Depois de definir o governador Renato Casagrande (PSB) como um dos maiores líderes políticos do Brasil, o ministro do Desenvolvimento e Assistência Social, Família e Combate à Fome, Wellington Dias, afirmou, na manhã desta sexta-feira (24/10), em Pedra Azul, Domingos Martins, que o presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) quer ampliar o leque de alianças políticas e partidárias nas eleições de 2026, com o objetivo de construir uma base sólida e que tenha “compromisso com o Brasil”. Segundo ele, dentro dessa base estão o atual governador capixaba e seus aliados.
A declaração do ministro foi após evento que marcou a adesão do Espírito Santo ao Programa Acredita no Primeiro Passo, do Governo do Brasil. A solenidade ocorreu durante o encerramento da 16ª Conferência Estadual de Assistência Social e veio um dia depois que o presidente Lula afirmou, em Jacarta, capital da Indonésia, que pretende disputar um quarto mandato à Presidência da República em 2026. “Eu vou completar 80 anos, mas pode ter certeza que eu estou com a mesma energia de quando eu tinha 30 anos de idade. E vou disputar um quarto mandato no Brasil”, disse Lula.
Indagado pelo ‘site’ Blog do Elimar Côrtes se a tendência é o presidente Lula, depois da declaração dada na Indonésia, e o PT apoiarem o candidato a governador do Espírito Santo no próximo ano indicado por Renato Casagrande, o ministro Wellington Dias, que também é do PT, respondeu:
“Nós estamos nos organizando a partir agora e até o mês de abril [de 2026] a reconstrução também da política para que tenhamos uma base de sustentação ainda maior, como a de termos maioria na Câmara, maioria no Senado, ter o máximo de governadores eleitos. Até abril, teremos aí muitas definições. Em 2022 [quando Lula foi eleito, depois de ter sido presidente por mais outras duas vezes] tivemos um momento muito tenso, tumultuado”.
Em 2022, Casagrande foi reeleito com apoio de Lula e de outras forças políticas, que vão da esquerda à direita, passando pelo centro-esquerda e centro-direita. Casagrande não poderá se candidatar ao cargo de governador no próximo e a tendência é que ele seja candidato ao Senado.
Do grupo político de Casagrande, porém, dois nomes, segundo ele próprio, pleiteiam disputar a sua sucessão: o vice-governador Ricardo Ferraço (MDB) – que tem mais chance, sobretudo, por conta de sua posição de segundo colocado nas pesquisas de intenções de voto – e o prefeito de Vila Velha, Arnaldinho Borgo (sem partido).
Sobre a participação do Espírito Santo no cenário eleitoral de 2026, o ministro do Desenvolvimento e Assistência Social, Família e Combate à Fome ressaltou a liderança de Renato Casagrande para a “organização” política”: “Aqui no Estado, que é liderado pelo governador Casagrande, há também um conjunto de líderes que são referências para essa construção. Conhecem como ninguém a realidade do Espírito Santo e, é claro, todos vão dialogando. A meta é ampliar [a aliança] para que a gente tenha uma base sólida com o compromisso com o Brasil”, disse Wellington Dias.
De forma descontraída, o ministro chamou Renato Casagrande de “presidente do Sindicato dos Governadores”, frisou que conhece o líder capixaba há vários anos e denominado de “ótima” a gestão de Casagrande à frente do Executivo Estadual: “Casagrande é um dos maiores líderes do nosso País, um ótimo governador”, frisou Wellington Dias, que foi, por quatro vezes, governador do Piauí.
Os quatro parlamentares do PT compareceram ao evento em Pedra Azul: os deputados federais Helder Salomão e Jack Rocha e os deputados estaduais João Coser e Iriny Lopes. Também compareceu a ex-senadora Rose de Freitas (MDB), além de e outras lideranças políticas – como prefeito e vereadores – e empresariais.
Sobre a declaração do ministro Wellington Dias, Renato Casagrande ponderou, afirmando que, como não vai ser candidato ao governo do Estado, caberá ao candidato à sua sucessão coordenar as alianças. Ele, no entanto, ressaltou a forte parceria que tem com o governo do presidente Lula:
“Naturalmente, nós temos hoje uma boa parceria com o Governo Federal e estamos deixando essas decisões todas para o ano que vem, mas vamos depender muito daquilo que vai acontecer, se eu saio para ser candidato ao Senado ou não. Em março, o nosso candidato a governador vai ter que coordenar todo esse trabalho”.
No dia 24 de setembro deste ano, o presidente nacional do PT, Edinho Silva, deu aval para que o deputado Helder Salomão construa a sua pré-candidatura ao Governo do Espírito Santo, nas eleições de 2026. Entretanto, Edinho deixou claro que a palavra final será do presidente Lula, que é forte aliado do Renato Casagrande.



