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O escritório de advocacia do senador e pré-candidato à Presidência da República Flávio Bolsonaro (PL-RJ) emitiu duas notas fiscais, no valor de R$ 500 mil cada, para uma empresa que recebeu repasses do Banco Master. A empresa tinha como diretor um gestor da administradora de fundos Trustee DTVM, Artur Figueiredo. A Trustee e Artur Figueiredo são citados nas investigações do caso Master, sob suspeita de participação nas fraudes financeiras do banco. O caso foi revelado pelo portal Metrópoles.

O Banco Master é do banqueiro Daniel Vorcaro, que está preso pela acusação de cometer crimes contra o sistema financeiro, corrupção ativa, lavagem de dinheiro, falsidade ideológica, estelionato e infiltração em órgãos públicos de investigação, e ameaça e violência, por envolvimento no planejamento de agressões e intimidação contra jornalistas e opositores. No último sábado (18/07), Flávio esteve em Vitória, onde participou de um evento político do Partido Liberal. Na ocasião, ele anunciou apoio do PL à pré-candidatura do ex-prefeito da Capital capixaba Lorenzo Pazolini (Republicanos) ao governo do Espírito Santo. Pazolini, pelo menos no discurso, também anunciou apoio a Flávio.

As notas foram emitidas pelo escritório de Flávio para a empresa Copenhagen Assessoria e Consultoria no dia 7 de abril de 2025 e foram canceladas no mesmo dia. Em uma publicação nas redes sociais, o senador afirma que não quis prestar serviços advocatícios para a empresa.

A Trustee afirma que Figueiredo era apenas representante de um fundo na Copenhagen e não cuidava dos negócios da empresa. A empresa recebeu R$ 57,9 milhões do Master  entre 2024 e 2025, conforme documentos da Receita obtidos pela CPI do Crime Organizado. Dois dias depois, o escritório de Flávio emitiu uma nota fiscal de R$ 500 mil para outra empresa, a Contábil Correa, pelo serviço de “assessoria jurídica”, de acordo com nota fiscal emitida em 9 de abril de 2025.

A Contábil Corrêa está registrada em nome de Rogério Novo, que virou diretor da Copenhagen cinco meses depois, em setembro de 2025, no lugar de Artur Figueiredo –  segundo os registros na Junta Comercial de São Paulo.

Em uma publicação nas redes sociais, o senador afirmou que prestou serviços para a Contábil Correa e que chegou a negociar com a Copenhagen:

“Fiz um trabalho para uma empresa. Fui contratado para isso e prestei serviços advocatícios. Relação completamente legal e privada. Em outra oportunidade, eu não aceitei trabalhar para essa empresa chamada Copenhagen, que supostamente foi usada por [Daniel] Vorcaro para fazer pagamentos a algumas pessoas. Não foi o meu caso. Estou tendo que explicar porque eu não recebi o dinheiro dessa empresa. Cancelei duas notas fiscais”, disse Flávio Bolsonaro.

Em nota à imprensa, a Trustee DTVM afirma que, como administradora do fundo Estônia Multiestratégia, que investe em ações da Copenhagen Assessoria e Consultoria, “não tinha ingerência sobre as relações comerciais da empresa nem da definição de qualquer pagamento ou negociação entre a companhia e o Banco Master para ocultar patrimônio de quem quer que seja”.

“Durante todo o período em que exerceu a função na companhia, a atuação de Artur Figueiredo observou rigorosamente a legislação aplicável, os procedimentos de governança, controles internos e compliance então vigentes”. A empresa afirmou ainda que Figueiredo não tinha participação nos contratos e no dia a dia da empresa.