À unanimidade, o Tribunal Regional Eleitoral do Espírito Santo (TRE-ES) declarou irregular a pesquisa eleitoral ES-09049/2026, feita pelo Instituto Veritá, com indícios de manipulação que iria favorecer o ex-prefeito de Vitória, Lorenzo Pazolini (Republicanos), candidato ao Governo do Estado.
Em 29 de abril deste ano, o desembargador Eleitoral Américo Bedê Freire Júnior, do TRE/ES, já havia concedido liminar, em ação movida pelo partido AGIR, impedindo a divulgação da pesquisa por detectar falhas que poderiam resultar em fraude. No julgamento do mérito na última quarta-feira (03/06), a Corte manteve o entendimento de que a pesquisa apresentava irregularidades e impropriedades técnicas capazes de comprometer sua confiabilidade e representação do cenário eleitoral.
Na decisão analisada pelo plenário, o desembargador Américo Bedê afirmou que o levantamento continha “deficiências e/ou impropriedades técnicas capazes de comprometer/dificultar a indicação da representatividade em um cenário real”. O magistrado também destacou que “a não utilização de um critério neutro de numeração” poderia ter prejudicado a compreensão do eleitor entrevistado.
Já o parecer da Procuradoria Regional Eleitoral classificou o caso como grave e apontou “indícios de manipulação” na condução da pesquisa. Segundo a Procuradoria, “a estrutura da pesquisa foi moldada para privilegiar determinados cenários, afrontando os princípios da isonomia e da fidedignidade”.
A Procuradoria também sustentou que o Instituto Veritá “agiu com deliberado desvio de finalidade, afastando-se da neutralidade exigida pela Resolução TSE nº 23.600/2019”. Outro trecho do parecer afirma que as irregularidades identificadas “transcendem o mero erro formal” e configuram “vício insanável”.
Ao final da manifestação, a Procuradoria Regional Eleitoral pediu a condenação do Instituto Veritá com aplicação de multa em seu patamar máximo “dada a gravidade dos indícios de manipulação”. O julgamento foi concluído sem divergências. Além do relator, desembargador Américo Bedê, acompanharam integralmente o voto pela procedência da Representação os magistrados Namyr Carlos de Souza Filho, Isabella Rossi Naumann Chaves, Marcos Antonio Barbosa de Souza, Hélio João Pepe de Moraes, Arthur José Neiva de Almeida e Luna Oliveira Lucchesi Ramacciotti.
O Instituto Veritá ainda enfrenta outros dois questionamentos judiciais envolvendo pesquisas eleitorais no Espírito Santo. Na pesquisa registrada sob o número ES-06002/2026, o procurador Regional Eleitoral Paulo Augusto Guaresqui deu parecer favorável à Representação impetrada pela Executiva Estadual do MDB no TRE/ES contra o Instituto Veritá por conta de uma “pesquisa eleitoral manipulada” para beneficiar o ex-prefeito Lorenzo Pazolini.
Para a Procuradoria Regional da República, a pesquisa – amplamente divulgada pelas milícias digitais – que colocava Pazolini à frente na disputa com 38,3% dos votos válidos no quesito ‘espontâneo’, é, na verdade, “uma superexposição artificial de competitividade, moldada por uma amostragem maculada, com clara capacidade de enganar e influenciar ilegitimamente o eleitor capixaba.”
Agora, a decisão unânime do TRE-ES aprofunda o desgaste enfrentado pelo Instituto Veritá no cenário político capixaba e amplia os questionamentos sobre a credibilidade dos levantamentos eleitorais divulgados pela empresa no período pré-eleitoral.



