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No dia 1º deste mês, em convenção realizada em Vila Velha, o Partido Liberal (PL) oficializou a candidatura de Magda Santos Malta, conhecida como Maguinha Malta, para a disputa de uma das duas vagas ao Senado Federal pelo Espírito Santo. Ao mesmo tempo, o partido, presidido no Estado pelo pai de Maguinha, o senador Magno Malta, confirmou apoio ao ex-prefeito de Vitória, o delegado de Polícia Lorenzo Pazolini (Republicanos), ao Governo Estadual.

Embora seja formada em Publicidade, tenha trabalhado como assessora parlamentar de aliados do pai, Maguinha não tem uma  verdadeira ficha de serviços prestados ao Espírito Santo. Mesmo assim, ela e seu pai acreditam que a moça, que é solteira, possa ser eleita senadora, um dos cargos de maior envergadura da República e que exige bastante responsabilidade, firmeza e, sobretudo, experiência política e administrativa – algo, que, convenhamos, a moça, apesar de seus 42 anos de idade a serem completados no dia 24 de agosto de 2026, ainda está longe de alcançar, pois nunca teve necessidade de trabalhar de verdade, como faz a maioria dos brasileiros.

A pretensão do senador, que sempre trabalha em prol de sua própria família, quer agora emplacar sua outra filha, Magna Karla Santos Malta Campos, conhecida como Karlinha Malta, como candidata a vice na chapa liderada pelo ex-prefeito de Vitória, o delegado de Polícia Civil Lorenzo Pazolini (Republicanos), candidato a governador do Espírito Santo. Tal qual a irmã, Karla Malta também não tem lá aquela competência e experiência para o cargo de Vice-Governadora do Estado.

Pazolini está com dificuldade em encontrar um bom nome para compor sua chapa como vice. Para o Senado, ele já tem Maguinha Malta e o deputado federal Evair de Melo, que saiu do PL de Magno Malta e foi para o Republicanos do ex-prefeito de Vitória. Pazolini tinha o nome da primeira-dama de Colatina, a médica Lívia Vasconcelos, que chegou a ser cotada a vice do ex-prefeito. No entanto, o PSD, presidido no Estado pelo prefeito colatinense e marido de Lívia, Renzo Vasconcellos, decidiu ficar neutro na disputa ao Governo do Estado.

O partido lançou, porém, o deputado estadual Sérgio Meneguelli (PSD) para o Senado. O ex-prefeito de Linhares Guerino Zanon, outro nome “namorado” por Pazolini, não pode mais disputar a eleição deste ano, pois seu partido, o PSD, vai ficar neutro. E Guerino disse que sairá da legenda para apoiar Pazolini sem entrar na disputa oficialmente.

Nesse vácuo, Magno Malta, que está com Maguinha Malta a passeio em Israel, agiu rápido e mandou recado para Pazolini e ao presidente Estadual do Republicanos, o ex-deputado estadual Erick Musso: quer a vice para sua filha Karla. De acordo com interlocutores, Magno tem certeza que Lorenzo Pazolini aceitará a proposta, pois já tem uma mulher, a empresária Cris Samorini, na sua trajetória: de vice-prefeita do delegado de Polícia, Cris é agora a primeira prefeita da Capital do Espírito Santo.

A sede de poder de Magno Malta, no entanto, pode prejudicar os planos dele e de seu PL. Desde que iniciou a carreira política, em 1993, quando foi eleito vereador em Cachoeiro de Itapemirim, pelo PTB, Magno sempre integrou partidos que estiveram atrelados aos poderosos. O PTB apoiou o então presidente da República, Fernando Collor de Mello, que em setembro de 1992 sofreu impeachment. Depois, a legenda esteve no governo do presidente Itamar Franco, que era vice de Collor.

Posteriormente, Magno esteve com o presidente Fernando Henrique Cardoso (PSDB) nos dois mandatos. Magno Malta trocou diversas vezes de partidos, mas apoiou os dois primeiros mandatos do presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT); o primeiro e parte do segundo governo da presidente Dilma Houssef (PT), que sofreu impeachment; do presidente Itamar Franco  (MDB); e, só em 2018, quando veio o sucesso do bolsonarismo, decidiu abraçar Jair Bolsonaro, que foi eleito presidente.

Para alguns aliados de Magno Malta e outros ligados a Lorenzo Pazolini, o senador sai fragilizado do acordo com o ex-prefeito de Vitória. Pior: sua filha Maguinha Malta dificilmente será eleita, pois o Republicanos, agora com Evair de Melo, e o PSD, lançando o deputado estadual Sérgio Meneguelli, atrapalharão com certeza a filha caçula do senador.

“Magno Malta aceitou a aliança com Pazolini, com ordem vinda de Brasília, com a garantia de que somente sua filha Maguinha fosse ter a força dos Republicanos na eleição ao Senado. Quebrou a cara: Evair de Melo e Meneguelli, juntos, vão atropelar a filha do senador”, comentou um aliado de Magno.

“O senador aceitou vender o PL para Pazolini, Erick e Hartung”, completou outra fonte, referindo-se também ao presidente Estadual do Republicanos, Erick Musso, e ao ex-governador Paulo Hartung (PSD), que já declarou apoio a Pazolini, mesmo com o ex-prefeito de Vitória tendo vergonha de ser fotografado ao seu lado.