O corpo do juiz Gustavo de Castro Campos, do Tribunal de Justiça de São Paulo, foi encontrado carbonizado dentro de um carro que estava em chamas, por volta das 19h15 de quarta-feira (07/10), na área rural de São João da Boa Vista, no interior paulista. Gustavo, que já foi advogado, delegado de Polícia Civil capixaba e juiz de Direito do Tribunal de Justiça do Espírito Santo, atuava na Comarca de Mococa. A Polícia Civil paulista trabalha com a hipótese do magistrado ter sido vítima de assassinato, pois no carro foram encontradas marcas de tiros.
De acordo com a Polícia Militar paulista, o corpo do juiz Gustavo Campos foi encontrado por trabalhadores rurais que estavam em uma retroescavadeira e utilizaram terra para apagar as chamas. Dentro do veículo, foi encontrada uma Carteira Nacional de Habilitação em nome do magistrado. A Polícia Militar e o Corpo de Bombeiros atenderam à ocorrência. O veículo estava em uma área pertencente a uma fazenda.
A ocorrência foi registrada por volta das 20h30. O Corpo de Bombeiros foi acionado para combater as chamas e, após o incêndio ser controlado, o corpo foi localizado no interior do automóvel, que ficou completamente destruído pelo fogo.
Segundo informações obtidas no local, o veículo havia sido percebido em chamas por um trabalhador que atuava nas proximidades. Na tentativa de conter o incêndio, ele utilizou uma retroescavadeira para lançar terra sobre o automóvel.
Equipes da Polícia Militar, Polícia Civil, por meio da Delegacia de Investigações Gerais (DIG), Corpo de Bombeiros e Polícia Científica estiveram na Estrada da Fazenda Aliança para atender à ocorrência e realizar os procedimentos necessários.
Diante das circunstâncias da ocorrência, a DIG, uma unidade especializada da Polícia Civil de São Paulo, vinculada estruturalmente ao Departamento Estadual de Investigações Criminais (DEIC) na capital e presente também nas Delegacias Seccionais do interior do Estado, trabalha para esclarecer a causa da morte e a dinâmica dos acontecimentos. Uma das possibilidades investigadas é a ocorrência de homicídio. Até o momento, porém, não há confirmação oficial sobre a motivação ou eventual autoria.
Informações preliminares indicam ainda que o veículo apresentava marcas compatíveis com perfurações provocadas por disparos de arma de fogo. O dado deverá ser confrontado com os resultados da perícia e com os demais elementos reunidos pelos investigadores.
A Polícia Científica realizou a perícia no local. Na vistoria do veículo, um galão com forte odor de gasolina foi encontrado próximo aos pedais. Segundo o registro da Polícia Militar, o corpo de Gustavo também apresentava forte odor de gasolina. De acordo com a polícia, não havia indícios de subtração de objetos do veículo. A aliança permanecia no dedo do juiz e a carteira estava no console da porta.
Gustavo Campos foi identificado por meio de uma tatuagem no lado esquerdo do abdômen e pela conferência dos documentos pessoais encontrados na carteira. As informações levantadas até o momento indicam que o incêndio teria ocorrido após os fatos que resultaram na morte da vítima. A investigação deverá apurar toda a dinâmica do caso, incluindo a eventual existência de crime, sua motivação e possível autoria.
Quem era o magistrado
De acordo com o perfil profissional, Gustavo de Castro Campos era formado em Direito pelo Centro Universitário Braz Cubas, de Mogi das Cruzes (SP), e possuía duas especializações.
Ele trabalhou como advogado por 10 anos e, depois, delegado da Polícia Civil do Espírito Santo, em 2014, mesmo ano em que passou a atuar como juiz substituto na Justiça capixaba. Há 12 anos, ele integrava os quadros TJSP e já atuou como juiz nas Comarcas de Tambaú, Leme e Mococa — onde estava atualmente.
Processo por “humilhar” advogado arquivado
O apurou que o juiz Gustavo de Castro Campos já foi processado por suposta ofensa à honra de um advogado. O Órgão Especial do Tribunal de Justiça de São Paulo concluiu que acusação não se sustentava e arquivou o caso. Segundo os autos do processo, o reclamante teria práticas inadequadas durante julgamento, tendo sido condenado em 1º grau por crime de desacato praticado contra um juiz.
A situação foi a seguinte: o magistrado questionou o advogado durante um julgamento: “Qual técnica o senhor está empregando aí? A técnica de onde isso aí?”. Na sequência, defensor disse: “Vamos começar a trabalhar direito, pô”. O juiz rebate: “Eu trabalho já 51 anos”. Nesse momento, o advogado sugeriu: “então, faça então. Então, faça direito. Ou se aposenta logo, está fazendo um péssimo trabalho aqui”.
Para o TJSP, ficou constatado o “comportamento provocativo” do advogado e que o juiz Gustavo de Castro Campos também é um ser humano que “em situações extremas, perde a paciência quando se depara com comportamentos inconvenientes”.