“Como bem pontuou o Ministério Público Militar, após circunstanciar a cruel empreitada delituosa do representado, a gravíssima ação delituosa, além de violadora dos direitos humanos e produtora de efeitos psicossociais devastadores na vítima, ofende, indubitavelmente, o pundonor, o decoro e a ética militares, previstos no art. 28 do Estatuto dos Militares”, pontua o ministro José Coêlho Ferreira (Foto) em seu voto.
Ainda, segundo o relator, “trata-se, portanto, de crime de natureza infamante.” A prática de delito sexual atinge, diretamente, a honra do oficial, com reputação negativa no seio da Instituição a que pertence e provoca repercussões nocivas à hierarquia e à disciplina militares, tornando-se, por razões óbvias, difícil sua acomodação funcional em qualquer Unidade de sua Força Armada. Os demais ministros do STM acompanharam, por unanimidade, o voto do relator.
Guimbas de cigarro ajudaram a polícia a identificar acusado e concluir inquérito, explica delegada
Guimbas de cigarro deixadas no canteiro da Delegacia de Atendimento à Mulher (Deam), em Jacarepaguá, Zona Oeste, foram responsáveis por identificar o capitão-de-corveta da Marinha André Charmarelli Teixeira. Ele já era suspeito de praticar o crime contra uma vizinha. O estupro ocorreu em abril de 2018 e o oficial foi preso em 24 de setembro do mesmo ano. Em depoimentos à Polícia Civil, ele sempre negou qualquer envolvimento. Indícios levaram agentes a recolher as guimbas e encaminhá-las para o Instituto de Pesquisa em Genética da Polícia Civil, que atestou a compatibilidade do DNA entre os vestígios encontrados no local e na saliva.
“Ele já vinha sendo considerado suspeito de ser o autor do estupro e chegou a ser ouvido. Mas, na presença do advogado, negava qualquer envolvimento. Só que ele é fumante e deixou guimbas que foram usadas no exame, confrontando com o sangue encontrado no apartamento”, explicou a delegada titular da Deam, Rita de Cássia Salim.
“Chamamos ele aqui na delegacia, perguntamos se ele poderia oferecer material (carregador), já que existia essa dúvida. Ele se negou. E aí, ele é fumante, fumou vários cigarros aqui, do lado de fora da delegacia, na porta da delegacia. E aí depois que ele foi embora, os policiais arrecadaram todas as guimbas de cigarro que continham a saliva dele e mandamos para pesquisa de DNA. Nós fizemos, na verdade, um confronto entre o vestígio encontrado no local, o sangue, e a saliva da guimba de cigarro”, completou a delegada, na ocasião.
No dia 18 de abril de 2018, após a vítima entrar em luta corporal com o capitão, o carregador da arma caiu dentro do vaso do banheiro. Sem o carregador, o invasor fugiu. A vítima pediu ajuda em grupo do condomínio no WhatsApp, e o próprio capitão ofereceu ajuda.
"Ele disse no grupo que era na Marinha, que está armado, 'vou aí te ajudar'. Só que na verdade ele só queria voltar para resgatar o carregador que ele tinha perdido. O carregador dele é numerado. Certamente, com aquele carregador, a polícia acharia ele muito rápido", contou na época o promotor de Justiça Alexandre Murilo.
A vítima reconheceu a voz do vizinho prestativo como sendo a do estuprador. Os policiais militares que atenderam ao chamado levaram todos para a Delegacia da Mulher. "Ela teve a certeza que era ele, quando ele pegou o carregador no vaso sanitário", disse a delegada Rita de Cássia.