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A Polícia Civil fluminense prendeu, em Itaguaí, na Baixada Fluminense, um dos milicianos mais procurados do Espírito Santo. Trata-se de Gilbert Wagner Antunes Lopes, conhecido como “Waguinho Batman”, que foi localizado no bairro Engenho após cerca de dois meses de monitoramento e diligências da 50ª Delegacia (Itaguaí). A prisão se deu por meio de um trabalho integrado com a Polícia Civil capixaba. Ele será trazido para o Estado.

Waguinho Batman é acusado de ser mandante do assassinato do vereador bolsonarista Marcos Augusto Costalonga, Marquinhos da Cooperativa (Presidente Kennedy/PL), que foi morto a tiros no dia 27 de maio de 2021, na zona rural de Presidente Kennedy, Sul do Espírito Santo. Na sexta-feira passada (10/06) completaram-se dois anos que o acusado estava foragido da Justiça. Em 2024, ele teve a prisão decretada pela Justiça depois que a Polícia Civil concluiu o Inquérito que investigou o assassinato do vereador.

A integração entre as duas Polícias Civis se deu por meio do Serviço de Inteligência, com coordenação do gabinete do delegado-geral adjunto, Fabrício Dutra, e do Centro de Inteligência e Análise Telemática (Ciat) Sul. A captura foi realizada por policiais civis da Delegacia de Polícia (Itaguaí), após cerca de dois meses de trabalho integrado de inteligência, monitoramento e troca de informações entre as Polícias Civis do Espírito Santo e do Rio de Janeiro.

Waguinho Batman é também investigado por ameaçar autoridades públicas, entre elas um delegado de Polícia Civil Thiago Viana, responsável pela investigação do assassinato do vereador Marquinhos da Cooperativa; e o procurador-geral do Município de Presidente Kennedy, Rodrigo Lisboa Correa.

As investigações para a captura do miliciano carioca começaram em abril, quando o Setor de Inteligência da Delegacia de Itaguaí identificou que o foragido buscava abrigo com integrantes de uma milícia que atua em Chaperó, na mesma cidade. A partir dessas informações, os agentes passaram a monitorar a movimentação do suspeito.

De acordo com a Polícia Civil, para dificultar a captura, Waguinho Batman usava diferentes endereços e circulava por vários municípios do estado. Na última sexta-feira (10), os policiais localizaram o suspeito em Mangaratiba, mas ele conseguiu escapar ao se misturar às pessoas que participavam de um evento na cidade. As buscas continuaram e, na terça, os agentes conseguiram cercar e prender o investigado em Itaguaí.

Contra o suspeito havia um mandado de prisão preventiva expedido pela Justiça do Espírito Santo. Segundo a decisão judicial, ele responde por crimes de alta gravidade e integra um grupo investigado por homicídios e outros delitos.

Ainda de acordo com a Polícia Civil, o apelido “Batman” faz referência a outro miliciano que atuava na Zona Oeste do Rio: Ricardo Teixeira Cruz, que foi chefe da milícia Liga da Justiça após as prisões dos fundadores Jerominho e Natalino. Ricardo foi preso em 2009 e condenado em 2022 a 16 anos de prisão por um homicídio de um motorista de van. O apelido Batman seria uma alusão à ligação do criminoso do Espírito Santo com grupos paramilitares.

Relembre o caso

O vereador Marquinhos da Cooperativa (Foto ao lado) foi assassinado no dia 27 de maio de 2021. Ele era vice-presidente da Câmara Municipal de Presidente Kennedy e foi morto no bairro Leonel, no município. Na noite de 27 de maio de 2021, o parlamentar, a esposa e um amigo voltavam de uma partida de futebol na zona rural do município. No caminho, um veículo modelo Hyundai HB20 teria parado ao lado do carro e os ocupantes atiraram várias vezes no veículo que a vítima dirigia.

Um dos tiros atingiu o vereador, que morreu na hora. Ele perdeu o controle do veículo e caiu em um barranco à beira da estrada. Os suspeitos fugiram do local sem levar nada. A mulher e seu amigo ficaram feridos e foram socorridos. O carro utilizado pelos criminosos foi encontrado queimado quatro dias após o crime na localidade de Monte Belo, também no município de Presidente Kennedy.

Outros cinco envolvidos no assassinato foram presos, mas soltos por ordem da Justiça quase dois anos depois para responder ao processo em liberdade. São eles: os executores do assassinato Douglas da Silva Nunes, o Guigo; Pedro Romão Baptista e Rafael Miranda Louzada, o Gardenal; o intermediário entre o mandante e os executores, Elan Martins, vulgo Elan Tatuador (o ‘Laranja’); e Everaldo de Almeida Neto, o Bambu. Assim como o miliciano Batman, todos os denunciados já viraram réus na Ação Penal 50005114820248080041 e podem ir a Júri Popular em breve.