O subsecretário da Casa Militar, coronel PM Sérgio Luiz Anechini, foi agredido com um golpe de mata-leão por seguranças do prefeito de Vitória, Lorenzo Pazolini (Republicanos), durante desfile das escolas de samba, no Sambão do Povo, na Grande Santo Antônio. O coronel Anechini registrou a ocorrência na Delegacia Regional de Vitória. A confusão ocorreu durante o desfile da Mocidade Unida da Glória (MUG), na madrugada deste domingo (23/02). Os fatos narrados no Boletim de Ocorrência desmentem a versão que vem sendo divulgada pela imprensa, a de que Pazolini teria sido agredido.
O mata-leão é um golpe de estrangulamento usado em artes marciais, como o jiu-jitsu e o judô. Na hora da confusão, acontecia o desfile da Mocidade Unida da Glória (MUG). Em vez de estar assistindo ao desfile no camarote da Prefeitura, Pazolini apareceu “do nada” ao local onde o coronel Annechini foi agredido, junto com sua esposa, a promotora de Justiça Paula Pazolini.
O coronel Anechini, que inicialmente encontrava-se acompanhando o governador Renato Casagrande (PSB), passou a acompanhar o desfile da MUG desde a área de concentração até o local onde estava o seu camarote, próximo a dispersão. O acompanhamento era realizado pelo corredor de acesso, em razão da pulseira de “acesso livre” que permitia, como o próprio nome diz, acesso livre às áreas comuns do sambódromo. Já próximo ao acesso do camarote onde estava, o coronel foi impedido de passar por um segurança privado.
Como mostram os vídeos produzidos por cidadãos que curtiam a folia, o coronel Anechini tenta argumentar com o segurança, explicando-o sobre as circunstâncias da proximidade do portão de acesso ao seu camarote, bem como da permissão de transitar por aquele lugar em razão do tipo de pulseira que portava. Porém, o segurança foi irredutível e não permitiu a sua passagem, mas curiosamente permitiu a passagem de sua esposa que o acompanhava no trajeto. Separado de sua esposa pelo segurança, o coronel tentou passar e, neste instante, foi contido e agredido, não sabendo informar por quem. Teve sua camisa arrancada do corpo, momento em que sua arma ficou exposta. Rapidamente, Anechini vestiu o abadá que estava em sua cintura, encobrindo sua arma, a qual em nenhum momento foi sacada ou sequer houve menção por parte do militar na intenção de retirá-la da cintura.
Simultaneamente, quando olhou em direção à pista de desfile, percebeu que o prefeito Pazolini e sua equipe já estavam com os celulares apostos e filmando. Por conhecer pessoalmente o prefeito, o coronel tentou conversar, como mostram os vídeos, e diz que aquilo [gravações] não era necessário. Então, o subsecretário Anechini chama Pazolini para próximo e rapidamente retira o celular de suas mãos com o simples intuito de cessar aquela triste cena.
Neste instante, um dos seguranças do prefeito, que também estava de posse do mesmo tipo de pulseira “acesso livre”, dá um golpe “mata-leão” no coronel Anechini, que permanece sem reagir. O oficial foi jogado no chão pelos seguranças. Após alguns instantes, o coronel é solto pelo segurança e segue para o seu camarote pelo local em que minutos antes havia sido impedido de passar. O subsecretário da Casa Militar ficou com marcas de agressões no pescoço e nas costas.
“Eu já havia passado por mais de três vezes pelo mesmo local, sem nenhum problema. Todos os seguranças olhavam para a pulseira e automaticamente permitiam o acesso”, disse o coronel Anechini na manhã deste domingo. Ele e a esposa receberam convites para ficar em dois camarotes: um ao lado da concentração das escolas e outro próximo à dispersão das escolas.
De acordo com o coronel Anechini, ao vê-lo sendo agredido pelos seguranças do prefeito, sua esposa, que segurava a camisa rasgada, saiu em sua defesa. Na tentativa de ajudar o marido, pegou a camisa rasgada e simulou lançá-la contra o prefeito, sem atingi-lo, como mostra o vídeo. Neste instante, o prefeito simula ter sido atingido e se joga ao chão, mas rapidamente se levanta, revelando a farsa.” O coronel Anechini finaliza: “O vídeos falam por si.”
Depois de ter sido agredido, o coronel Anechini saiu calmamente do local e seguiu para o camarote onde estava. E logo após, se dirigiu à Delegacia Regional de Vitória onde registrou o Boletim de Ocorrência.
“Lastimável e lamentável a postura adotada pelo chefe do executivo da capital capixaba neste episódio”, frisa Anechini.
Versão do prefeito, segundo A Gazeta
Segundo a Gazeta, o prefeito Pazolini “levou golpes no rosto” e acabou se desequilibrando e caindo na avenida do samba, durante a apresentação da Mocidade Unida da Glória. Ao Gazeta Online, Pazolini disse que “um militar teria agredido uma funcionária do Governo do Estado. Ele [Pazolini], então, teria tentado apartar. De acordo com a assessoria de imprensa da prefeitura, o militar estaria armado.”
Em momento, algum, entretanto o coronel Anechini agrediu alguma mulher na confusão.



