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O presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) destacou, nesta véspera do dia 7 de setembro – Dia da Independência do Brasil –, a importância da soberania nacional e da união dos brasileiros na defesa da democracia, do meio ambiente e das instituições do País. O pro pronunciamento foi transmitido em rede nacional de rádio e televisão (leia a íntegra). Lula afirmou que o 7 de Setembro simboliza a conquista da liberdade e da soberania brasileira.

“Não somos e não seremos novamente colônia de ninguém. Somos capazes de governar e de cuidar da nossa terra e da nossa gente, sem interferência de nenhum governo estrangeiro”, disse o presidente, numa alusão aos ataques que o Brasil vem sofrendo do presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, e da família do ex-presidente Jair Bolsonaro (PL), que se encontra em prisão domiciliar.

O Brasil trava uma batalha comercial com os EUA desde que Trump impôs tarifas de até 50% a produtos brasileiros. Ao anunciar as tarifas, Trump fez críticas ao governo brasileiro e ao ministro Alexandre de Moraes pelo julgamento de Bolsonaro no Supremo Tribunal Federal (STF). Na ocasião, o presidente dos EUA também mencionou a regulação das big techs.

Durante seu pronunciamento, em um recado à família Bolsonaro, Lula chamou de “traidores” políticos que estimulam ataques ao País: “É inadmissível o papel de alguns políticos brasileiros que estimulam os ataques ao Brasil”, afirmou o presidente, que frisou: “Foram eleitos para trabalhar pelo povo brasileiro, mas defendem apenas seus interesses pessoais. São traidores da pátria. A História não os perdoará.”

Lula defendeu a independência entre os Poderes e disse que o Brasil cumpre a Constituição Federal. “Isso significa que o presidente do Brasil não pode interferir nas decisões da Justiça brasileira, ao contrário do que querem impor ao nosso País.”

O presidente ressaltou que a defesa da soberania se manifesta no combate à desigualdade, na proteção das conquistas dos trabalhadores, na criação de oportunidades para os jovens e no apoio a empreendedores e pessoas em situação de vulnerabilidade: “Se temos direito a essas políticas públicas, é porque o Brasil é um país soberano e tomou a decisão de cuidar do povo brasileiro”, afirmou.

O presidente também falou a favor da regulação das redes, que tem sido usada por Donald Trump como argumento para impor tarifas ao Brasil.

“Reconhecemos a importância das redes digitais. Elas oferecem informação, conhecimento, trabalho e diversão para milhões de brasileiros, mas não estão acima da lei. As redes digitais não podem continuar sendo usadas para espalhar fake news e discurso de ódio. Não podem dar espaço à prática de crimes como golpes financeiros, exploração sexual de crianças e adolescentes e incentivo ao racismo e à violência contra as mulheres”, disse.

Na semana passada, o Senado aprovou um Projeto de Lei que estabelece regras para o uso das redes por crianças e adolescentes. A medida, conhecida como “ECA Digital”, em referência ao Estatuto da Criança e do Adolescente, impõe sanções a empresas que descumprirem a legislação, podendo até suspender as redes. O projeto foi aprovado após clamor popular por maior vigilância na internet. O tema entrou no centro do debate depois de um vídeo do youtuber Felca sobre os riscos da exposição de crianças e adolescentes nas redes.

Durante seu discurso, Lula também defendeu o Pix. Em julho, o governo Trump abriu uma investigação sobre práticas comerciais “injustas” do Brasil. Entre os focos da investigação estão o comércio digital e serviços de pagamento eletrônico, as tarifas preferenciais injustas, a interferência anticorrupção e a proteção da propriedade intelectual.

“Defendemos o Pix de qualquer tentativa de privatização. O Pix é do Brasil. É público, é gratuito e vai continuar assim”, disse. Na última sexta-feira (05/09), Lula afirmou que acredita que a relação entre os EUA e o Brasil voltará à normalidade, mas fez a ressalva de que, no momento, autoridades brasileiras não têm conseguido estabelecer diálogo com o país governado por Trump.

Além dos recados ao presidente dos Estados Unidos, Lula falou sobre bandeiras do governo: “Um país soberano é um país fora do Mapa da Fome, que zera o Imposto de Renda de quem ganha até R$ 5 mil enquanto taxa os super-ricos que hoje não pagam quase nada”, disse.

Lula afirmou ainda que o Brasil cresce acima da média mundial e mencionou o combate ao desmatamento na Amazônia, que caiu pela metade nos últimos dois anos. Entre os avanços do governo, o presidente citou a redução do desemprego, a abertura de mais de 400 novos mercados para exportações brasileiras em dois anos e oito meses, a diminuição pela metade do desmatamento na Amazônia e a preparação da Conferência do Clima da ONU (COP30), que será realizada em Belém, em novembro.

Ao encerrar o pronunciamento, Lula convocou os brasileiros à união. “Este é o momento da união de todos em defesa do que pertence a todos: a nossa Pátria brasileira e as cores da bandeira do nosso País”, disse.