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Vereadores de diferentes correntes políticas na Câmara Municipal de Vitória protagonizaram um momento incomum ao convergirem em críticas ao senador Marcos Do Val (Podemos) durante sessão realizada nesta quarta-feira (25/03). As manifestações ocorreram em meio à repercussão sobre a instalação de uma base tecnológica da Guarda Municipal na região da Enseada do Suá. As críticas à inicativa eleitoreira do senador uniu partidos que, geralmente, se divergem em tudo: o PT, do presidente Luiz Inácio Lula da Silva,  e o PL, do ex-presidente Jair Bolsonaro.

Pretencioso, o senador chama o projeto de PRO-SEG, afirma tratar-se de uma ação  inovadora na área de segurança pública que incorpora tecnologia de ponta no combate ao crime. Marcos do Val esquece, no entanto, que o Espírito Santo já possui dentro do Programa Estado Presente em Defesa da Vida o Certo Integrado e Inteligente, que conta com as mais modernas ferramentas de tecnologia. O próprio município de Vitória conta também o seu Cerco Inteligente da Central de Videomonitoramento, o primeiro instalado no Estado na gestão do prefeito Luciano Rezende (Cidadania).

O vereador Armandinho Fontoura (PL)  criticou o desperdício de dinheiro público com a base da guarda. “Agora ele [Marcos do Val] vem fazer firula, ele está fazendo um estelionato eleitoral trazendo uma ‘boate azul’, uma vergonha com recurso público. E ele não vai arrumar partido para ser candidato à reeleição e, por isso, está desesperado”, afirmou.

A vereadora Karla Coser (PT) afirmou que já havia questionamentos anteriores sobre a atuação do senador. “A gente já dizia que Marcos Do Val não era bom para o Espírito Santo desde a sua pré-candidatura, em 2018. Agora vejo que ele tem dito que quem está criando uma Guarda Metropolitana. Isso é muito sério e deve ser investigado, porque não existe Guarda Metropolitana no Estado”, declarou a petista.

O vereador Darcio Bracarense (PL) também questionou a iniciativa e apontou ausência de informações formais. “Não existe qualquer tipo de informação acerca do tema. O terreno, que é público, foi alienado pela Prefeitura de Vitória para leilão, então isso pode ser apenas um ato eleitoral. Além disso, não existe nenhum ato normativo que crie uma Guarda Metropolitana”, afirmou. Ele acrescentou: “Portanto, é uma espécie de estelionato eleitoral”.

Já o vereador Leonardo Monjardim (Novo) disse ter buscado esclarecimentos sobre a origem da proposta. “Eu observei o release e procurei saber se tinha sido um erro da imprensa, mas me informaram que foi encaminhado pelo próprio gabinete do Senador. Quero entender o que significa dizer que o objeto foi adquirido pelo senador. Qual é o estudo que embasa essa escolha de local?”, questionou. Segundo Monjardim, a região já conta com estrutura policial próxima e a proposta carece de justificativa técnica. “Falar em Guarda Metropolitana é uma falácia, não existe juridicamente”, completou.

O vereador Professor Jocelino (PT) também se manifestou sobre o tema e mencionou questionamentos anteriores envolvendo o senador. “Eu oficiei o Supremo Tribunal Federal para verificar a situação de sanidade mental desse senhor [senador Marcos do Val]. Agora vemos uma grande divulgação sobre essa base e é preciso entender se isso é de fato relevante para a cidade ou mais uma ação sem planejamento”, disse.

A base “criada” pelo senador Marcos do Val é uma espécie de estrutura tecnológica da Guarda Municipal de Vitória que deverá ser inaugurada na quinta-feira (26/03), às 18h30. Fica na Rua Alfeu Alves Pereira, nº 60, nas proximidades da Terceira Ponte, na Enseada do Suá. De acordo com a Prefeitura, a escolha do local considera o alto fluxo na região e a necessidade de reforço na segurança.

Obra eleitoreira

A base da Guarda Municipal na Enseada do Suá é um ato eleitoreiro. No local, já existe a sede da 3ª Companhia do 1º Batalhão, inaugurada no dia 20 de abril de 2021. Fica num local estratégico, ocupando a estrutura do Quiosque 01 da Curva da Jurema. Foi o então líder comunitário da Praia do Canto, Armando Fontoura, o agora vereador Armandinho, quem apresentou o pedido para a Prefeitura construir a nova unidade. Na época da reivindicação, Vitória era administrada por Luciano Rezende.