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“Neymar, prefeito oportunista, invadiu a avenida, teatro, exagero”. Esses são alguns termos atribuídos ao prefeito de Vitória, Lorenzo Pazolini (Republicanos), e postados em redes sociais de três veículos de comunicação do Espírito Santo depois da confusão supostamente criada por seguranças da Prefeitura, na madrugada de domingo (23/02), durante desfile da Mocidade Unida da Glória (MUG), no Sambão do Povo, no último dia de desfile das escolas de samba da Grande Vitória.

Na avenida, enquanto ficava com seu celular na mão, gravando vídeo e áudio, para provocar o subsecretário de Estado da Casa Militar, coronel PM Sérgio Luiz Anechini, o prefeito quase levou um “golpe” no rosto, desferido por outra vítima da truculência de seguranças, que segurava uma camisa rasgada nas mãos. A cena patética, gravada por dezenas de pessoas que assistiam ao desfile, mostra Pazolini se jogando ao chão depois do “golpe” da camisa e virou notícia na imprensa capixaba e nacional como se, de fato, o anfitrião do Carnaval tivesse sido “gravemente agredido”. Conforme mostrou em primeira mão o ‘site’ Blog do Elimar Côrtes, a única vítima do episódio é o coronel Anechini, agredido com um golpe ‘mata-leão’ por seguranças do prefeito.

Nas redes sociais, entretanto, Pazolini apanhou de verdade, conforme mostra pesquisa feita pelo Candela Estratégia e Comunicação Política. Após a polêmica envolvendo o prefeito de Vitória, Pazolini, o Candela analisou 1.361 comentários nas redes sociais para entender o impacto real da repercussão e como esse episódio pode afetar a imagem do prefeito. Foram pesquisadas as redes sociais do Gazeta Online, G1 e ES Hoje.

Os dados revelam um possível desgaste na trajetória de Pazolini e a análise de vieses destaca quais aspectos que mais chamaram a atenção do público e como a percepção geral se formou em torno do ocorrido. Conforme explica a consultora de Estratégia e Comunicação Política Ananda Miranda, além da análise quantitativa dos comentários, “é fundamental compreender os principais vieses narrativos que emergiram em cada categoria de sentimento. Dessa forma, conseguimos identificar quais aspectos do episódio mais chamaram a atenção do público e como a percepção geral se formou em torno do ocorrido.

Pelo menos 49,30% dos comentários são negativos para a atitude do prefeito Lorenzo Pazolini. Ao menos 671 pessoas entenderam que ele errou. Por outro lado, 12,64% (172) acharam que ele agiu “positivamente”. E, 38,06% (518) dos comentários optaram, por ficar neutros.

A maior parte das críticas, segundo o Candela, girou em torno da ideia de que o prefeito Lorenzo Pazolini estaria buscando autopromoção. Muitos o acusaram de exagerar a situação, ridicularizando sua reação ao incidente – comparações com o jogador Neymar, agora no Santos, e classificando sua presença na avenida do desfile como inoportuna.

No momento em que Pazolini saiu pelos espaços com o celular na mão para filmar o coronel Anechini, a MUG desfilava muito bem na avenida. O prefeito da Capital virou as costas para uma das mais tradicionais escola de samba capixaba.

No aspecto positivo, os comentários destacam, principalmente, a postura do prefeito diante de uma agressão relatada, além de críticas à atuação do Governo Estadual e ao suposto privilégio que o coronel tentou ter – carteirada. Alguns usuários enxergaram o episódio como um ataque político a Pazolini e comentários registram que a confusão prejudicou a festa.

“Pano de prato”: Muitos ridicularizam a forma como o prefeito Pazolini reagiu ao ser ‘atingido’ pela camisa, mencionando que foi exagerado. “Prefeito oportunista”. Há ainda críticas de que Pazolini reagiu apenas para gerar mídia e se promover politicamente.

“Invadiu a avenida”: Uma crítica recorrente foi a de que Pazolini não deveria estar no local no momento do desfile e que sua presença atrapalhou o evento.

“Teatro” e “Exagero”: Comentários acusam o prefeito de Vitória de dramatizar a situação para ganhar engajamento.

Ao analisar o relatório dos comentários, Ananda Miranda entende que o episódio envolvendo o prefeito Lorenzo Pazolini durante o desfile das escolas de samba tem potencial para representar um desafio de imagem em sua trajetória política. Com quase 50% dos comentários negativos, a repercussão geral do caso parece ter sido amplamente desfavorável ao prefeito, gerando um volume expressivo de críticas e questionamentos sobre sua conduta e sobriedade que o cargo existe. A principal linha adotada pelos críticos foi a de que Pazolini tentou transformar uma possível agressão a uma funcionária em uma oportunidade de autopromoção e acabou se tornando alvo de chacota.

Para Ananda Miranda, “a comparação com simulação no futebol foi recorrente entre os comentários negativos, que também reforçaram a ideia de que o prefeito teria ocupado um espaço destinado ao desfile das escolas de samba, sem necessidade. Por outro lado, a base de apoio do prefeito adotou um discurso combativo, argumentando que Pazolini é vítima de uma retaliação política e que sua postura firme contra figuras ligadas ao governo estadual demonstra coragem. Esse grupo acredita que a exposição pode até mesmo consolidar seu eleitorado mais fiel, ao reforçar sua imagem de adversário direto do governador Renato Casagrande.”

Ainda assim, prossegue a analista, o número significativo de comentários neutros indica que parte do público viu a confusão como apenas mais um embate político entre grupos rivais. Isso pode sugerir que, para uma parcela da população, o acontecimento pouco altera sua percepção sobre o prefeito, mas para os que já viam sua postura com desconfiança, esse foi um evento que reforça essa percepção.

No saldo final, a confusão levantou dúvidas sobre as reais intenções do prefeito. O episódio pode servir como um termômetro para medir a vulnerabilidade de Lorenzo Pazolini perante críticas, especialmente em um cenário onde disputas políticas no Espírito Santo se intensificam.