Presidente da Assembleia Legislativa e dirigente máximo do União Brasil no Espírito Santo, o deputado estadual Marcelo Santos tem mantido uma coerência em suas decisões e escolhas políticas desde o início de sua trajetória política, em 1996 quando assumiu o cargo de vereador de Cariacica. Em 2003, Marcelo entrou para a Ales como deputado e nunca perdeu uma eleição.
Reeleito em 2022 com 41.627 votos, Marcelo Santos sabe o que quer para o futuro do Espírito Santo. Ele integra grupo liderado pelo governador Renato Casagrande (PSB) e não abre mão da escolha. Por isso, Marcelo já declarou apoio à pré-candidatura do vice-governador Ricardo Ferraço (MDB) na eleição de outubro de 2026 para o comando do Executivo Estadual e do próprio Casagrande e do prefeito de Cariacica, Euclério Sampaio (MDB), ao Senado Federal.
Marcelo Santos, inclusive, já convidou Euclério a voltar para o União Brasil, de onde o prefeito saiu por conta de divergências com a cúpula passada. No dia 23 de janeiro de 2025, Marcelo se reuniu, em Brasília, com presidente Nacional do partido e também da Federação União Progressista, Antônio de Rueda, para tratar da filiação de Sampaio ao União, com garantia de legenda para disputar o Senado, além da chegada do deputado federal Messias Donato ao União.
Na mesma reunião com Rueda, participaram também o governador e Ricardo Ferraço. Na época, o presidente da Ales reforçou apoio ao projeto político capitaneado por Renato Casagrande para as eleições de 2026.
O presidente da Ales não pára por aí. Na noite de terça-feira (14/10), em um evento realizado em Cariacica/Sede, Marcelo Santos declarou mais uma vez apoio a Ricardo Ferraço na disputa pela sucessão de Casagrande. Ele não economizou palavras: “Ricardo será o próximo governador do Espírito Santo”.
Este gesto reforça a sintonia política entre os dois e a força crescente do projeto liderado por Casagrande para tornar Ricardo Ferraço seu sucessor. Porém, irritou um porta-voz não oficial do PP, o deputado federal Evair de Melo – o PP faz federação com o União Brasil. Em entrevista à coluna Plenário, de A Tribuna, Evair protestou:
“Na prática não é bem assim. Estamos ‘federados’, e quem fala pela federação é o Da Vitória. Eu e ele somos dois deputados do PP e precisamos ser considerados nesse debate. Dentro da federação, essa posição do Marcelo não é unanimidade. Existem outras frentes em discussão”.
O chororô de Evair de Melo é desproporcional e incoerente. A última palavra da Federação União Progressista é de seu presidente Nacional, Antônio de Rueda. Da Vitória comanda a federação, mas Marcelo Santos preside o União Brasil no Espírito Santo. E Marcelo já comunicou a Rueda com quem ele e o União vão caminhar em 2026.
Além do mais, Evair de Melo é mais uma vez incoerente e acha que só a vontade dele vai prevalecer. Evair tem andado o Estado levando a tiracolo o prefeito de Vitória, Lorenzo Pazolini (Republicanos), a quem apresenta como candidato a governador. Se Evair pode ter hoje um candidato ao Governo, porque Marcelo Santos, que preside um dos três Poderes do Espírito Santo, não pode?
Euclério Sampaio começou a receber apoio para disputar uma das duas vagas ao Senado em meados de setembro de 2025. Bem antes dessa decisão, em um almoço entre o governador Renato Casagrande, o vice Ricardo Ferraço, o presidente da Assembleia Legislativa, Marcelo Santos, o deputado federal Da Vitória – que estava também presente –, foi estimulado a decidir logo por sua candidatura ao Senado. O deputado federal, entretanto, declinou, afirmando que aquele ainda não era o momento de decidir seu futuro político.
Pronto: diante da incerteza do Da Vitória, Euclério Sampaio foi ganhando espaço e hoje a sua pré-candidatura é uma realidade. “O problema do deputado Da Vitória é que ele sinaliza uma direção, mas vai para outra. Aderiu ao estilo do ex-governador Paulo Hartung. Isso é péssimo para um político. Por isso, na verdade, ele vai mesmo para a reeleição”, comentou um deputado federal.
Outro exemplo da coerência de Marcelo Santos ocorreu em 2014. Naquele ano, Renato Casagrande exercia seu primeiro mandato de governador e decidiu disputar a reeleição. Marcelo era do PMDB – que depois viraria MDB – e declarou apoio a Casagrande. Depois do anúncio do apoio, porém, o ex-governador Paulo Hartung, que até então era do PMDB, entrou na disputa e acabou ganhando seu terceiro mandato.
Marcelo foi cobrado pela direção do partido a pular do barco de Casagrande e abraçar a candidatura de Hartung. O presidente da Assembleia Legislativa manteve sua palavra e foi com Casagrande até o fim. Uma aliança que perdura para os próximos anos também.



