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O presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) se reuniu na tarde de sexta-feira (16/01), no Rio de Janeiro, com a presidente da Comissão Europeia, Ursula von der Leyen, na véspera da assinatura do acordo entre a União Europeia e o Mercosul, marcado para este sábado (17/01) em Assunção, no Paraguai. Para o Palácio do Planalto, o encontro em território brasileiro tem peso político central, com Lula garantindo a chamada “foto da vitória” marcando seu protagonismo para selar um entendimento negociado ao longo de mais de 20 anos.

A previsão era que o acordo tivesse sido assinado ainda no ano passado, quando Brasil estava na presidência do Mercosul. Com o atraso na aprovação do tratado, a assinatura ficou para este ano, quando o Paraguai sucedeu o Brasil na liderança do bloco.

“O acordo que vai ser assinado amanhã em Assunção, no Paraguai, é bom para o Brasil, é bom para o Mercosul, é bom para a Europa. E é bom, e muito bom, sobretudo para o mundo democrático e para multilateralismo”, disse o presidente Lula, após breve reunião com Ursula von der Leyen.

A presidente da Comissão Europeia, Ursula von der Leyen, afirmou que o acordo entre a União Europeia e o Mercosul abre caminho para projetos conjuntos em terras-raras, insumos importantes para a transição energética e novas tecnologias.

A afirmação foi feita após reunião entre a representante do braço executivo da UE e o presidente Lula, também na sexta-feira, no Palácio do Itamaraty, no Rio, para tratar do acordo UE-Mercosul, entre outros temas relacionados à geopolítica global, incluindo a situação da Venezuela e da Groenlândia, diante da ofensiva dos Estados Unidos, de acordo com pessoas que acompanham o diálogo.

Abertura para investimentos

A presidente da Comissão Europeia reforçou que a assinatura do acordo UE-Mercosul será neste sábado, mas era importante, antes, ter o encontro com Lula. “Esse acordo vai multiplicar oportunidades como nunca antes, com acesso mútuo a mercados estratégicos, regras claras e previsíveis, padrões em comum e cadeias de suprimentos que se tornam vias para investimentos”, explicou Ursula von der Leyen.

Ela afirmou que o acordo dá “boas-vindas ao maior mercado e zona de livre comércio do planeta”, reforçando o poder da parceria, defendendo ainda que o comércio internacional não pode ser um jogo de “zero a zero”, devendo trazer benefícios para os dois lados.

Ursula von der Leyen – que agradeceu ao presidente Lula em português com um “obrigada, amigo” – também enfatizou outros acordos em discussão, destacando a importância de negociações envolvendo minerais:

“Europa e Brasil estão avançando para um importante acordo político sobre matérias-primas críticas, abrindo caminho para projetos em parceria em lítio, níquel e terras-raras”.

Esse movimento, continuou Ursula von der Leyen, é importante para uma transição digital limpa e para garantir maior independência num momento em que “os minerais acabam sendo usados como instrumentos de coerção”.

Compromisso com regras internacionais

Ela destacou o papel de Lula na aprovação do tratado UE-Mercosul, sobretudo ao longo das últimas semanas e meses, e disse que o presidente brasileiro é um “líder profundamente comprometido com os valores defendidos pela Europa: democracia, regras baseadas na ordem internacional e respeito”. Classificou esse tipo de liderança como aquela “que precisamos no mundo atual”.

Lula chamou o longo período de negociação do acordo entre os dois blocos comerciais como “25 anos de sofrimento”, mas destacou que os avanços ocorrem em diversas frentes entre Mercosul e União Europeia:

“Em meu terceiro mandato, o Mercosul concluiu três importantes acordos comerciais: com a União Europeia, com o EFTA e com Cingapura – afirmou Lula. – “Continuaremos trabalhando para abrir mais mercados e para construir novas parcerias no mundo todo, em particular com Canadá, México, Vietnã, Japão e China.”

Lula não irá ao Paraguai

O acordo EU-Mercosul será assinado neste sábado (17/01), em Assunção. O presidente Lula, porém, não irá ao evento. Assim, o encontro da tarde de sexta-feira no Rio foi um caminho para demonstrar o protagonismo do Brasil e, sobretudo, do atual governo em destravar e concluir o acordo negociado ao longo de 25 anos. A ideia é garantir a chamada “foto da vitória” ao lado da líder europeia.

Ao assegurar a imagem com a principal líder europeia anteriormente à assinatura oficial do acordo, o presidente brasileiro quer reafirmar essa atuação política na negociação do tratado.

(Com informações de O Globo)