O senador eleito Magno Malta (PL) já deve ter sentido a sua importância para a campanha do candidato ao governo do Estado Carlos Manato (PL). Na verdade, a importância se resume ao prestígio que Magno, que já foi deputado federal e senador por dois mandatos pelo Espírito Santo, tem junto ao presidente Jair Bolsonaro (PL) e sua equipe de governo.
Mais um exemplo da esnobação que Manato dá a Magno ficou evidenciado numa reunião que o candidato participou, a convite de seu mais novo amigo, o candidato derrotado à Câmara Federal Neucimar Fraga (PP) – que até o início da semana estava na barca do governador Renato Casagrande (PSB), candidato à reeleição, inclusive com cargos dentro do governo –, realizou na Praia da Costa, na noite de segunda-feira (10/10).
Na presença do pastor Marinelshington da Silva, presidente da Assembleia de Deus da Praia da Costa e também derrotado para uma vaga de deputado federal este ano, Manato falou sobre a coordenação de sua campanha e da falta de dinheiro. No mesmo dia em que acolheu sugestão de seu novo coordenador oficial de campanha, o Tenente Assis – igualmente derrotado para a Câmara Federal –, contratando a jornalista Giselle Barbosa, para o lugar do marqueteiro Fernando Carreiro – demitido um dia depois do primeiro turno –, Manato explicou no encontro que sua campanha, de fato, não tem um coordenador único:
“Todas as pessoas que estão comigo são coordenadoras da campanha. Todo mundo faz o que quer”, disse Manato, que, no sábado (08/10), em reunião no Clube dos Oficiais, em Camburi, havia “destituído” Magno Malta do cargo e o substituído pelo Tenente Assis, conforme o Blog do Elimar Côrtes informou com exclusividade.
Manato, no entanto, falou do prestígio que Magno Malta tem em Brasília. Contou que, no decorrer do dia de segunda-feira (10/10), foi à Capital Federal para tentar apresentar o seu novo aliado Aridelmo Teixeira, que, como candidato ao governo do Estado, teve apenas 0,76% dos votos válidos no 1º turno, ao ministro da Economia, Paulo Guedes. Arildemo foi anunciado secretário de Estado da Fazenda do Espírito Santo caso Manato vença as eleições do dia 30 deste mês contra o governador Renato Casagrande (PSB).
Manato sabia que, sozinho, não conseguiria sequer chegar ao prédio do Ministério da Economia. Por isso, teve que mais uma vez recorrer ao ‘amigo’ Magno Malta: “O nosso senador Magno Malta é mesmo um homem de grande prestígio em Brasília. Ao nosso lado, ele pegou o telefone e ligou diretamente para o ministro da Economia, dizendo: ‘Paulo, preciso falar com você. Tenho que te apresentar uns amigos’”, contou Manato. “O ministro Paulo Guedes, então, respondeu: ‘Vem aqui agora, meu amigo. E lá fomos nós”.
Novamente, Manato relatou que está sem dinheiro para tocar a campanha. No entanto, age como se já tivesse vencido o pleito, tamanha a confiança dele em um “milagre”. Ele disse para os presentes, num encontro que se transformou numa espécie de culto, que semana passada foi a Brasília, onde se reuniu também com o presidente Nacional do PL, Valdemar Costa Neto. Aliás, em 2012 Valdemar foi preso e condenado por corrupção passiva e lavagem de dinheiro a 7 anos e 10 meses no escândalo de corrupção do mensalão, e recebeu uma multa de R$ 1,6 milhão. Em 10 de novembro de 2014, o ministro do STF, Luís Roberto Barroso, autorizou que Valdemar da Costa Neto cumprisse o restante da pena do mensalão em prisão domiciliar.
“Fui com o pires na mão, atrás de dinheiro. Mas o presidente (do PL) disse que era para eu fazer dívidas que em abril ele paga tudo. Retornei ao Estado e deixei o pires lá em Brasília”, frisou Manato.
Curiosamente, Magno Malta não participou desta reunião em Vila Velha. Alegou problemas dentários.
Mandou sua primeira suplente, a professora e missionária Márcia Cristina Macedo, a Marcinha, à reunião. Marcinha, no entanto, não teve direito à fala. Teria sido impedida de se manifestar pelo novato ‘manatista’ Neucimar Fraga, que, segundo pessoas presentes no encontro, foi o verdadeiro coordenador do candidato Carlos Manato. Mais tarde, fora do ambiente machista e ‘manatista’, Marcinha revelou a amigas que apenas queria usar o microfone para justificar a ausência do senado eleito Magno Malta.
Neucimar Fraga explicou, em contato com o Blog Elimar Côrtes, que a primeira suplente ao Senado Marcinha não usou o microfone na reunião com Carlos Manato porque ficou combinado que só o candidato falaria. Vários deputados eleitos e com mandato participaram do encontro e também não se manifestaram no evento.



