A vice-prefeita de Vitória e secretaria Municipal de Desenvolvimento da Cidade e Habitação, Cris Samorini, recebeu em seu gabinete o influenciador fitness Renato Cariani, de 48 anos, que é réu em um processo em que é acusado de tráfico de drogas, associação para o tráfico e lavagem de dinheiro. A visita ocorreu no dia 22 de janeiro de 2026, quando Cariani esteve na cidade para anunciar a abertura de uma academia de sua rede em Vitória. A própria Cris fez questão de mostrar em suas redes sociais a visita de Cariani.
Cariani anunciou que a Vitória Sports, localizada na Praia do Canto, terá a bandeira de sua academia, a CTRC (Centro de Treinamento Renato Cariani). Nesse mesmo dia, Cariani foi recepcionado pela vice-prefeita:
“Empresas que acreditam em Vitória, como o centro de treinamento @ctrc_oficial liderado por Renato Cariani e Júlio, têm total sinergia com o que a nossa cidade já faz todos os dias: cuidar da qualidade de vida para nossos moradores. Nossa gestão trabalha para gerar qualidade de vida e desenvolvimento constante, movimentando a economia e preparando Vitória para crescer ainda mais. Vitória investe, evolui e entrega!”, escreveu Cris Samorini no Instagram.
No entanto, o ato foi alvo de críticas na abertura do ano legislativo na Câmara Municipal de Vitória, na segunda-feira (02/02). Coube a vereadora Karla Coser (PT) fazer as críticas. A intervenção da parlamentar ocorreu durante a participação do delegado de Polícia Civil Romualdo Gianordoli Neto, convidado pelo vereador Armandinho Fontoura (PL), para falar sobre crime organizado e investigações conduzidas no Espírito Santo.
Ao se pronunciar, Karla Coser fez referência direta a uma fala do delegado sobre investigações de financiadores do tráfico e esquemas de lavagem de dinheiro. A petista citou Cris Samorini ao criticar a recepção, segundo ela, dada a um investigado por tráfico de drogas, que é Ricardo Cariani:
“Me traz um choque gigantesco que a vice-prefeita da cidade de Vitória tenha recebido com pompa e circunstância um investigado, um réu por tráfico de drogas”, declarou, mencionando o nome de Renato Cariani e afirmando que ele teria sido recebido na Prefeitura Municipal de Vitória.
A vereadora comparou o episódio com outras situações envolvendo trabalhadores. “Se fosse como aconteceu com os trabalhadores da obra da escola de São Benedito, teve um auê danado. Um trabalhador que já tinha pagado pena e estava reinserido na sociedade foi tratado como marginal”, disse. Segundo Karla Coser, o tratamento seria distinto quando se trata de pessoas em posição econômica privilegiada. “Quando chega nas pessoas brancas e ricas, a investigação é parada. E são recebidos com pompa e circunstância”, afirmou.
Karla Coser também mencionou informações apresentadas pelo delegado sobre investigações envolvendo tráfico internacional de drogas. “Segundo as investigações, produtos químicos eram desviados para a fabricação de cocaína e crack e abasteciam uma rede criminosa comandada pelo PCC”, disse.
O caso
Em fevereiro de 2024, a juíza Maria Vendeiro, da 3ª Vara Criminal de Diadema, acolheu a denúncia feita pelo Ministério Público do Estado de São Paulo e tornou réu o influenciador fitness Renato Cariani e mais quatro pessoas. O grupo será julgado pela acusação de tráfico de drogas, associação para o tráfico e lavagem de capitais.
Cariani foi acusado de integrar um esquema criminoso de desvio de produtos químicos para fabricação de drogas, objeto de investigação da Polícia Federal na Operação Hinsberg. Segundo a denúncia feita pelo Ministério Público, empresas licenciadas em Diadema (SP) para vender produtos químicos emitiam notas fiscais fraudulentas, simulando a venda de insumos para grandes farmacêuticas.
No entanto, essas substâncias (como acetona, éter etílico e acetato de etila) não iam para essas farmacêuticas: elas eram desviadas para traficantes e serviam para o refino e adulteração de cocaína e de crack. Entre essas empresas investigadas estava uma que pertencia a Cariani.
De acordo com o Ministério Público, foram identificadas 60 transações desse tipo que totalizavam cerca de 12 toneladas de produtos químicos enviadas para o tráfico. Segundo a denúncia, Cariani e os demais réus teriam dissimulado “valores provenientes dos crimes de tráfico de drogas acima noticiados, por meio de depósitos em espécie realizados por interpostas pessoas, convertendo em ativo lícito o montante aproximado de R$ 2.407.216,00”. Em janeiro de 2024, após dez meses de investigações, a Polícia Federal havia concluído o inquérito contra Cariani e seus amigos.



