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O tradicional imóvel conhecido como Fábrica de Ideias (Fábrica 747), em Jucutuquara, poderá receber o nome de “Comandante Dayse Barbosa”. A Câmara de Vitória aprovou na quarta-feira (25/03) o Projeto de lei 98/2026, proposto pela vereadora Mara Maroca (PP), que fez a alteração. O projeto segue para a sanção do Executivo.  A ideia é homenagear a primeira mulher a ocupar o comando da Guarda Civil de Vitória, Dayse Barbosa. Na mesma sessão, os vereadores também aprovaram o Projeto de Lei 75/2026, que instituiu o Dia 17 de outubro como “Dia do Luto e Memória às Mulheres Vítimas de Feminicídio”. O objetivo é estabelecer diretrizes para a criação de memoriais físicos e simbólicos sobre o tema.

A comandante Dayse Barbosa foi assassinada com cinco tiros na cabeça, na madrugada de segunda-feira (23/03), dentro de casa, no bairro Santo Antônio, em Vitória, pelo seu ex-namorado, o policial rodoviário federal Diego Oliveira de Souza. Depois, Diego se matou com um tiro na cozinha da residência.

“A homenagem é justa e necessária em razão da trajetória da comandante Dayse Barbosa, servidora pública que marcou a história da Guarda Civil Municipal de Vitória, tornando-se símbolo de liderança, competência e dedicação ao serviço público”, defendeu a vereadora Mara Maroca.

Já o PL 75/2026 que institui o dia 17 de outubro como o “Dia de Luto e de Memória às Mulheres Vítimas de Feminicídio” em Vitória, foi construído de forma conjunta pelas vereadoras Ana Paula Rocha (Psol), Karla Coser (PT) e Mara Maroca. A proposta marca um avanço significativo no enfrentamento à violência de gênero e na valorização da memória das vítimas.

O projeto nasce como um compromisso político e social com a justiça, a memória e a transformação. A vereadora Ana Paula Rocha destacou que a criação da data vai além de uma homenagem simbólica, representando um chamado permanente à reflexão e à ação por parte do poder público e da sociedade.

“A gente precisa transformar a dor em memória e a memória em compromisso. Não é apenas lembrar das vítimas, mas garantir que suas histórias provoquem mudanças concretas, para que outras mulheres não tenham o mesmo destino”, afirmou a parlamentar.

A nova legislação estabelece diretrizes que buscam honrar a memória das mulheres vítimas de feminicídio, acolher familiares e sobreviventes, além de promover a conscientização sobre a violência de gênero. A proposta também incentiva a ocupação simbólica dos espaços públicos como forma de ampliar o debate e dar visibilidade ao tema. Entre as ações previstas, está a possibilidade de implementação de memoriais físicos e simbólicos, como o chamado “Banco Vermelho”, além da criação de registros que preservem as histórias das vítimas e das sobreviventes.

A iniciativa também abre caminho para que espaços públicos recebam nomes de mulheres que foram vítimas de feminicídio ou que tenham atuado na luta pelos direitos das mulheres. Para Ana Paula Rocha, a aprovação do projeto representa um passo essencial na construção de uma cultura de prevenção.

“Quando o poder público reconhece essas histórias, ele também assume a responsabilidade de identificar falhas, fortalecer a rede de proteção e evitar novas tragédias”, ressaltou.

A escolha da data, 17 de outubro, possui um peso histórico e simbólico profundo, fazendo referência ao caso de Eloá Cristina Pimentel, assassinada em 2008 em um crime que parou o Brasil e evidenciou as falhas na abordagem de casos de violência doméstica, fato que reforça a necessidade de manter viva a memória de ocorrências que marcaram o País, contribuindo para que erros do passado não se repitam.

Com a aprovação, Vitória passa a integrar um movimento nacional de enfrentamento ao feminicídio, consolidando políticas públicas voltadas à memória, à conscientização e à defesa da vida das mulheres. O projeto agora segue para análise do executivo que pode vetar ou sancionar a proposta.