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O povo brasileiro está dividido sobre o posicionamento quanto à liberação da venda de medicamentos feitos com substâncias da maconha. É o que mostra pesquisa divulgada no início da tarde desta quinta-feira pelo Instituto Paraná. Pelo menos 47,0% das pessoas pesquisadas disseram ser a favor de liberação, enquanto 44,2% são contra, o que, em tese, representa um empate técnico.

A pesquisa ouviu 2.018 pessoas em 26 Estados e Distrito Federal, abrangendo 160 municípios brasileiros, entre os dias 20 e 25 de agosto de 2019. De acordo com a pesquisa, 8,8% dos entrevistados não souberam opinar.

Os mais jovens são os que mais se preocupam em ver o País liberara o uso de medicamentos com substâncias da maconha para tratamento de doenças. Pelo menos 50,5% das pessoas entre 16 a 24 anos defendem o uso da substâncias.

Em junho de 2019, a Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa) anunciou que vai levar à consulta pública a proposta para liberação do cultivo e da produção de maconha no Brasil para fins medicinais e científicos.

A nova regra prevê o plantio restrito a lugares fechados por empresas credenciadas. Associações e familiares de pacientes que conseguiram autorizações na Justiça para a produção do extrato de canabidiol ficam proibidos de manipular a planta. A Anvisa espera aprovar a regulamentação neste ano, mas há resistência dentro do próprio governo federal.

Dentro do governo de Jair Bolsonaro há quem não apoia a ideia. Em maio, o ministro da Cidadania, Osmar Terra, afirmou que seria “irresponsável” por parte da Anvisa liberar o uso de maconha medicinal. Os grupos de trabalhos para a discussão foram formados em 2017, sob a gestão do ex-presidente Michel Temer.

Doenças em que a maconha medicinal pode atuar

EPILEPSIA

O CBD aumenta a carga de anandamida em áreas da massa cinzenta. Ao se ligarem a receptores celulares, essas moléculas reduzem a superativação de circuitos nervosos, que acarreta as convulsões.

ANSIEDADE

Combinados, CBD e THC agem em duas frentes. O primeiro eleva a concentração de anandamida no hipotálamo, no hipocampo e na amígdala. O segundo ativa os receptores no córtex pré-frontal e (de novo!) na amígdala e no hipocampo.

ESCLEROSE MÚLTIPLA

Tanto o THC como o CBD participam aqui. Ao interferir em regiões que controlam a dor, bem como os movimentos (caso do cerebelo), inibem a passagem dos impulsos por trás de desconfortos, espasmos e rigidez muscular.

DOR CRÔNICA

O corpo tem receptores para os canabinoides tanto no cérebro como nos nervos periféricos. Ao se ligarem a eles em áreas específicas, as moléculas da maconha diminuem a transmissão dos sinais dolorosos.