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Os bastidores da política capixaba foram sacudidos por um forte desabafo que expõe as tensões internas na direita do Espírito Santo. O cabo da Polícia Militar Diego Cassoto utilizou suas redes sociais para manifestar uma contundente rejeição a uma eventual aproximação estratégica entre o Partido Liberal e o Republicanos, caso a aliança passe pelo crivo ou influência do ex-governador Paulo Hartung — crítico da gestão do ex-presidente Jair Bolsonaro (PL) e do modelo econômico adotado pelo ex-ministro da Economia Paulo Guedes. Nas eleições municipais de 2024, Cabo Cassoto concorreu ao cargo de vice-prefeito da Serra pelo PL, na chapa encabeçada pelo vereador Igor Elson, que foi derrotada.

A reação de Cassoto foi motivada por informações que apontam que o senador Magno Malta, que preside o Diretório Estadual do PL no Espírito Santo, estaria defendendo a composição partidária. O objetivo do acordo seria cacifar o PL para indicar o candidato a vice-governador na chapa liderada pelo ex-prefeito de Vitória Lorenzo Pazzolini (Republicanos) e colocar a filha do senador, Maguinha Malta, como candidata única ao Senado pela coligação. Paulo Hartung tornou-se aliado de primeira hora de Pazolini.

Sem meias palavras, Cabo Cassoto relembrou o histórico de embates entre as forças de segurança e as gestões passadas do Palácio Anchieta para justificar sua posição irredutível: “Prefiro voltar a patrulhar em Flexal [em Cariacica] do que me aliar ao Paulo Hartung, que fez todos os policiais sofrerem.”

Hartung sempre foi malvisto nas forças policiais desde seu primeiro mandato, em 2003. Reeleito para o segundo mandato, ele continuou deixando de lado a segurança pública, que só foi ganhar um programa específico para combater a violência e as organizações criminosas em 2011, com a implementação do Estado Presente em Defesa da Vida, no primeiro mandato de Renato Casagrande (PSB).

Hartung, no entanto, voltou a governar o Estado. Em janeiro de 2015, assim que tomou posse para o terceiro mandato, extinguiu o Programa Presente. Por isso, a  menção a Flexal feita pelo Cabo Cassoto – região conhecida pelos desafios na área social –, carrega um forte simbolismo. Para interlocutores, a fala funciona como um recado claro de que parte da base militar e ideológica do PL prefere o desgaste do trabalho operacional de rua a ceder a pragmatismos políticos que envolvam antigos desafetos, em especial qualquer aliança com o ex-governador Paulo Hartung.

A declaração de Cassoto reverberou imediatamente no cenário político do estado. O posicionamento do cabo evidencia que o comando do PL, liderado por Magno Malta, terá que enfrentar forte resistência interna se decidir avançar nas negociações com o Republicanos sob essas condições. O episódio joga luz sobre o desafio da direita capixaba em equilibrar o pragmatismo partidário com a figura de Paulo Hartung, que obtém forte rejeição da classe policial e também com o discurso ideológico de suas bases, que ainda guardam profundas cicatrizes das crises institucionais vividas na segurança pública desde a paralisação na Polícia Militar em fevereiro de 2017. O PL não obteve o êxito esperado nas eleições municipais de 2024, elegendo apenas cinco prefeitos no interior, sem o apoio direto do senador.