Instalado dentro da Diretoria de Diretoria de Direitos e Polícia Comunitária da PMES, a gestão operacional do programa é hoje coordenada pelo major Rone Frederico Coutinho, chefe da Divisão de Direitos Humanos, e coordenado pela Secretaria de Estado da Segurança Pública e Defesa Social.
O programa consiste no desenvolvimento de ações direcionadas à proteção às vítimas, prevenções primária, secundária e terciária, monitoramento e acompanhamento às mulheres em situação de violência doméstica familiar, que tenham requerido à Justiça Medidas Protetivas de Urgência, integrando-se às ações realizadas pela Rede de Atendimento e de Enfrentamento à Violência contra a Mulher, no Estado do Espírito Santo.
De acordo com o major Coutinho, a Patrulha Maria da Penha realiza visitas tranquilizadoras às mulheres vítimas de violência doméstica que tenham requerido medidas protetivas e que solicitaram a visita tranquilizadora junto à Autoridade Policial.
“A visita, tendo em vista o seu caráter de atendimento, deve ocorrer mediante agendamento e com anuência da mulher solicitante”, explica o major.
A entrada da mulher no sistema é da seguinte forma. Quando vai à Polícia Civil, pela primeira vez, registrar Boletim de Ocorrência e que relata qualquer forma de agressão ou violência – seja ela física, ameaça ou psicológica – por parte do marido, namorado ou companheiro, a mulher é orientada pela(o) delegada(o) de Polícia sobre a Patrulha Maria da Penha.
Tanto a Autoridade Policial quanto membros do Ministério Público, Judiciário e Defensoria Pública falam também sobre o programa desenvolvido pela Polícia Militar, explicando à mulher a importância da adesão à visita tranquilizadora.
“O setor P-3 (Seção de Planejamento e Operações) de cada Batalhão e Companha Independente da PM em todo o Estado recebe da Polícia Civil informações sobre a aceitação, por parte das vítimas, às visitas tranquilizadoras. A adesão ao programa é voluntárias e somente a vítima pode decidir que não precisa mais das visitas”, disse o major Coutinho.
Esta necessidade de ter a PM sempre do seu lado é porque a Rede de Atendimento e de Enfrentamento à Violência contra a Mulher no Estado nem sempre funciona de acordo com o tempo desejado pela vítima. Desta ‘Rede’ fazem parte os Municípios e o Ministério Público Estadual.
As vítimas têm razão em acreditar no Programa Patrulha Maria da Penha. As visitas tranquilizadoras, segundo major Coutinho, acabam eliminando crimes. De acordo com o oficial, desde 2016, quando o programa entrou em ação, somente duas mulheres inseridas no programa foram mortas no Estado.
“Uma delas foi assassinada por guerra do tráfico. Primeiro, os bandidos mataram o marido dela; depois assassinaram essa mulher. O crime, portanto, nada teve a ver com violência doméstica. Somente um caso de feminicídio, em que a vítima estava sendo atendida pelas visitas tranquilizadoras, ocorreu, o que é lamentável também. O assassinato dessa segunda vítima foi relacionado à Lei Maria da Penha”, lamentou o major Coutinho.
“Esses dados, contudo, comprovam que o Programa Patrulha Maria da Penha da Polícia Militar do Estado do Espírito Santo tem uma efetividade muito grande”, concluiu o chefe da Divisão de Direitos Humanos da PMES.
Os números
2016: 928 ocorrências de visitas tranquilizadoras, aqui não havia separação entre as que foram geradas e efetivadas com êxito e as que fracassaram por diversos motivos.
2017 - visitas efetivadas - 1828 - CPOM (Comando de Policiamento Ostensivo Metropolitano)
309 - CPON (Comando de Policiamento Ostensivo do Norte)
27 - CPOS (Comando de Policiamento Ostensivo do Sul)
522 - CPONo (Comando de Policiamento Ostensivo do Noroeste)
57 - CPOSe (Comando de Policiamento Ostensivo da Região Serrana)
2.743 VISITAS EFETIVADAS EM TODO ESTADO EM 2017
2018 - visitas efetivadas - 2679 - CPOM
690 - CPON
401 - CPOS
533 - CPONo
165 - CPOSe
4.468 VISITAS EFETIVAS EM TODO O ESTADO EM 2018
2019 – visitas efetivadas de janeiro a setembro - 2310 - CPOM
459 - CPON
907 - CPOS
420 - CPONo
352 – CPOSe
4.448 VISITAS EFETIVAS EM TODO O ESTADO