Carregando...

A Polícia Federal deflagrou, nesta quarta-feira (08/07), a Operação Colosso de Areia, com o objetivo de investigar um suposto esquema de lavagem de dinheiro relacionado a contratos públicos celebrados por municípios do Espírito Santo. Segundo apuração inicial, foram cumpridos mandados de busca e apreensão nas sedes das empresas Duarte Engenharia, Renova e Manuel Transporte. A investigação da PF apura lavagem de dinheiro em contratos de R$ 908 milhões em Prefeituras capixabas.

De acordo com as apurações da reportagem, a Polícia Federal chegou ao grupo depois de uma prisão em flagrante feita por uma equipe da Força Integrada de Combate ao Crime Organizado do Espírito Santo (FICCO), em 9 de setembro de 2025, que culminou numa ação penal de crime de lavagem de dinheiro. Naquele dia, Lucas de Araújo Santos e Jairo da Silva Leite Júnior foram presos dentro da agência do Sicoob da Reta da Penha, em Vitória, depois de sacar R$ 2 milhões em espécie.

Depois da prisão de Lucas e Jairo, a PF descobriu que eles eram ‘laranjas’ da Renova Engenharia e o dinheiro seria para pagamento de propina a gestores de algumas Prefeituras capixabas. Com os dois comparsas, a Polícia Federal apreendeu duas listas com nomes de gestores públicos municipais e políticos que seriam beneficiados com a propina. Dentre os nomes, são citados gestores da Prefeitura de Vitória.

Gestores de Prefeituras como Vitória, Iconha, Barra de São Franscisco e Itapemirim também são alvos de investigação por envolvimento com o grupo criminoso. No entanto, a Polícia Federal não revelou os nomes dos investigados. Em Vitória, gestores investigados são protegidos por ex-deputado federal e ex-secretário de Estado da Fazenda, por presidente de um partido político e uma velha raposa da política capixaba.

A ação desta quarta-feira, realizada com apoio da Controladoria-Geral da União (CGU), cumpriu 17 mandados de busca e apreensão expedidos pela Justiça. As investigações apontam que os grupos investigados mantiveram contratos públicos que somam aproximadamente R$ 908,8 milhões entre 2017 e 2025 com as Prefeituras de Vitória, Iconha, Barra de São Francisco e Itapemirim.

De acordo com a PF, empresas de fachada eram utilizadas, em tese, para ocultar e dissimular recursos provenientes desses contratos, por meio de movimentações financeiras incompatíveis com as atividades declaradas, transferências entre pessoas jurídicas e expressivos saques em espécie.

Sabe-se que, na Serra, parte da Operação Colosso de Areia aconteceu no Boulevard Lagoa, bairro fechado de alto padrão conhecido por concentrar imóveis de luxo e localizada na região de Laranjeiras. Lá, os federais estiveram em três mansões do Boulevard Lagoa. Os imóveis seriam ligados a integrantes da família dos donos da Manuel Transportes.

Durante o cumprimento dos mandados, foram apreendidos aproximadamente R$ 270 mil em espécie, além de veículos e documentos que serão analisados no curso da investigação. Os fatos apurados podem caracterizar, entre outros delitos, o crime de lavagem de dinheiro, sem prejuízo da apuração de eventuais crimes correlatos contra a Administração Pública e o sistema licitatório. Os investigados poderão responder pelos crimes apurados, conforme o avanço das investigações e a eventual responsabilização individual.