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O governador Renato Casagrande (PSB) analisou ao anúncio do presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, de que vai aplicar um aumento de mais 50% sobre as tarifas de importação de produtos brasileiros, de duas maneiras: política e econômica. Na área política, o líder capixaba disse que o Governo brasileiro tem que reagir com veemência; no aspecto da economia, entretanto, precisa ter cautela e prudência:

“Pela primeira vez estamos vendo uma tarifa ideológica no comércio internacional. Isso fragiliza as relações diplomáticas e econômicas entre os países e ameaça a soberania brasileira”, afirmou Casagrande em entrevista coletiva, no início da tarde de quinta-feira (10/07), no Palácio Anchieta, em Vitória, ao lado do vice-governador Ricardo Ferraço (MDB) e do secretário de Estado de Desenvolvimento, Sérgio Vidigal.

Na quarta-feira (09/07), Donald Trump enviou carta ao presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT)  para informar que os produtos brasileiros serão submetidos a uma tarifa adicional de 50% para entrar nos EUA a partir de 1º de agosto de 2025. Trump afirma no texto que a medida é uma resposta às decisões do Judiciário brasileiro contra redes sociais americanas e ao que ele chama de perseguição ao ex-presidente Jair Bolsonaro (PL), que está enfrentando um julgamento no Supremo Tribunal Federal (STF), acusado de tentativa de golpe de Estado.

Além disso, Trump classifica a relação comercial com o Brasil como “injusta”, sem apresentar dados que confirmem a avaliação. “Por favor, entenda que os 50% são muito menos do que seria necessário para termos igualdade de condições em nosso comércio com seu país. E é necessário ter isso para corrigir as graves injustiças do sistema atual”, escreve Trump.

O Espírito Santo, que tem os EUA como principal destino das exportações estaduais – cerca de 29% do total –, vê com preocupação a medida, que pode afetar diretamente a economia regional: “É o momento de contar até 10, manter a racionalidade e buscar o diálogo. A tarifa tem uma motivação ideológica, e isso é inaceitável”, reagiu Renato Casagrande.

Ainda no campo político, o governador capixaba afirmou que as medidas de Trump são sem “amparo e desligadas de bom senso”. Para Casagrande, o Brasil e a população têm que reagir a qualquer interferência internacional às instituições brasileiras.

“As declarações de Trump são inaceitáveis. A decisão dele de tarifaço aos produtos brasileiros não tem conexão com a relação de amizade entre o Brasil e Estados Unidos. É preciso condenarmos com veemência a tentativa do presidente norte-americano de interferir nas instituições brasileiras”, reagiu Renato Casagrande. O governador disse mais: “Pela primeira vez aparece no radar mundial um tarifaço político-ideológico. É necessário que seja mantido o respeito à nossa soberania”, pediu Casagrande.

No campo da economia, o governador Renato Casagrande defende a cautela. Afirma que o Governo brasileiro tem que agir com sabedoria, para que a escalada não se transforme em uma guerra tarifária com efeitos ainda mais desastrosos. De acordo com o governador, a estimativa é de que, mantida a nova tarifa a partir de agosto, o Espírito Santo sofra com redução de exportações, adiamento de investimentos, perda de competitividade e alta do dólar. A decisão do presidente Trump atinge produtos estratégicos da pauta exportadora do Estado, como aço, café arábica, rochas ornamentais, celulose, carne, ovos,  gengibre, pimenta-do-reino entre outros.

“Isso impacta diretamente no ânimo dos empreendedores capixabas e na arrecadação do Estado. Pode gerar desemprego e queda de receita”, avalia Casagrande. Para enfrentar um novo cenário, o líder capixaba propõe uma estratégia de médio e longo prazo para diversificar mercados. “O Espírito Santo, por meio do Investe-ES, já tem atuado nessa direção com foco em portos, logística e novos investimentos”, disse Casagrande.

Ele defendeu que o Brasil mantenha uma postura firme, mas ponderada: “Não se pode sacar uma tarifa daqui cada vez que se saca uma tarifa de lá. Isso não é duelo.” Casagrande tem conversado com empresários capixabas e iniciou tratativas com o setor produtivo para mensurar os impactos da medida e sugerir alternativas ao governo federal.

“Vamos acompanhar de perto, avaliar cenário por cenário e propor ações para minimizar os prejuízos. O setor produtivo é o primeiro a sentir e isso chega logo ao trabalhador, à renda e à arrecadação pública”, explicou Renato Casagrande. Também dentro do campo da economia, o governador defende agir com “muito equilíbrio para não prejudicar o mercado nacional. “O Governo precisa ter cautela para não entrar na guerra de tarifas. Não entrar no jogo do Trump”.