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A delegada de Polícia Civil Maria Aparecida Rasseli Sfalsini, a escrivã Marta Silva Vieira da Costa, a investigadora Arcangela Pivetta dos Santos e a advogada e Ariane Rasseli Sfalsini têm algo em comum, além da amizade que as une e os laços familiares entre duas delas: o amor às crianças e adolescentes. Este amor fez com que as quatro se unissem em torno de um ideal: denunciar abusos sexuais e alertar, sobretudo aos pais e aos profissionais da educação, como detectar que um menino ou menina está sendo vítima de estupros ou outros tipos de violência sexual.

Este alerta acaba de chegar por meio de livro, que se chama “Inocência Violada”, editado pela Comunicação Impressa. A obra, que começou a ser traçada há três anos, traz conteúdos fortes, baseados em histórias reais que as quatro amigas vivenciaram quando atuaram juntas na Delegacia de Proteção à Crianças e ao Adolescente (DPCA), da Polícia Civil do Espírito Santo.

A delegada Maria Aparecida Sfalsini é mãe da advogada Ariane Rasseli Sfalsini. E foi justamente ao lado da mãe, quando era titular da DPCA, que a criminalista Ariane fez estágio e pode também vivenciar as macabras histórias relatadas pelas vítimas – crianças e adolescentes – e seus familiares. Na época, a DPCA funcionava num prédio da Codesa, entre o Parque Moscoso e o Mercado da Vila Rubim, no centro de Vitória – hoje, totalmente reformada, a DPCA se localiza na pracinha de Jucutuquara, também na Capital capixaba.

O livro é dividido em três partes, que misturam realidade e ficção para não identificar as vítimas. “Estamos preservando as vítimas e não citamos nem os locais onde ocorreram os crimes”, ressalta Maria Sfalsini – ela e a escrivã Martinha da Costa estão hoje aposentadas.

“O livro é impactante e atual. Apesar de complexo, o tema é tratado com uma linguagem simples. São 145 páginas onde destrinchamos os possíveis motivos que levaram a este tipo de violência, a partir do perfil do predador ou abusador sexual. Geralmente são pessoas acima de qualquer suspeita”, disse Martinha.

A delegada Maria Aparecida Sfalsini trabalhou durante 20 anos na Polícia Civil. Antes, atuou como coordenadora por cerca de 10 anos na Defensoria Pública Estadual. Na PC, foi delegada atuante na DPCA e ainda respondeu por oito anos pela chefia da Delegacia Especializada de Atendimento à Mulher (Deam) de Vila Velha. Aposentou-se na instituição como chefe da Divisão de Recursos Humanos.

Arcangela Pivetta trabalha como investigadora da Polícia Civil há 20 amos. Aprovada em concurso público, ela passou sete anos na DPCA e agora está lotada na Subsecretaria de Inteligência da Secretaria de Estado da Segurança Pública e Defesa Social.

Por 19 anos, a escrivã Martinha trabalhou na Polícia Civil. Ela, que chegou à DPCA em 2006, entrou para a instituição em 1990. Ariane Rasseli Sfalsini milita na advocacia há 14 anos. Tem se dedicado a ajudar crianças e adolescentes vítimas de abusos sexuais.

Todas essas mulheres são mães. A delegada Maria Aparecida tem três filhas, incluindo a advogada Ariane. Por sua vez, Ariane é mãe de um menino de 4 anos. A investigadora Arcangela tem dois filhos homens e, a escrivã Martinha, é mãe de um casal.

O ideia do livro nasceu dos casos impactantes apontados pelas autoras. “Eu comentava sempre com a Martinha que as investigações que fazíamos davam um livro. Teríamos que nos esforçar para levar os casos à sociedade e alertar a todos sobre esses crimes”, diz Maria Sfalsini.

Surgiu, então, segundo ela, a ideia de pedir ajuda ao radialista e jornalista Eduardo Santos, que na época apresentava um programa policial na Rádio Gazeta. Com apoio do então chefe de Investigação da DPCA, Dirley Alves Rodrigues, as policiais da unidade passaram a relatar os casos em entrevista a Eduardo Santos, que atualmente apresenta o programa ‘Espírito Santo no Ar’, da TV Vitória.

“A partir de um programa policial popular, como era o do Eduardo Santos, as pessoas começaram a entender melhor o que é crime sexual e passaram a nos procurar na DPCA, relatando casos em que filhos e filhas eram vítimas. É sabido que a maioria dos casos ocorre dentro da própria casa das vítimas; é praticada por próprios familiares”, diz a delegada Maria Aparecida Sfalsini.

O livro ‘Inocência Violada’ apresenta 11 casos baseados na memória das autoras da obra e nas páginas de jornais. São casos que mais chocaram as policiais no dia a dia de trabalho na DPCA. “O objetivo do livro é ajudar as famílias a identificar os sinais que as crianças dão quando sofrem algum tipo de abuso. Os pais devem perceber que os abusadores fazem a criança se calar. Queremos chamar a atenção da sociedade”, afirma a advogada Ariane Sfalsini.

Há casos também emblemáticos que não estão no livro. A investigadora Arcangela lembra ter trabalhado em uma investigação em que uma adolescente de uma família de origem oriental era abusada sexualmente pelo pai. A mãe sabia dos abusos, mas considerava normais:

“Essa jovem cresceu e se tornou mãe. Quando o pai dela foi abusar da menina, neta do criminoso, a filha deu o grito e disse que não aceitaria que sua filha fosse vítima dos mesmos abusos que ela. A jovem mãe nos procurou na DPCA e denunciou o pai-avô”, recorda Arcangela Pivetta.

Outo caso triste, segundo a investigadora, aconteceu com um adolescente de 14 anos. Com uma mochila nas costas, ele foi à DPCA dizendo que iria fugir de casa. O avô do menino tentou manter relação sexual com o neto, ao descobrir que ele era homossexual.

“O avô passou a chantagear o neto, dizendo que iria ter relação sexual com ele, se não revelaria o caso para toda família. O adolescente não aceitou a chantagem do avô e foi à DPCA. Chamamos a mãe do adolescente e explicamos a ela toda a situação. Mãe e filho retornaram para casa”, pontua Arcangela.

O presidente do Sindicato dos Policiais Civis do Espírito Santo (Sindipol/ES), Aloísio Fajardo, elogiou o livro e afirma que “Inocência Violada” faz um alerta aos pais e educadores: “É um trabalho de extrema importância e relevância para toda população. São policiais civis e uma advogada criminal que estão fazendo um alerta com base nos casos que vivenciaram enquanto profissionais. O livro é fruto do comprometimento, da dedicação e da sensibilidade das três policiais civis e da advogada criminal”, pontuou Aloísio.

Saiba Mais

Livro: Inocência Violada.

Autoras: Maria Aparecida Rasseli Sfalsini, Marta Silva Vieira da Costa, Arcangela Pivetta dos Santos e Ariane Rasseli Sfalsini.

Onde comprar: Amazon ou pelo telefone (27) 98886-0058 – Martinha. As autoras entregam o livro pessoalmente na Grande Vitória.

Denúncias de estupro e abusos sexuais podem ser feitas por meio do link https://www.instagram.com/181es/?utm_medium=copy_link