A Procuradoria-Geral da República (PGR) estabeleceu, pela primeira vez desde o início das investigações, uma conexão direta entre a trama golpista articulada por aliados do ex-presidente Jair Bolsonaro (PL) e os atos violentos de 8 de janeiro de 2023. Naquele dia, manifestantes inconformados com o resultado das eleições de 2022, que elegeu Luiz Inácio Lula da Silva (PT) no segundo turno do pleito de 2022, invadiram e vandalizaram as sedes dos Três Poderes, em Brasília, resultando em um cenário de caos e destruição no coração político do Brasil. As informações foram divulgadas pelo portal UOL.
O ‘site’ informa que o procurador-geral da República, Paulo Gonet, detalhou essa ligação em um documento sigiloso enviado ao Supremo Tribunal Federal (STF) em junho deste ano. O relatório representa um marco nas investigações, ao sugerir que as ações dos acusados na tentativa de golpe de Estado não foram apenas atos isolados, mas sim parte de uma estratégia orquestrada por apoiadores de Bolsonaro.
O procurador-geral teria apontado ainda a possibilidade de que os envolvidos possam ser responsabilizados financeiramente pelos danos causados aos cofres públicos. O valor estimado dos prejuízos gira em torno de R$ 26 milhões, referentes à destruição de patrimônio público durante a invasão ao Congresso Nacional, ao STF e ao Palácio do Planalto.
“Os elementos de convicção até então colhidos indicam que a atuação da organização criminosa investigada foi essencial para a eclosão dos atos depredatórios ocorridos em 8.1.2023”, escreveu Gonet, no documento apresentado no âmbito do inquérito da Polícia Federal (PF), de acordo com o UOL.
Os atos de 8 de janeiro ocorreram apenas uma semana após a posse do presidente Lula, em um momento de tensão política exacerbada. Simpatizantes do governo anterior, inconformados com a derrota de Bolsonaro nas urnas, promoveram um ataque sem precedentes às instituições democráticas do País, causando choque tanto no Brasil quanto internacionalmente. O próximo passo será a avaliação do STF sobre as provas apresentadas pela PGR, que podem redefinir os rumos do processo e suas implicações políticas e jurídicas.



