Economia

Caso Apex: galpão na Serra foi estopim da crise envolvendo Fernando Cinelli

Elimar Cortes 14 de Outubro de 2026 2 min de leitura
Caso Apex: galpão na Serra foi estopim da crise envolvendo Fernando Cinelli

Uma das situações que mais chamam atenção desde que o caso Apex Partners S/A veio à tona, em agosto deste ano, é a gravidade da operação feita por Fernando Cinelli - ex-presidente da Companhia - envolvendo o Apex Log, galpão logístico construído no bairro Pitanga, na Serra, com 36 mil m2 de área bruta locável e que consumiu R$ 118 milhões. Neste caso, são mais de 70 investidores que colocaram o dinheiro para tirar o negócio do papel, prejudicados por uma operação duvidosa realizada por Cinelli.

A Apex é o chamado sócio ostensivo, foi responsável pela captação dos recursos e pela gestão da operação. Em julho, o aluguel pago pelo espaço, que até o mês anterior parava direto no bolso dos investidores, foi para a conta do Banco Daycoval, instituição que havia feito um empréstimo para a Apex. Acionistas da própria Apex, alguns deles investidores do galpão, acharam a situação estranha e foram apurar (informações que foram publicadas hoje na coluna do jornalista Abdo Filho, de A Gazeta).

E é justamente aí que mora o problema: o galpão foi dado como garantia em um empréstimo de R$ 57,3 milhões feito pela Apex junto ao Banco Daycoval. Em seguida, os aluguéis do galpão foram dados em garantia em outro empréstimo - operação que contratualmente não poderia ser feita, mas ocorreu porque Cinelli era o gestor do galpão. Na prática funcionou assim: 70 investidores que não têm nada a ver com o empréstimo passaram a responder pela dívida de R$ 57,3 milhões. O medo maior é que o Daycoval, credor da Apex, execute a garantia fiduciária que lhe é de direito e eles nunca mais vejam a cor do dinheiro que foi investido na construção do Apex Log.

O nó não acaba por aí. Cinelli deu o galpão como garantia também em outra operação, desta vez com o Sicoob. Tudo isso está sendo debatido no âmbito do processo de recuperação judicial que tramita na Vara de Falências de Vitória.

Até agosto e desde sua fundação, há 13 anos, a Apex Parterns S/A era presidida por Fernando Cinelli. Ele encontra-se afastado do cargo após apurações internas realizadas pela Companhia e está com os bens bloqueados e o sigilo bancário quebrado. A apuração feita pela Apex Partners identificou inconsistências financeiras e gestão temerária.

O caso do galpão chamou atenção dos sócios e foi um dos motivos para que as apurações internas fossem realizadas. Como resultado, a empresa entrou com um pedido de recuperação judicial, que está sob análise da Justiça. Cinelli está com os bens bloqueados e seu sigilo bancário foi quebrado. A Justiça apura, a pedido da Apex, R$ 23 milhões desviados para as contas de Cinelli sem lastro.