Ele foi alvo de mandado de busca e apreensão numa diligência feita pelo Gaeco. O celular do membro do Ministério Público Estadual foi apreendido. No relato, a moça informou que sofria agressões físicas e psicológicas. E que o promotor de Justiça mandava para ela, por meio de aplicativos no celular,
Um promotor de Justiça foi alvo de um mandado de busca e apreensão em seu apartamento, em Vila Velha, no âmbito de um Inquérito em que ele é acusado de perseguição e agressão física e psicológica a uma ex-namorada. As investigações estão sendo conduzidas pela Procuradoria-Geral de Justiça do Ministério Público do Estado do Espírito Santo, por causa de prerrogativa de foro do promotor de Justiça. Ele é investigado por crimes relacionados à Lei Maria da Penha e teve o celular apreendido e foi notificado sobre uma Medida Protetiva de Urgência (MPU) determinada pela Justiça contra ele.
O nome do promotor de Justiça está sendo preservado porque a investigação ainda está em curso e também para preservar a identidade da vítima, que é servidora em cargo comissionado no Governo do Estado. O Inquérito é presidido pela subprocuradora Judicial da Procuradoria-Geral de Justiça, Andréa Maria da Silva Rocha. Ela pediu e o desembargador Fábio Brasil, do Tribunal de Justiça, concedeu a decisão para realizar a apreensão do equipamento e conceder a medida de segurança para a vítima. O magistrado também autorizou o cumprimento do mandado de busca e apreensão na residência do promotor de Justiça, o que foi feito na quinta-feira (08/10). A ordem foi cumprida pelo Grupo de Atuação Especial de Combate ao Crime Organizado (Gaeco) e teve acompanhamento do procurador de Justiça Sócrates de Souza.
Na Medida Protetiva de Urgência, o desembargador Fábio Brasil determina quer o promotor de Justiça está impedido de se comunicar e de se aproximar da ex-namorada, sob pena de ser preso por desobediência.
A ex-namorada do promotor de Justiça procurou o Ministério Público e relatou que há alguns meses passou a ser perseguida pelo ex-namorado. Um dos crimes investigados é o ‘stalking’, que que significa "perseguir", "aproximar-se silenciosamente", "atacar". Ou seja, o stalking é a prática de atos que um determinado sujeito comete invadindo a intimidade da vítima, coagindo, perturbando e ameaçando a sua liberdade, ao ponto de exercer sobre esta influência emocional.
No relato ao Gaeco, a moça informou que sofria agressões físicas e psicológicas. E que o promotor de Justiça mandava para ela, por meio de aplicativos no celular, fotos dele nu. A perseguição e as agressões, segundo a vítima, teriam começado em novembro de 2025, quando ela decidiu romper o namoro.
A moça denunciou também que o promotor de Justiça teria feito ingerência junto ao Governo do Estado para que ela fosse demitida do cargo que ocupa na Secretaria Estadual do Meio Ambiente. O governo, no entanto, não atendeu o pedido do acusado.
No cumprimento do mandado de busca e apreensão, os promotores de Justiça do Gaeco apreenderam o celular do acusado. Por meio de perícia, eles esperam encontrar mais provas contra o colega.
Outro lado
O Blog do Elimar Côrtes encaminhou demanda à Assessoria de Imprensa do Ministério Público Estadual pedindo uma manifestação do procurador-geral de Justiça, Francisco Berdeal, sobre o assunto. Até a publicação desta reportagem, no entanto, a resposta não havia sido enviada. O espaço está aberto.