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A Plataforma CIPÓ e a Secretaria Nacional de Povos e Comunidades Tradicionais e Desenvolvimento Rural Sustentável do Ministério do Meio Ambiente e Mudança do Clima vão realizar nos dias 7 e 8 de maio o ‘Mutirão Sustentável – Formação em Ação Climática’, na Universidade Federal do Espírito Santo (Ufes), em Vitória, com o objetivo de fomentar o debate para a criação de soluções de enfrentamento aos efeitos extremos do clima no Espírito Santo.

O evento é gratuito e reunirá representantes de comunidades tradicionais, juventudes, agricultores familiares, lideranças locais, academia e poder público, com foco no desenvolvimento sustentável e na justiça climática. A proposta é fortalecer a atuação desses grupos a partir da conexão entre saberes e mecanismos de ação de forma global.

O projeto tem apoio por meio de emenda parlamentar viabilizada pela deputada  federal capixaba Jack Rocha (PT). Segundo ela, o tema precisa ser tratado como prioridade política e social:

“Não existe mais espaço para tratar a crise climática como um problema distante. No Espírito Santo, isso significa menos produção no campo, mais dificuldade para quem vive da agricultura e mais risco para quem mora nas encostas e nas periferias. Portanto, esse problema já está no prato vazio e no risco de perder a casa. Não dá mais para ficar batendo na mesma tecla sobre se a crise climática existe. A ciência já respondeu essa pergunta. O que falta agora é decisão política e soluções efetivas. Não se trata de uma agenda ambiental, é agenda de sobrevivência, renda e dignidade”, alerta a deputada.

A diretora-executiva da Plataforma CIPÓ, Maiara Folly, explica que a COP30, realizada em Belém (Pará), abriu uma janela para a ação climática no plano global e o Mutirão Sustentável busca manter esse legado vivo por meio do impulso à ação coletiva nos territórios. “Ao valorizar as experiências do Espírito Santo, a iniciativa aposta na ampliação da articulação entre a agenda climática internacional e soluções já em curso em nível local, ampliando sua visibilidade e suas possibilidades de fortalecimento e replicação”, frisa.

As histórias vividas por diversas comunidades pelo Brasil afora revelam no dia a dia os efeitos concretos da crise climática no País, com impactos diretos na saúde e na produção de alimentos. Dados do Ministério do Meio Ambiente e Mudança do Clima (MMA) mostram que os eventos extremos estão se intensificando no Brasil, com secas prolongadas, chuvas intensas, enchentes e ondas de calor, além de crises hídricas e energéticas cada vez mais frequentes.

Essa tendência já aparece de forma clara nos números. Só em 2023, segundo o Ministério da Integração e do Desenvolvimento Regional (MIDR), cerca de 16 milhões de pessoas foram afetadas por desastres climáticos no Brasil. No Espírito Santo, os impactos seguem a mesma direção. O Estado está entre os mais vulneráveis a desastres, com alta exposição a enchentes, secas e incêndios florestais. Além disso, o litoral capixaba aparece entre os mais afetados por extremos de temperatura no Brasil.

Na Associação Quilombola de Córrego do Palmito, em Jaguaré, município da Região Norte do Espírito Santo, Joselma da Conceição Barbosa Martins, 51 anos, já percebe no dia a dia aquilo que a ciência aponta há anos: os efeitos climáticos, cada vez mais extremos, estão interferindo no cultivo das famílias que moram no local.

“O meu avô, Antônio Ramiro dos Santos, descendente de africanos escravizados, foi o primeiro a chegar na região, na década de 1950. Ele limpou o terreno e começou a plantar. Três anos depois de sua chegada, casou e constituiu família. A ideia dos quintais produtivos foi dele e a tradição se mantém viva até hoje”, conta Joselma.

O quintal produtivo da família comporta oito lotes e 20 pessoas. Ali se planta mandioca, pimenta-do-reino, corante, feijão, entre outros. Também há uma criação de galinhas. E na parte central está até hoje a antiga Casa de Farinha, que ainda funciona. “A gente produz para consumo próprio, mas o que sobra é comercializado”, informa Joselma.

Ela explica que, na época do avô, a plantação seguia o ciclo da lua, porque a estação de chuva tinha data certa. “Agora, não temos mais essa precisão. A única solução é a pequena irrigação, mas quando esquenta demais, nem isso adianta. Dependendo da situação climática, existe o risco de a gente perder toda a produção, o feijão é o maior problema”, conta.

Programa Capixaba de Mudanças Climáticas

O Governo do Espírito Santo criou o Programa Capixaba de Mudanças Climáticas, que representa um avanço rumo a um futuro mais sustentável e resiliente para o Estado. Com a finalidade de coordenar e integrar esforços, políticas públicas e ações concretas, o programa surge como uma resposta assertiva ao desafio global das mudanças climáticas.

O então governador capixaba, Renato Casagrande, participou da COP30 em Belém em novembro de 2025, destacando o Espírito Santo na agenda climática. À época, ele era o presidente do Consórcio Brasil Verde, uma coalizão de Governadores pelo Clima). Casagrande anunciou no Pará  ações de descarbonização, a plataforma digital do Programa Capixaba de Mudanças Climáticas (PCMC) e o projeto IntegraCAR, focando em parcerias internacionais para resiliência climática e agricultura sustentável.

A programação do ‘Mutirão Sustentável – Formação em Ação Climática’ inclui atividades formativas, debates e dinâmicas colaborativas, valorizando os saberes dos territórios e fortalecendo redes locais comprometidas com o desenvolvimento sustentável. A iniciativa dá continuidade a um primeiro encontro realizado em novembro do ano passado, ampliando agora o engajamento e a participação social.

As inscrições são gratuitas e podem ser feitas online. As vagas são limitadas.

Serviço
Mutirão Sustentável – Formação em Ação Climática
Data: 7 e 8 de maio
Local: UFES, Vitória (ES)
Inscrições: https://docs.google.com/forms/d/e/1FAIpQLSdD6oUaSu3TVmQada_zBz8iqqkCtZve3DkvJSeM_U2y1fwiZw/viewform