O portal de notícias ICL divulgou na quarta-feira (15/07) uma foto do senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ), pré-candidato à Presidência da República, com Luiz Phillipi Machado de Moraes Mourão, o “Sicário”, chefe de uma milícia privada organizada pelo banqueiro Daniel Vorcaro, ex-dono do Banco Master. Não se sabe o contexto em que a foto foi tirada. No entanto, Flávio aparece sem camisa e bastante descontraído na imagem.
Em nota, a assessoria de imprensa de Flávio Bolsonaro afirmou que ele nunca viu o “Sicário” e que não conhece a pessoa que aparece na imagem. Segundo a nota, Flávio Bolsonaro “recebe todos os dias pedidos de dezenas de pessoas pelas ruas para fotos”.
“O senador e pré-candidato à Presidência da República, Flávio Bolsonaro, como figura pública e extremamente popular, recebe todos os dias pedidos de dezenas de pessoas pelas ruas para fotos. Impossível o senador saber quem é cada uma das pessoas que dele se aproxima. Flávio Bolsonaro reafirma que não conhece e nunca viu a pessoa na foto. É irresponsável tentar atribuir qualquer significado pessoal a uma imagem aleatória”, diz a nota.
Flávio Bolsonaro também divulgou um vídeo em que reafirma que tira fotos com muitas pessoas todos os dias e que não tem como saber quem é cada pessoa que o aborda: “”Eu sou muito bem recebido por onde eu passo, tiro foto com todo mundo que me pede. Eu não tenho como saber quem é aquela pessoa que está tirando foto comigo, né?”, afirmou.
Segundo o ICL, a imagem foi obtida por uma fonte que pediu sigilo e teria sido capturada em 2022, em um hotel na Zona Sul do Rio de Janeiro. Na nota, a assessoria do senador levanta a hipótese de a imagem ter sido produzida por inteligência artificial.
Todavia, o ICL Notícias, em parceria com o Centro Latino-americano de Investigación Periodística (CLIP), passou a imagem por cinco ferramentas diferentes de detecção para saber se havia indícios ou marcas d’água de que ela tivesse sido gerada com IA (Gemini, Hive Moderation, Sight Engine, Was It AI e Image Whisperer). Nenhuma delas encontrou indícios de que a fotografia tivesse sido criada com alguma inteligência artificial generativa.
Uma análise feita com a ferramenta InVID também não revelou indícios de que a imagem tenha sido manipulada, ou de que seja uma montagem. E, além disso, as sombras das mãos e os reflexos nos óculos escuros dos dois homens mostram que ambos estariam sendo iluminados pelas mesmas fontes de luz: uma iluminação principal vindo do lado esquerdo da foto, e uma iluminação secundária vindo da direita. O braço de Sicário se reflete no tronco de Flávio; as mãos dos dois homens têm luzes e sombras semelhantes, e os óculos de sol refletem uma pequena luz vindo de cima.
O g1 também submeteu a imagem a ferramentas de checagem, e elas indicaram baixa probabilidade de manipulação com uso de inteligência artificial.
Quem era Sicário
Luiz Phillipi Machado de Moraes Mourão, conhecido como “Sicário”, foi apontado pela Polícia Federal como coordenador do grupo “A Turma”, que atuava como milícia privada de Daniel Vorcaro. Ele foi preso em março de 2026 durante a 3ª Operação Compliance Zero. Horas após a prisão, enquanto aguardava audiência de custódia na Superintendência da Polícia Federal em Belo Horizonte, o jagunço de Vorcaro tentou tirar a própria vida dentro da cela. Ele foi socorrido e levado a um hospital, mas teve a morte cerebral confirmada dias depois.
Segundo os investigadores, “Sicário” desempenhava papel central na organização criminosa, atuando no monitoramento de alvos, na obtenção ilegal de dados e em ações de intimidação. Também acumulava antecedentes por crimes como estelionato, receptação, uso de documento falso e ameaça. Já Daniel Vorcaro está preso preventivamente em Brasília.
Financiamento de filme sobre Bolsonaro
A relação entre Flávio Bolsonaro e Daniel Vorcaro tornou-se pública após a divulgação, em maio de 2026, de mensagens e áudios que mostram negociações para o financiamento do filme Dark Horse, produção sobre o ex-presidente Jair Bolsonaro (PL). As informações vieram à tona após revelações do site Intercept Brasil.
As mensagens mostram que Flávio Bolsonaro procurou Vorcaro em busca de apoio financeiro para a produção cinematográfica. O Intercept informou que o banqueiro teria realizado aportes de cerca de R$ 61 milhões entre fevereiro e maio de 2025 para o projeto. O dinheiro teria sido destinado a um fundo nos Estados Unidos vinculado à produção do filme.
Após a divulgação do material, Flávio Bolsonaro confirmou que pediu recursos ao empresário, mas negou qualquer irregularidade. O senador afirmou que não mantinha “relações espúrias” com Vorcaro e sustentou que todos os contatos com o banqueiro estavam relacionados exclusivamente ao financiamento do filme sobre seu pai. Segundo o parlamentar, a relação com o empresário se limitava ao projeto cinematográfico.