Três policiais – um deles foi preso – do Departamento Especializado em Narcóticos da Polícia Civil (Denarc) foram afastados de suas funções, por ordem judicial, pela acusação de corrupção e envolvimento com uma quadrilha de traficantes que atua na Grande Vitória. Eles são alvo de Operação Turquia, deflagrada nesta sexta-feira (07/11) pela Polícia Federal e o Grupo de Atuação Especial de Combate ao Crime Organizado (Gaeco), do Ministério Público do Estado do Espírito Santo (MPES), por meio do Grupo de Atuação Especial de Combate ao Crime Organizado (GAECO-Central/MPES), e que visa o enfrentamento de um grupo criminoso com atuação no tráfico de drogas.
A ação conta com apoio da Corregedoria da PC e do Núcleo de Inteligência da Assessoria Militar do MPES. As investigações tramitam em sigilo judicial. Durante a execução dessa fase ostensiva da investigação, foram cumpridos, nos municípios de Vitória, Serra e Vila Velha, cinco mandados de busca e apreensão, dois mandados de prisão temporária e três ordens judiciais de afastamento das funções públicas de policiais civis lotados no Denarc. Os três policiais são, agora, denominados de Oficiais Investigadores de Polícia, cujo cargo reúne os antigos investigadotres, escrivães e agentes de Polícia.
O Ministério Público e a Polícia Federal acrescentaram que o oficial investigador de Polícia foi preso, também por ordem da Justiça, porque as provas indicavam a necessidade de segregação cautelar para garantir a ordem pública (evitar a reiteração criminosa) e garantia da instrução criminal (preservação de provas). Para os outros dois OIPs, no entanto, entendeu-se que apenas o afastamento é suficiente para a fase atual das investigações.
No caso dos policiais, as condutas também indicam possível prática de peculato e corrupção passiva, assim como os traficantes podem ser enquadrados por corrupção ativa. Os acusados poderão responder pelos crimes de tráfico de drogas, associação para o tráfico e por integrar organização criminosa, além de peculato, corrupção passiva, corrupção ativa e lavagem e de dinheiro.
As investigações tiveram início a partir da prisão em flagrante de um dos principais líderes do tráfico de drogas na Ilha do Príncipe, em Vitória, ocorrida em fevereiro de 2024. Posteriormente, com o aprofundamento das apurações, foram verificados fortes indícios de que o preso e os três policiais civis mantinham relação, apontando para uma possível cooperação ilícita durante diligências policiais realizadas.
Os levantamentos indicaram que parte das drogas apreendidas em ações oficiais poderia estar sendo desviada para a própria associação/organização criminosa. Pelos elementos colhidos, uma fração do entorpecente não era registrada nos boletins de ocorrência e acabava sendo repassada a intermediários indicados pelo grupo.
A Polícia Federal e o Gaeco informaram também que ainda não é possível afirmar se os oficiais investigadores de polícia têm alguma vinculação ao Primeiro Comando da Capital (PCC). No entanto, salientam que um dos traficantes com quem os policiais do Denarc negociavam é um dos líderes da facção criminosa na Grande Vitória.
O nome da operação, “Turquia”, faz referência ao codinome “Turco”, utilizado pelo líder criminoso para se referir a um dos policiais investigados. A denominação simboliza a relação de proximidade estabelecida entre o servidor e o integrante da facção, evidenciada nas comunicações interceptadas ao longo da investigação.
Em nota, Polícia Civil afirma que não aceita ‘qualquer prática ilícita’ de policiais
A Polícia Civil do Espírito Santo (PCES) informa que, por meio da Corregedoria Geral da Polícia Civil (CGPC), prestou apoio à Polícia Federal (PF) e ao Ministério Público do Espírito Santo (MPES) em operação destinada ao cumprimento de mandados de busca e apreensão e um de prisão em desfavor de três Oficiais Investigadores de Polícia (OIP) lotados no Departamento Especializado em Narcóticos (Denarc). O servidor detido foi encaminhado ao Alfa 10 (presídio de policiais civis).
A PCES reforça que não compactua com qualquer prática ilícita e que todas as condutas de seus integrantes serão rigorosamente apuradas. A Corregedoria Geral instaurará os devidos procedimentos administrativos internos para verificar eventuais responsabilidades disciplinares dos servidores envolvidos.
As informações referentes à investigação criminal permanecem sob responsabilidade do Grupo de Atuação Especial de Combate ao Crime Organizado (Gaeco/MPES) e da Polícia Federal.



