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O que não faz um candidato para ganhar votos e que reside em um dos condomínios mais caro e luxuoso do Espírito Santo – no bairro Barro Vermelho –, que nunca andou de ônibus e de repente pega um ônibus do Transcol e chega no Restaurante Popular para comemorar o aniversário? Essa pergunta deve ser feita ao ex-prefeito de Vitória e delegado de Polícia Civil Lorenzo Pazolini (Republicanos).

Demagogia e populismo fazem parte dessa sua retórica, que, em busca de votos na disputa ao Governo do Estado, foi comemorar na quinta-feira (20/05) seu aniversário de 44 anos no Restaurante Popular de Vitória, localizado na Ilha de Santa Maria. Detalhe: Pazolini e alguns de seus poucos aliados usaram espaço da Prefeitura de Vitória para também fazer discurso de campanha.

Essa não foi a primeira vez que o pré-candidato a governador usa como armas a demagogia e o populismo para buscar mostrar aos eleitores um perfil de humilde. Em visitas às feiras-livres, Pazolini chega geralmente de Kombi. No dia em que renunciou ao cargo de prefeito de Vitória, Pazolini deixou o Palácio Municipal em um Fiat Uno. Um ‘site’ aliado do ex-prefeito escreveu: “…O momento em que ele [Pazolini] saiu do prédio do Executivo municipal dirigindo um Fiat Uno simbolizou um gesto de simplicidade e marcou o encerramento do seu ciclo na administração”.

Na comitiva de Pazolini ao Restaurante Popular, apenas o presidente Estadual do Republicanos e ex-secretário Municipal de Governo da Prefeitura – na gestão Pazolini –, Erick Musso, o ex-secretário Municipal de Meio Ambiente de Pazolini, o coronel RR Alexandre Ramalho, e o presidente da Associação das Praças da Polícia Militar e do Corpo de Bombeiros (Aspra), sargento Eugênio. Ele e Ramalho são pré-candidatos a deputado estadual e federal, respectivamente.

Os dois militares apoiam Pazolini, que tem apoio do ex-governador Paulo Hartung (PSD), apontado pelo próprio sargento Eugênio como maior responsável pela maior crise da segurança pública capixaba de todos dos tempos, que foi a paralisação dos policiais militares em fevereiro de 2017 – naquele ano, Hartung era governador do Estado.

O gesto demagógico e populista do ex-prefeito logo se espalhou por suas redes sociais e por ‘sites’ aliados, que são investigados pela Polícia Civil por suspeita de formação de milícias digitais. O restaurante Popular foi inaugurado em 4 de setembro de 2025, quando Pazolini ainda estava no poder. Ele deixou o cargo em abril deste ano para disputar as eleições de outubro. Em seu lugar assumiu Cris Samorini, que não foi à comemoração demagógica e populista do aniversariante e padrinho político.

O que se viu, na verdade, foi um Pazolini usando um espaço público – o Restaurante Popular pertence à Prefeitura de Vitória – para fazer política, com “direito” até a discurso dentro do estabelecimento. Ele desembarcou pela porta da frente do ônibus do Transcol, deixando a dúvida se pagou passagem.

O ex-prefeito de Vitória talvez não saiba: a porta da frente é a de entrada de passageiros, que precisam passar o cartão de transporte na roleta e acessar à parte de trás do ônibus, onde há portas para desembarque. “Já chegamos ao Restaurante Popular para comemorar nosso aniversário de 18(sic) anos. Bora lá almoçar com as lideranças e com a comunidade”.

Já depois de almoçar, Pazolini e outros políticos discursaram. O ex-prefeito fez discurso de candidato, enaltecendo sua gestão em Vitória e elogiando a sua iniciativa de construir o Restaurante Popular, que estava fechado há quase 10 anos. “Este restaurante mudou a realidade das pessoas que mais precisam”, disse Pazolini, que também citou a palavra “diálogo”.