em andamento. Apenas uma teve 98% das obras concluídas, que é o trabalho de infraestrutura do bairro Marobá, cujo contrato custou R$ 9.997.763,53.
O levantamento elaborado pela prefeitura informa ainda que há gastos significantes, como o contrato firmado com uma empresa para revisão de elaboração de saneamento, no valor superior a R$ 2 milhões.
Outra obra paralisada é o trecho Caju-Cancela-Monte Belo, no valor de R$ 25.595.000,00. O contrato foi assinado pela prefeita Amanda em agosto de 2016, com prazo de entrega para 360 dias.
Antes de ser presa, em maio, a prefeita Ananda Rangel firmou contrato com a empresa Lockin, no valor de 1.375.989,85, que estabelecia a conservação e manutenção da Rodoviária de Presidente Kennedy. Assinado em 19 de março de 2019, o trabalho está paralisado.
Revisão de contratos feita pela atual administração dá economia de R$ 12 milhões
Desde que tomou posse, por conta do afastamento de Amanda Rangel por ordem da Justiça, o prefeito interino de Presidente Kennedy, Dorlei Fontão, adotou uma série de medidas para “moralizar” a administração pública e tentar a recuperação de recursos. Uma das medidas foi a revisão de contratos, por meio do qual a atual administração obteve até agora economia de R$ 12 milhões.
A prefeita Amanda Quinta Rangel está presa desde o dia 8 de maio de 2019. Junto com ela, foram presos seu marido e braço direito na Prefeitura de Presidente Kennedy, José Augusto Rodrigues (que era seu secretário Municipal de Desenvolvimento Econômico de Paiva); os empresários Marcelo Marcondes Soares e Cristiano Graça Souto, donos da Limpeza Urbana; e Isaias Pacheco do Espírito Santo, contador da empresa Limpeza Urbana.
No dia 20 de maio deste ano, o Ministério Público do Estado do Espírito Santo, por meio da Subprocuradoria-Geral de Justiça Judicial e do Grupo de Atuação Especial de Combate ao Crime Organizado (Gaeco), apresentou à Justiça a primeira denúncia contra pessoas envolvidas no esquema de corrupção investigado na Operação Rubi.
O MPES pede a condenação dos denunciados pelos crimes de organização criminosa, crime de responsabilidade de prefeito (Amanda Rangel), corrupção passiva e ativa e falsidade documental. Segundo o MPES, uma organização criminosa foi constituída para lesar os cofres públicos dos municípios de Presidente Kennedy, Marataízes, Jaguaré e Piúma com direcionamento licitatório em favor de empresas contratadas, pagamento de propinas a agentes públicos e superfaturamento de prestação de serviço público.
As investigações do Gaeco, com o apoio do Núcleo de Inteligência da Assessoria Militar do MPES e parceria do Tribunal de Contas do Estado do Espírito Santo (TCEES), tiveram início em 2018 “e colheram evidências contundentes de que agentes políticos e servidores municipais recebiam propina de empresários dos ramos de limpeza pública e transporte coletivo. Esses valores pagos eram uma forma de retribuição por receberem benefícios financeiros em licitações e contratos, levando ao enriquecimento indevido dos envolvidos”.