O governador Renato Casagrande (PSB) disse, na manhã deste sábado (08/11), que a crise na segurança pública no Rio de Janeiro é resultado do fracasso das instituições daquele Estado. O comentário foi feito na chegada do líder capixaba à Ação pela Cidadania – Estado Presente, no Parque O Cravo e a Rosa, em Nova Brasília, Cariacica. A observação do governador foi logo depois que ele falou da importância de um programa de segurança pública, como o Estado Presente em Defesa da Vida, que alia a repressão e prevenção policial com as políticas públicas sociais para toda a população.
A manifestação de Renato Casagrande ocorre também 11 dias depois da megaoperação policial denominada de ‘Contenção’, realizada pelas forças de segurança do Rio, nos Complexos do Alemão e da Penha – dia 28 de outubro. A ação conjunta das Polícias Civil e Militar, que utilizou cerca de 2.500 agentes, visava combater a expansão territorial Comando Vermelho e cumprir aproximadamente 100 mandados de prisão contra lideranças, incluindo 30 de outros Estados. No entanto, a operação terminou com 121 pessoas mortas, incluindo quatro policiais:
Indagado se a situação do Rio seria diferente caso aquele Estado tivesse um programa de segurança que agregasse também ações policiais e sociais voltadas para a prevenção da criminalidade, o governador capixaba respondeu:
“O Rio de Janeiro é um fracasso das instituições, porque, para chegar a esse domínio de território que a gente tem das organizações criminosas lá, é porque as instituições falharam. Lembra quando teve as UPPs [Unidades de Polícia Pacificadora] em que os policiais ocuparam em diversas regiões do Rio? A expectativa da população era que, junto com as ocupações, com a presença da polícia, viessem os serviços sociais. Isso não aconteceu”, observou Casagrande.
A primeira Unidade de Polícia Pacificadora foi inaugurada em 19 de dezembro de 2008 no Morro Dona Marta, em Botafogo, no Rio. Em seu auge, em 2012, o programa teve 38 UPPs no Estado. Foi o então governador Sérgio Cabral Filho quem implantou as UPPs no Rio. De lá para cá, ele e outros ex-governadores – Moreira Franco, Luiz Fernando Pezão, Anthony e Rosinha Garotinho – do Rio foram presos processados, condenados e presos pela acusação de corrupção – todos já estão soltos. Em 30 de abril de 2021, Wilson Witzel foi afastado definitivamente do cargo de governador do Rio, após processo de impeachment, também por corrupção.
Se citar nomes dos ex-governadores, Renato Casagrande afirmou que essa crise política afeta a segurança pública: “O que aconteceu é que o Rio se meteu em muita confusão de corrupção, de desvio de dinheiro e as instituições falharam. Não é falha só do Poder Executivo. Foi falha de todos os Poderes, porque, na hora que um delegado [de Polícia] pede uma medida cautelar para realizar uma busca e apreensão ou uma prisão, se o juiz não conceder rapidamente – se houver, naturalmente, consistência no pedido –, o crime se instala de forma definitiva”, explicou Casagrande.
Por isso, concluiu o governador do Espírito Santo, “a crise no Rio é uma crise das instituições públicas do Rio de Janeiro, e é preciso que todas elas estejam atentas e que possam organizar uma grande concertação (que significa a ação de harmonizar, conciliar ou um acordo entre diferentes partes para atingir um objetivo comum) para que se possa começar a retomar os territórios. Veja que foi feita uma grande operação lá nos Complexos da Penha e do Alemão, mas os grupos criminosos já estão lá de novo comandando aquelas áreas. Não adianta você só fazer a operação e sair de lá. Você tem que fazer a operação e tem que ocupar a região com serviços para a sociedade”, ensina Casagrande.
E é essa uma das premissas do Programa Estado Presente: combater a violência com as forças policiais e o braço social do Estado: “Combater com aumento da polícia, com valorização dos policiais, com estratégia com operações como vocês estão vendo que a gente está fazendo. Mas tem a ver também com serviços públicos em todas as áreas. Levar dignidade às pessoas, levar qualidade de vida, levar oportunidade para as pessoas. E a Ação pela Cidadania é um braço do Programa Estado Presente para que a gente possa trabalhar nos dois grandes pilares, que é a operação policial e também a ação social”, disse Casagrande.
Ele completou: “É isso que faz a diferença no Espírito Santo. É por isso que aqui nós temos o controle dos territórios, nós entramos onde a gente quer entrar, em qualquer bairro do nosso Estado. Aqui não tem domínio de território por facções criminosas, porque o Estado não permite. E não deixar ser também não significa levar só polícia. Tem que levar polícia, mas também tem que levar educação, tem que levar esporte, tem que levar cultura, tem que levar os demais serviços que levam a dignidade. É isso que a gente está fazendo aqui, aproximando o serviço da população capixaba.”



