O nome do novo secretário de Estado da Segurança Pública e Defesa Social vai sair dos quadros de Delegados da Carreira Especial da Polícia Civil. Este tem sido o sentimento do governador Renato Casagrande (PSB) nos últimos dois dias, depois que o titular da Pasta, coronel Alexandre Ramalho, decidiu antecipar sua saída para se dedicar a outros projetos, incluindo a Política. Com a chegada de um novo chefe na Sesp, o caminho fica livre para prováveis outras mudanças. A segurança pública é uma das áreas mais sensíveis de qualquer governo, mesmo que os resultados apresentados tenham sido altamente positivos, como no caso do Espírito Santo. Por isso, a necessidade sempre de uma “oxigenada” em alguns setores como forma de motivar os profissionais.
No caso capixaba, o Estado vem a cada ano reduzindo o número de homicídios, principalmente após a retomada do Programa Estado Presente em Defesa da Vida, a partir de janeiro de 2019, quando se iniciou o segundo mandato do governo Casagrande. Em 2023, o Espírito Santo registrou o menor número de assassinatos da série histórica iniciada em 1996, registrando 978 mortes. O acumulado é o menor desde que o dado começou a ser contabilizado, há 27 anos, e menor que o registrado em 2019, até então, considerado o melhor ano da série histórica, com 987 casos. Com relação a 2022, o decréscimo é de 2,9%, correspondente a 29 casos a menos.
Na noite de quinta-feira (25/01), Casagrande anunciou que o coronel Ramalho vai deixar a Sesp. Foi o próprio Ramalho quem comunicou ao governador a antecipação de sua saída, uma vez que ele tem pretensões de disputar as eleições municipais de outubro deste ano. Falta decidir a cidade: Vitória ou Vila Velha. Com a saída de Ramalho, o coronel Márcio Celante fica na Secretaria da Segurança interinamente, conforme informou o governador.
E quem seria o nome ideal para substituir o coronel Ramalho, um dos maiores responsáveis pela queda da violência no Estado? O nome, conforme deseja o governador, em conversa que ele vem mantendo com aliados, vai sair da Polícia Civil. Renato Casagrande quer prestigiar a instituição, que cedeu um delegado para o cargo de secretário da Segurança Pública, pela última vez, no governo de José Ignácio Ferreira. Trata-se do delegado Mário Lopes, que também foi chefe da Polícia Civil e faleceu há um ano.
Antes dele, todavia, no governo de Vitor Buaiz (1995/1998) o agora advogado criminalista Adão Rosa assumiu a titularidade da Sesp em janeiro de 1996, com a saída do então deputado estadual e também delegado de Polícia Civil Gilson Gomes. Aliás, Gilson Gomes havia entrado no lugar do general do Exército Luiz Edmundo Pinto de Souza Mello, que pediu exoneração do cargo em 9 de novembro de 1995. Gilson deixou a Pasta depois que grupos de direitos humanos denunciaram que ele havia sido integrante da Scuderie Detetives Le Cocq.
Assim, em janeiro de 1996, Vitor Buaiz nomeou o delegado Adão Rosa, que já estava aposentado, para o cargo maior da Sesp. Ele ficou até o final do governo Vitor, em dezembro de 1998. Desde então, os governadores que sucederam Vitor Buaiz optaram para o cargo de Segurança Pública coronéis da Polícia Militar e delegados da Polícia Federal.
O nome do delegado que vai substituir o coronel Ramalho já está na mesa do governador Renato Casagrande. Entretanto, ele deverá anunciar a novidade nos próximos dias. Ramalho, que na noite de sexta-feira (26/01) foi ao Palácio Anchieta para fazer a despedida oficial, ficaria no cargo até a próxima quinta-feira (01/02). Ele será substituído interinamente pelo subsecretário de Estado de Integração Institucional, coronel Márcio Celante.
Em vídeo publicado na noite desta sexta-feira (26), o secretário de Estado Segurança Pública, coronel Alexandre Ramalho, se despediu do cargo na administração estadual e agradeceu ao governador Renato Casagrande: “Foi uma honra trabalhar com o senhor”. A notícia da saída dele já havia sido divulgada nas redes sociais na quinta-feira (25). Ramalho deixa o cargo na próxima quinta-feira, 1º de fevereiro, para investir em sua carreira política.
Em um vídeo publicado, o coronel Alexandre Ramalho se despede do cargo na administração estadual e agradece ao governador Casagrande: “Foi uma honra trabalhar com o senhor”. Ramalho aborda ainda os “muitos projetos que estão surgindo na vida profissional”, referindo-se a suas pretensões eleitorais em 2024.
Por sua vez, Casagrande afirma no vídeo que o coronel Ramalho tomou a decisão de se afastar “porque, de fato, o trabalho na secretaria é incompatível com uma conversa no dia a dia sobre projetos políticos para 2024”. No entanto, o chefe do Executivo Estadual acrescentou que o coronel manterá ligação com o governo. “Tenho certeza que, mesmo fora da secretaria, você vai continuar nos ajudando, pra gente ter um Estado que cultive a paz”, apontou Casagrande.



