O Tribunal do Júri de Cariacica condenou dois dos quatro acusados de matarem a tiros os policiais militares Paulo Eduardo Oliveira Celini e Bruno Mayer Ferrani, numa emboscada. Érica Lopes Ferreira e Eduardo Bonfim Meireles pegaram penas que somam mais de 225 anos de prisão, em regime inicial fechado, pela prática de diversos crimes. Os jurados acolheram a tese apresentada pelo Ministério Público do Estado do Espírito Santo (MPES).
A condenação foi proferida pelo Tribunal do Júri de Cariacica, em sessão realizada iniciada na terça-feira (02/06) e encerrada na madrugada desta quarta-feira (03/06). Durante o julgamento, os promotores de Justiça Bruno Lima e Helaine Pimentel sustentaram as teses apresentadas na denúncia oferecida pelo MPES. Ao final, a acusada Érica Ferreira foi condenada a 99 anos e 11 meses de reclusão, enquanto Eduardo Meireles recebeu pena de 125 anos e 9 meses de reclusão. Somadas, as penas dos dois chegam a 225 anos e 8 meses.
Os dois foram condenados pelos crimes de homicídio quadruplamente qualificado — praticado contra policiais militares no exercício da função, com emprego de arma de fogo de uso restrito, com o objetivo de assegurar a ocultação de outros crimes e mediante emboscada —, associação criminosa armada, porte ilegal de arma de fogo de uso restrito, roubo, tentativa de latrocínio e furto qualificado. Além disso, Eduardo Meireles por uso de documento falso. Érica Ferreira foi absolvida pela posse de droga para consumo pessoal, a pedido do Ministério Público.
Outros dois envolvidos no caso ainda aguardam julgamento: Eric da Silva Ferreira, que permanece preso preventivamente, e Luana de Jesus Luz, que responde ao processo em liberdade provisória. Ambos aguardam o julgamento de recurso.
Entenda o caso
Os crimes ocorreram na madrugada de 16 de outubro de 2022, no bairro Santa Bárbara, em Cariacica. Segundo a denúncia, os quatro acusados saíram de um churrasco em Vila Velha e seguiam em um veículo Volkswagen Fox branco pela Rodovia Leste-Oeste. Durante o trajeto, o grupo encontrou um Fiat Argo parado às margens da via devido a um pneu furado. Aproveitando-se da situação de vulnerabilidade das vítimas, os acusados realizaram o assalto, roubaram o telefone celular do motorista e a chave do veículo. Durante a ação criminosa, uma das vítimas também foi atingida por disparos de arma de fogo.
Avisados do roubo, os dois policiais militares Paulo Eduardo Oliveira Celini e Bruno Mayer Ferrani, que estavam na guarnição 4493, saíram em perseguição aos criminosos. Na fuga, os bandidos atiraram na direção da viatura. Os policiais acabaram sendo baleados na cabeça e no peito. Os dois policiais foram enterrados com honras militares.
Conforme apurado durante a investigação e reconhecido pelo Conselho de Sentença do Tribunal do Júri de Cariacica, o réu Eduardo Bonfim Meireles conseguiu sair do veículo sem ser percebido pelos policiais, posicionando-se atrás do veículo, em uma posição tática de superioridade para efetuar os disparos com os demais integrantes do grupo. Os militares foram socorridos pelo Serviço de Atendimento Móvel de Urgência (Samu) e encaminhados ao Hospital Meridional, em Cariacica, mas não resistiram aos ferimentos.



